sábado, 24 de março de 2012
O capitão Maltez
"O Rossio era o local da concentração. O boca-a-boca funcionava, assim como a imprensa clandestina. Sempre critiquei a escolha do sítio. A polícia política e a outra fechava as saídas e era um vê se te avias a pancadaria que levávamos. Levávamos e dávamos: a partir de certa altura alguns de nós, contrariando as recomendações, levaram consigo tubos de borracha, e defendíamos conforme podíamos. Podíamos pouco, ante o aluvião de agentes à paisana e a brutalidade da repressão. Salientava-se, neste caso o capitão Maltez, cuja selvajaria era conhecida.
Num desses anos, estava com o Fernando Lopes-Graça e outros amigos, à entrada da Rua do Carmo. A multidão gritava: "Abaixo o fascismo!" ou "Morte à PIDE!", e o desagrado durou poucos minutos. Eis que surge o capitão Maltez de má memória e, de cassetête em punho agride quem à sua frente aparecesse. O homem parecia cego de ódio e de raiva. Agrediu Lopes-Graça uma vez; da segunda, coloquei-me à frente dele, tentei cobri-lo com o meu corpo (eu era um homem muito mais corpulento do que sou hoje, e mesmo agora…) e levei com as bastonadas destinadas ao meu velho amigo. Depois, sempre tapando o Graça, e quase o transportando, corri pela rua do Carmo, sempre com o Maltez a dar-me. As escadas estavam fechadas, o Graça tinha levado com uma bastonada na cabeça e partido os óculos, corria-lhe um fio de sangue pelo rosto, até que consegui que alguém me abrisse uma porta.
Quero dizer com isto que vale sempre a pena estar onde é preciso estar. E que a rua, por muito que os detentores do poder digam o contrário, causa amolgadelas e dá resultado, mais tarde ou mais cedo. A rua não é, somente, uma demonstração de indignação sindical, política e cívica - é, sobretudo, um argumento moral, contra a inexistência de moral dos governantes."
Texto de Baptista Bastos, descrevendo as manifestações em que o próprio participou em Lisboa no tempo da ditadura. Tristemente este texto podia bem ser aplicado ás manifestações desta semana. No nosso país há coisas que infelizmente nunca mudarão, temos sempre que dar um cassetête ao capitão Maltez...
Cães de Fila
Não é novidade para ninguém que os elementos dos diferentes corpos de intervenção das diversas polícias existentes no nosso país são elementos de caracter duvidoso, que tanto deram para ir para polícias como podiam muito bem ter ido para ladrões. Escolheu o acaso que acabassem por integrar os corpos policiais porque afinal de contas é uma forma legal de distribuir pancadaria gratuitamente. No entanto a verdade é que o trabalho de polícia não é fácil, nunca ninguém disse que era.
Provávelmente são um mal necessário. Um dos subprodutos das sociedades contemporâneas, profundamente centralizadas em grandes metrópoles é muita gente podre, elementos da sociedade com uma total ausência de empatia ou respeito por valores humanistas. Se é bem verdade que sempre houveram pessoas de mau carácter, também não é menos verdade que estas encontram em cidades superpovoadas um terreno fertil de associação com outros que tal, e se a sociedade consegue bem lidar com um ou outro delinquente, controlar uma horda deles é tarefa nada fácil. É aí que entram os corpos de intervenção, fazem o trabalho sujo que nós o resto da sociedade não queremos saber que existe, pagamos-lhes para manterem os maus da fita na cadeia para podermos estar bem tranquilos na nossa casa a ver o jornal das 8 e nos queixarmos do novo pacote de austeridade do governo.
Sim, distribuem porrada a torto e a direito, mas normalmente o alvo desse grupo são criminosos e delinquentes que francamente não merecem mais do que isso. Desatam á chapada e partem um ou outro dente, mas não aleijam para além disso.
No entanto são um pau de dois bicos, e aplicá-los noutros cenários que não a tradicional criminalidade de bairros problemáticos é extremamente complicado. Quando se tornam armas nas mãos de comissários de polícia de poucos escrúpulos que querem a todo o custo subir na carreira, podem muito bem saír como um tiro pela culatra.
Foi o que aconteceu esta quinta feira no chiado: algum comissário de polícia chico-esperto mandou o corpo de intervenção "controlar" a multidão de manifestantes. Ora, utilizar as forças de intervenção, cujo objectivo como o próprio nome indica é o de intervir e não o de observar é o mesmo que mandar uma matilha de raposas para guardar um galinheiro - é tão imbecil que chega a ser criminoso. Eles estão lá para distribuir porrada, não para outra coisa, foi para isso que receberam treino. E se não houver molho, eles vão para casa frustrados, por isso o que fazem é garantir que há razões para carregar sobre os cidadãos, nem que essas razões apenas tenham sido fabricadas por eles próprios.
Neste momento em que toda a gente fala dos jornalistas que foram selvaticamente agredidos pela PSP, urge saber como e porquê começaram os distúrbios em primeiro lugar, e bem no século XXI onde toda a gente tem uma câmara de alta definição no bolso, a verdade é que o escurtínio está á mão de todos, por isso mandar esquadrões de polícias raivosos carregar sobre uma multidão de cidadãos em protesto não seria tão fácil de escamotear, como se fez outrora no período do estado novo até ao tempo em que o Sr. Aníbal mandou o corpo de intervenção distribuir bastonadas e balas de borracha sobre os manifestantes da ponte 25 de Abril.
![]() |
| Segundo testemunhas, os 3 homens na fotografia chegaram ao rossio acompanhados pela polícia, e estiveram na origem dos confrontos, ao serem eles a atirarem os petardos para a multidão. |
Infelizmente, o nosso país está totalmente minado e invadido por incompetentes. Quem tem valor não vai a lado nenhum, e tem as opções de ou continuar a levar uma vida calma de subserviência e costas curvadas, ou tem a porta da rua bem á vista para se quiser usá-la. Estes metecaptos que ordenaram os polícias a intervir, apenas por o terem feito, mostraram que não têm a menor competência para exercer o alto cargo que ocupam, e se o ocupam agora, foi porque em Portugal não existe cultura de mérito, existe cultura de baixar as calças e beijar o cú ao chefe - quem arregaça as mangas e dá o litro nunca consegue chegar a lado nenhum.
Gostava de pensar que toda esta situação lamentável resultasse em consequências para quem falhou tão clamorosamente, mas infelizmente tenho a certeza que quem fez isto há de ser promovido. Os incompetentes são sempre promovidos, quanto mais não seja porque a sua incompetência dá jeito para alguém.
quarta-feira, 21 de março de 2012
As montanhas de Margalla
Numa manhã de julho de 2010 perto de Islamabad no Paquistão, o comandante Pervez Iqbal Chaudhary voava um Airbus A-321. O avião, uma autêntica maravilha tecnológica que quase se voa sozinho estava em perfeitas condições de funcionamento e tinha sido inspecçionado á pouco tempo. O tempo estava difícil é verdade, a visibilidade baixa e chuva abundante devido á época das monções, mas nada que teoricamente pudesse trazer excepcionais dificuldades ao veterano comandante de 61 anos e com 25497 horas de experiência.
Ao seu lado estava Muntajib Ahmed de 34 anos, antigo piloto de caças F-16 pela força aérea paquistanesa e com um total de 1837 horas de voo.
Nos ultimos 25 minutos do voo, o computador de bordo soou o alarme por 21 vezes durante 70 segundos seguidos e o o co-piloto alertou constantemente o seu superior hierárquico para o perigo que constituia a sua trajectoria e altitude. Apesar da óbvia situação de perigo, e do facto de os alertas sonoros serem insistentes e estridentes, o co-piloto não tomou nenhuma acção para corrigir a trajectória do aparelho e este despenhou-se nas montanhas de Margalla, apenas a 10 milhas nauticas do aeroporto onde deveria aterrar.
Morreu toda a tripulação juntamente com 146 passageiros.
Como é que um piloto experiente, aparentemente com saúde e com todos os alertas visuais e sonoros consegue mandar um avião em perfeito estado de funcionamento contra uma montanha? Ninguém sabe.
Como é que um co-piloto ao ver-se deparado com uma situação tão grave e perigosa para si próprio decide não tomar nenhuma acção e apenas vigorosamente avisar o seu superior de que assim iam todos morrer? Ninguém diz.
Entretanto em Março de 2012, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho de 47 anos conduz Portugal. Com apenas alguns meses de experiência tenta levar o país pela turbulência de um clima económico tenebroso, e está convencido que a coisa só vai lá com medidas de austeridade implacáveis. Á frente dele, á quase 2 anos estava a Grécia que entretanto já se estampou.
Toda a gente avisou os dirigentes gregos do fim que se aproximava de seguissem naquele rumo no entanto na sua cegueira inexplicável conduziram o país para o precepício, destruiram o trabalho de milhões, deixaram caír na pobreza uma imensa parte dos seus cidadãos.
Nós já tivemos o exemplo grego, já sabemos futuro o destino nos reserva ao seguirmos pelo mesmo caminho, ainda assim teimosamente insistem em nos levar por aí. Apesar das vozes que se levantam, dos alertas insistentes da comunidade internacional (pelo menos daquela que não está ao serviço dos banqueiros e dos grandes grupos económicos e não tem tanto a ganhar com a falência dos estados) não há rigorosamente ninguém que tome consciência da gravidade da situação, pegue nos comandos e nos leve para uma rota segura.
A diferênça entre a situação de Portugal e a tragédia do voo Airblue 202 é para além do facto da ultima já se ter consumado e a primeira estar apenas em rota de colisão, é o facto de agora quem comanda tem para-quedas de ouro que lhes permite saltar do avião sempre que quiserem e ir para Paris fazer pós-graduações com o resultado do espólio saqueado. Ou isso ou seguir para administradores de empresas de obras públicas ou grupos bancários. Aconteça o que acontecer, a quem está ao leme agora nunca vai acontecer nada, por isso é mais ou menos como jogar poker com dinheiro de brincar, o risco é zero.
Os portugueses, já não conhecidos assim tanto pelo futebol ou pelo fado, mas admirados pela sua extraordinária falta de memória por elegerem políticos comprovadamente vigaristas para cargos de topo nunca lhes vão fazer nada.
A justiça, conhecida por ser concubina do poder político, nunca vai descer do seu pedestal para auxiliar os cidadãos, vai estar entretida na sua luta sectarista por poder, vai estar embrenhada no seu próprio hiper ego que não vai nunca perceber o que se está a passar. Também eles têm um cartão "Saia da cadeia gratuitamente, passe pela casa de partida e receba dois contos".
De Bruxelas não se espera nada, está lá um dos que nos apunhalou no passado. Não foi para Paris estudar filosofia porque tinha um talento extremo para agradar a grupos de interesse em deterimento do povo que o elegeu para o conduzir.
Dos outros países europeus, também não se pode esperar muito, durante muito tempo foram nos dando dinheiro que inteligentemente fomos colocando nos bolsos dos amigos do Cavaco Silva, José Sócrates, João Jardim, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Ferreira do Amaral, Paulo Portas, Armando Vara, etc, etc, etc... Tanto foi assim que deixaram de acreditar em nós, acham que somos um país de corruptos, um país de ignorantes, um país de gente desorganizada.
As montanhas de Margalla estão bem á nossa frente, e não duvidem, vamos nos espetar contra elas.
Ao seu lado estava Muntajib Ahmed de 34 anos, antigo piloto de caças F-16 pela força aérea paquistanesa e com um total de 1837 horas de voo.
Nos ultimos 25 minutos do voo, o computador de bordo soou o alarme por 21 vezes durante 70 segundos seguidos e o o co-piloto alertou constantemente o seu superior hierárquico para o perigo que constituia a sua trajectoria e altitude. Apesar da óbvia situação de perigo, e do facto de os alertas sonoros serem insistentes e estridentes, o co-piloto não tomou nenhuma acção para corrigir a trajectória do aparelho e este despenhou-se nas montanhas de Margalla, apenas a 10 milhas nauticas do aeroporto onde deveria aterrar.
Morreu toda a tripulação juntamente com 146 passageiros.
Como é que um piloto experiente, aparentemente com saúde e com todos os alertas visuais e sonoros consegue mandar um avião em perfeito estado de funcionamento contra uma montanha? Ninguém sabe.
Como é que um co-piloto ao ver-se deparado com uma situação tão grave e perigosa para si próprio decide não tomar nenhuma acção e apenas vigorosamente avisar o seu superior de que assim iam todos morrer? Ninguém diz.
-------------------------
Entretanto em Março de 2012, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho de 47 anos conduz Portugal. Com apenas alguns meses de experiência tenta levar o país pela turbulência de um clima económico tenebroso, e está convencido que a coisa só vai lá com medidas de austeridade implacáveis. Á frente dele, á quase 2 anos estava a Grécia que entretanto já se estampou.
Toda a gente avisou os dirigentes gregos do fim que se aproximava de seguissem naquele rumo no entanto na sua cegueira inexplicável conduziram o país para o precepício, destruiram o trabalho de milhões, deixaram caír na pobreza uma imensa parte dos seus cidadãos.
Nós já tivemos o exemplo grego, já sabemos futuro o destino nos reserva ao seguirmos pelo mesmo caminho, ainda assim teimosamente insistem em nos levar por aí. Apesar das vozes que se levantam, dos alertas insistentes da comunidade internacional (pelo menos daquela que não está ao serviço dos banqueiros e dos grandes grupos económicos e não tem tanto a ganhar com a falência dos estados) não há rigorosamente ninguém que tome consciência da gravidade da situação, pegue nos comandos e nos leve para uma rota segura.
A diferênça entre a situação de Portugal e a tragédia do voo Airblue 202 é para além do facto da ultima já se ter consumado e a primeira estar apenas em rota de colisão, é o facto de agora quem comanda tem para-quedas de ouro que lhes permite saltar do avião sempre que quiserem e ir para Paris fazer pós-graduações com o resultado do espólio saqueado. Ou isso ou seguir para administradores de empresas de obras públicas ou grupos bancários. Aconteça o que acontecer, a quem está ao leme agora nunca vai acontecer nada, por isso é mais ou menos como jogar poker com dinheiro de brincar, o risco é zero.
Os portugueses, já não conhecidos assim tanto pelo futebol ou pelo fado, mas admirados pela sua extraordinária falta de memória por elegerem políticos comprovadamente vigaristas para cargos de topo nunca lhes vão fazer nada.
A justiça, conhecida por ser concubina do poder político, nunca vai descer do seu pedestal para auxiliar os cidadãos, vai estar entretida na sua luta sectarista por poder, vai estar embrenhada no seu próprio hiper ego que não vai nunca perceber o que se está a passar. Também eles têm um cartão "Saia da cadeia gratuitamente, passe pela casa de partida e receba dois contos".
De Bruxelas não se espera nada, está lá um dos que nos apunhalou no passado. Não foi para Paris estudar filosofia porque tinha um talento extremo para agradar a grupos de interesse em deterimento do povo que o elegeu para o conduzir.
Dos outros países europeus, também não se pode esperar muito, durante muito tempo foram nos dando dinheiro que inteligentemente fomos colocando nos bolsos dos amigos do Cavaco Silva, José Sócrates, João Jardim, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Ferreira do Amaral, Paulo Portas, Armando Vara, etc, etc, etc... Tanto foi assim que deixaram de acreditar em nós, acham que somos um país de corruptos, um país de ignorantes, um país de gente desorganizada.
As montanhas de Margalla estão bem á nossa frente, e não duvidem, vamos nos espetar contra elas.
Aham...
PT: Mestres têm mais maturidade, atitude e conhecimento
"A nossa experiência tem demonstrado que a probabilidade de se encontrarem candidatos com o nível de maturidade, atitude e conhecimento exigidos pela PT é maior nos mestrados", afirma fonte oficial da operadora, que preeenche as suas cerca de 100 vagas, por ano, com jovens das mais diversas áreas de formação. Na escolha das universidades, a PT leva em consideração o corpo docente, o lugar nos ‘rankings' e a análise da tipologia de ex-alunos, que são actualmente ou já foram colaboradores da empresa. Procura instituições onde os conteúdos programáticos, como a tipologia de disciplinas ou a existência de trabalhos práticos, sejam adaptados aos temas específicos da PT. Na hora de recrutar, valoriza a atitude, ou seja a capacidade de análise e resolução de problemas, disciplina de trabalho, capacidade de trabalho em equipa, espírito de inovação, energia e motivação e o foco na excelência.
Em Diário Económico
É que é mesmo isso, sem tirar nem pôr!
Só se contrata gente originária de universidades perlimpimpim, com cursos vai-lá-vai e malta com coeficiente de inteligência de 3 elevado ao pastel de belém, garantidamente! Não tem nada a ver com o pedigree, não tem nada a ver com a linhagem genealógica e muito menos com a côr política.
São os maiores!
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Menina dos Olhos de Água
Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar
aprendi nos “Esteiros” com Soeiro
aprendi na “Fanga” com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar…
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar
Esta música surgiu-me na cabeça do nada quando ia hoje a caminho do metro para casa. E ainda bem que surgiu, tinha saudades de ouvi-la...
Vale a pena ouvir, e perceber, que numa altura em que o orgulho nacional anda pelas ruas da amargura, que ao contrário do que nos querem sempre querer fazer sentir, o nosso povo é capaz de criar obras tão especiais.
Interpretação de Pedro Barroso, do poema original do grande António Gedeão.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
La décadanse
Alain Chamfort e Mylène Jampanoi - La Décadanse by music-videos
Este é um remake do original de Serge Gainsbourg e Jane Birkin. A estética está irrepreensível e a musica em si parece-me que está bastante mais conseguida do que a original. Serge Gainsbourg (grande maluco) insistia em fazer com que Jane Birkin cantasse uma oitava acima do normal para que parecesse um rapazinho a cantar... o que é um bocado avariado se formos pensar bem. O problema é que ali pelo fim dos anos 60 ele teve um affair com Brigitte Bardot, para quem chegou a escrever algumas músicas, a mais famosa das quais a "Je t'aime moi non plus" que chegou a ser cantada em dueto com Brigitte. Ora consta que ela era alguém de quem não se esquecia facilmente, portanto quando este se apaixona perdidamente por Jane Birkin pouco tempo depois, e quis com ela cantar a música que compôs para Brigitte, fez questão que esta não cantasse da mesma forma. Uns dizem que foi para se vingar da francesa, outros para que não se lembrasse dela...
As suas orelhas de açucareiro, cigarro sempre na boca e olheiras de quem não dormia á meses não impediram que coleccionasse romances com uma quantidade enorme de mulheres lindas, por isso devia de ser dono de um paleio que sim senhor.
Morreu em 1991 de ataque cardíaco, aposto que com uma mão no peito e com outra a segurar no cigarro, e com a "coolness" com que sempre viveu a sua vida.
Apesar de não cantar por aí além, os duetos que foi fazendo em timbre rouco com mulheres bonitas semi vestidas claramente marcaram uma época e caracterizaram um período da história. Apanhei um bocadinho muito curto dos anos 70, mas ainda o suficiente para usar calças á boca de sino, mas não o suficiente para poder ver como era Paris nesta altura. Gosto de pensar que a cidade era como os vídeos do Gainsbourg, com mulheres de cabelo liso de risca ao meio, com vozes roucas sensuais a andar por todo o lado. Não há nada mais sexy que uma mulher bonita a te sussurar "mon amour" ao ouvido, isso é garantido :)
Subscrever:
Mensagens (Atom)








