terça-feira, 16 de outubro de 2012

Exercises in Free Love


Ainda perdi uns 5 minutos a pensar num texto para acompanhar esta música. Mas escrever seja lá o que for aqui e de todo supérfluo, tal como mostrar qualquer imagem no vídeo.

Das coisas mais bonitas que já se fizeram no mundo...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

35


Com alguns dias de atraso, é verdade, mas não deixo de vir cá assinalar esta efeméride. Á 5 anos atrás começava a escrita aqui no pasquim, a coincidir com a minha entrada na idade da sabedoria (pelo menos é o que consta). Muitas voltas a minha vida deu nestes últimos 5 anos, e a ideia original por trás deste blog era como que criar um livro de bordo a descrever os momentos mais importantes, ou pelo menos os momentos mais importantes passíveis de serem cá descritos. É difícil conseguir conjugar o que eu acho que devo escrever do que eu acho que devo ocultar, já que isto é um espaço público que toda a gente pode aceder. No entanto acho que para qualquer dos posts que cá coloquei, consigo voltar ao momento em que o escrevi e lembrar o que me passava pela cabeça nessa altura, e por isso a parte privada que não consta destes textos está marcada profundamente na minha mente, e este blog então age como um ponto de partida para a imaginação, um índice para as partes mais claras e mais obscuras do meu intelecto.

Quanto ao meu aniversário, foi mais um, essencialmente... acho que estou na altura de começar a deixar de os contar, já são muitos... continuo a não sentir que tenho a idade que tenho, apesar de que essa sensação é uma coisa um bocado absurda... vamos medir porque padrões? Eu normalmente prefiro comparar-me com as pessoas que eu conheço que com a minha idade ou menos estão gordos, feios, com os dentes estragados... mas bem lá no fundo sei que não é assim. Não estou fora de forma, acho eu, mas a idade sente-se quando se olha para trás e se chega á conclusão que não há assim tanta obra feita, que a maior parte da minha vida é feita de deita tudo abaixo e constrói tudo de novo, e isso começa a cansar, principalmente porque começas a perceber o quão efémero tudo é... como dizia um grande amigo á pouco tempo atrás: "daqui a uns anos isto deixa de ser nosso".

Coisas positivas: Recebi uma catrefada de mensagens pelo facebook a me desejar os parabéns - é bom saber que as pessoas lembram-se e deixam mensagens bonitas, mesmo que a maior parte das vezes seja o facebook que as lembre, mas que se lixe, eu sou terrível para me lembrar de datas e o facebook já me lembra da maior parte das coisas mesmo. Consegui juntar aqui em casa um grupinho porreiro para beber umas cervejolas e comer umas pizzas e dar umas gargalhadas - nada mal para o meu primeiro aniversário passado em Londres.

Coisas negativas: Não recebi chamadas de pessoas muito importantes na minha vida, o que é um bocadinho triste e faz perceber como a distância já faz mossa.

Coisas neutras: Frio e tempo cinzento, mas isso já não me faz confusão. O Glorioso ganhou este ano outravez, mas já não ligo muito a bola para ser honesto.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um ano



As efemérides têm destas coisas, deixam-nos melancólicos. As medidas temporais deviam ser banidas pois fazem-nos pensar demasiado no passado e tiram-nos o foco no presente e no futuro.
Fez hoje um ano desde que abandonei o meu país e embarquei noutra aventura na minha vida, como antes já o tinha feito outras vezes. Um ano voou, parece que ainda ontem estava a chegar sozinho ao aeroporto de Gatwick, trazendo na mala os poucos pertences dos quais não me desfiz, e a cabeça cheia de sonhos e ambições, ainda com os olhos meios molhados da despedida, mas querendo encontrar mais para a vida do que aquilo que Lisboa me tinha dado até então.

Foi um bom ano, aprendi muito sobre a vida e sobre mim próprio, e que venham mais assim, seja aqui na Inglaterra seja na China.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Miséria



Apesar de estar longe, continuo sempre a acompanhar o que se passa no meu país, e não deixa de ser com tristeza que vejo que de dia para dia as coisas tornam-se cada vez piores, sem que se vislumbre qualquer tipo de luz ao fundo do túnel

Depois de ver quase uma hora e meia de uma entrevista ao nosso primeiro ministro em que se viu o pior da nossa classe política - totalmente autoritária e autista, como se não devesse qualquer tipo de explicações ao povo português, e de no mesmo dia ver a forma como o ditador lá da minha terra ri-se de gozo de uma manifestação á porta de uma das "suas" sedes de governo (sim Alberto, tu ris-te, ris-te mas vais acabar como o pulha do salazar - caquético, a viver num mundo de fantasia e esquecido por todos, como aquele familiar de quem todos têm vergonha e nunca é convidado para nada).

Cada dia que passa, mais fico com a ideia de que tomei a opção certa, e de que não apenas emigrei - fugi do meu país.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Submarine


Faz muito tempo desde que um filme me obrigou a ficar acordado até horas improváveis num domingo á noite, mesmo sabendo que amanhã vou sofrer o dia todo porque não dormi o suficiente.
Este filme tem tanto de belo quanto de estranho, e tocou-me e fez me lembrar de coisas que á muito tinha fechadas e bem guardadas nos confins do meu subconsciente. Tenho que ir dormir agora, não sei se sorria ou se chore...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O meu pai


Quando eu era criança o meu pai que era alcoólico inveterado (mas nunca assumido), guardava sempre uma nota de cinco contos dobrada dentro da carta de condução, que era daquelas antigas, côr-de-rosa, que se dobravam em três. Porquê? - Era costume nos domingos á noite a polícia estar a fazer operações stop na recta do miradouro das neves, que fica na zona este do Funchal e o carro do meu pai que já devia provavelmente ser reconhecido pelos senhores agentes, era sempre mandado parar. Lembro-me claramente de um agente que costumava estar nessas ditas "operações" um tipo alto, magro, com um ar cruel e de educação rude. A minha mãe sabia-lhe o nome, eu confesso que me esqueci. Ele olhava para dentro do carro, cruzava o olhar comigo e fazia-me sentir um arrepio na espinha, como se a qualquer altura fosse me tirar dali e levar para a cadeia.
Outra coisa de que nunca hei de esquecer é hálito que o meu pai tinha, aquele cheiro fétido de vinho americano caseiro misturado com qualquer bebida espirituosa a que lhe chegasse a mão sentia-se ao longe. No entanto, o sr. agente apenas segurava a carta de condução do meu pai por breves instantes, devolvendo-a á mão do meu pai e ordenando-lhe que prosseguisse viagem. Com certeza deveria ter um problema qualquer olfactivo que o impedia de cheirar o álcool, e também um problema de vista que fazia com que não percebesse que aquele rubor na face era derivado a muitos copos de vinho pela goela abaixo. Coitadinho do Sr. Polícia…
Os primeiros anos de que me lembro de mim foram sempre assim, fazer a viagem desde a casa dos meus avós nos domingos á noite, com o meu pai totalmente embriagado, sem saber se íamos ser parados pela polícia ou se íamos cair por uma ravina abaixo, pedindo por tudo o que era mais sagrado que fosse mais devagar - o que muito raramente sortia o efeito desejado, normalmente o contrário - quanto mais pedia-mos para ele ir mais devagar, mais ele acelerava. Nunca tentei perceber o porquê, tenho a certeza que ele não nos odiava, provavelmente apenas odiava-se a si próprio...

...e eventualmente deixei de acompanhar os meus pais nas viagens para a terra dos meus avós, porque na minha adolescência descobri coisas melhores para fazer e porque não tinha vontade nenhuma de reencontrar a patrulha da polícia no miradouro das neves e ver sempre o mesmo polícia a me fixar nos olhos com aquele ar de bandido.

Enquanto tivemos algum dinheiro para fazer a nossa vida, o meu pai continuou a guardar aquela carta de condução côr-de-rosa no porta documentos que trazia no bolso das calças, junto com o cartão de sócio do Nacional, e as fotos de mim, do meu irmão e da minha mãe. Apenas quando o vício, a vida desregrada e a doença da minha mãe nos deixaram sem dinheiro, ele foi apanhado numa operação stop e tiraram-lhe a carta.

Morreu três meses depois, sozinho numa cama de hospital, tanto vitima de si próprio quanto de uma sociedade que na verdade nunca quis saber, nem dele nem de nós.

Fico feliz por saber que o seu vicio aliado á sua profissão nunca fizeram com que outras pessoas se magoassem na estrada, por um misto de sorte ou qualquer protecção divina, o camião de uma forma ou de outra chegou sempre intacto á beira de casa, mesmo que o motorista que o acabara de estacionar pouco discernimento tinha para ultrapassar o desafio que era introduzir a chave de casa na fechadura, e roda-la até se abrir.

Por incrível que pareça passei anos sem perceber o quanto tudo isto havia afectado a minha personalidade, foi preciso alguma idade, perspectiva e ajuda profissional para chegar a essa conclusão.

Gostava de saber que perdoei o meu pai por nos ter destruído a vida, mas lá no fundo sei que isso ainda não aconteceu - os fantasmas voltam sempre para me aterrorizar o sono muitas mais vezes do que gostaria. Não consigo mudar o passado, ele é como é.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Para onde vou hoje?


Volta e meia sentes que a tua vida não faz muito sentido, que estás sempre a fazer as mesmas coisas, sempre a percorrer os mesmos caminhos, sempre a falar com as mesmas pessoas. O problema é que fazes toda essa rotina não porque gostas, mas porque por alguma razão acabaste por faze-lo, alguém te colocou naquela rotina e não sabes bem como, nem quem, nem porque. No entanto chegas á conclusão de que foste tu que te colocaste lá, e apesar de ser um jugo tremendo atravessar o dia todos os dias, ninguém na verdade te obriga a isso.

Um video com muita alma, que faz pensar no verdadeiro significado da vida e no que realmente nos faz feliz...