quarta-feira, 21 de março de 2012

Aham...

PT: Mestres têm mais maturidade, atitude e conhecimento
"A nossa experiência tem demonstrado que a probabilidade de se encontrarem candidatos com o nível de maturidade, atitude e conhecimento exigidos pela PT é maior nos mestrados", afirma fonte oficial da operadora, que preeenche as suas cerca de 100 vagas, por ano, com jovens das mais diversas áreas de formação. Na escolha das universidades, a PT leva em consideração o corpo docente, o lugar nos ‘rankings' e a análise da tipologia de ex-alunos, que são actualmente ou já foram colaboradores da empresa. Procura instituições onde os conteúdos programáticos, como a tipologia de disciplinas ou a existência de trabalhos práticos, sejam adaptados aos temas específicos da PT. Na hora de recrutar, valoriza a atitude, ou seja a capacidade de análise e resolução de problemas, disciplina de trabalho, capacidade de trabalho em equipa, espírito de inovação, energia e motivação e o foco na excelência.
 
Em Diário Económico

É que é mesmo isso, sem tirar nem pôr!

Só se contrata gente originária de universidades perlimpimpim, com cursos vai-lá-vai e malta com coeficiente de inteligência de 3 elevado ao pastel de belém, garantidamente! Não tem nada a ver com o pedigree, não tem nada a ver com a linhagem genealógica e muito menos com a côr política.

São os maiores!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Menina dos Olhos de Água



Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar
aprendi nos “Esteiros” com Soeiro
aprendi na “Fanga” com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar…
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar

Esta música surgiu-me na cabeça do nada quando ia hoje a caminho do metro para casa. E ainda bem que surgiu, tinha saudades de ouvi-la...

Vale a pena ouvir, e perceber, que numa altura em que o orgulho nacional anda pelas ruas da amargura, que ao contrário do que nos querem sempre querer fazer sentir, o nosso povo é capaz de criar obras tão especiais.

Interpretação de Pedro Barroso, do poema original do grande António Gedeão.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

La décadanse


Alain Chamfort e Mylène Jampanoi - La Décadanse by music-videos

Este é um remake do original de Serge Gainsbourg e Jane Birkin. A estética está irrepreensível e a musica em si parece-me que está bastante mais conseguida do que a original. Serge Gainsbourg (grande maluco) insistia em fazer com que Jane Birkin cantasse uma oitava acima do normal para que parecesse um rapazinho a cantar... o que é um bocado avariado se formos pensar bem. O problema é que ali pelo fim dos anos 60 ele teve um affair com Brigitte Bardot, para quem chegou a escrever algumas músicas, a mais famosa das quais a "Je t'aime moi non plus" que chegou a ser cantada em dueto com Brigitte. Ora consta que ela era alguém de quem não se esquecia facilmente, portanto quando este se apaixona perdidamente por Jane Birkin pouco tempo depois, e quis com ela cantar a música que compôs para Brigitte, fez questão que esta não cantasse da mesma forma. Uns dizem que foi para se vingar da francesa, outros para que não se lembrasse dela...
As suas orelhas de açucareiro, cigarro sempre na boca e olheiras de quem não dormia á meses não impediram que coleccionasse romances com uma quantidade enorme de mulheres lindas, por isso devia de ser dono de um paleio que sim senhor.
Morreu em 1991 de ataque cardíaco, aposto que com uma mão no peito e com outra a segurar no cigarro, e com a "coolness" com que sempre viveu a sua vida.

Apesar de não cantar por aí além, os duetos que foi fazendo em timbre rouco com mulheres bonitas semi vestidas claramente marcaram uma época e caracterizaram um período da história. Apanhei um bocadinho muito curto dos anos 70, mas ainda o suficiente para usar calças á boca de sino, mas não o suficiente para poder ver como era Paris nesta altura. Gosto de pensar que a cidade era como os vídeos do Gainsbourg, com mulheres de cabelo liso de risca ao meio, com vozes roucas sensuais a andar por todo o lado. Não há nada mais sexy que uma mulher bonita a te sussurar "mon amour" ao ouvido, isso é garantido :)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Neveeeeeeeeeee

Parece natal outravêz, olho pela janela da minha sala/quarto e lá fora está tudo branco. Pode soar a parvoíce mas parece que finalmente ao vim de trinta e tal anos consigo viver um dos meus sonhos de infância - o de acordar, olhar lá para fora e ver tudo branco, coberto de neve. Já estive várias vezes em lugares com neve, e com bastante mais neve até - diga-se, mas agora é diferente, é aqui que eu moro! Estou feliz que nem um puto que vai amanhã estrear um trenó novo :)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dois mil e doze

Já passaram 10 dias desde o ultimo de dois mil e onze e achei que não deveria deixar passar este ano sem lhe dedicar um pequeno texto no meu pasquim. Nenhum ano para mim é inócuo, não me lembro de um que tenha passado e que eu tenha achado que não valesse a pena. Vale sempre a pena viver, vale sempre a pena deixar a nossa área de segurança e pisar o desconhecido para ver o que há lá fora. Este ano mais do que nos outros foi propício a sensações. Fiz algumas viagens pela europa, aliás é sempre das viagens que me lembro primeiro quando tento fazer uma retrospectiva a qualquer ano, parece que viajar é uma das coisas que mais sal dá á minha vida, por isso é que me empenho sempre em saír do país e conhecer cidades novas. No ano passado e para muita pena minha não fui ao Brasil, mas em compensação mudei uma vez de país e duas vezes de trabalho. Este ano faço questão de voltar ao Rio de Janeiro pelo menos uma vez, e tenciono mudar de trabalho vez nenhuma. De resto, os objectivos são os do costume, viajar muito, trabalhar a fazer o que sei e gosto, estar muitas mais vezes com quem gosta de mim. Não perder ninguém, juntar mais pessoas á minha lista de gente importante, conseguir sempre voltar á minha terra e estar com a minha família. E se o mundo acabar como agoiram os Maias, concerteza terá valido a pena!

Ás pessoas que me acompanharam pela travessia de 2011 e que tornaram o meu ano especial, o meu muito obrigado e que continuem comigo.



Feliz 2012 a todos, e... muita alegria!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sonhos


Ouvia música abundantemente quando era criança. Durante muitos anos lá em casa os meus pais tiveram um gosto por musica de certa forma apurado, para pessoas humildes que eram, ambos com nada mais do que a 4ª classe e uma vida inteira de trabalho repetitivo e pouco desafiante para a mente. A minha mãe era apaixonada por Julio Iglésias, Paco Bandeira e Carlos Paião. Já o meu pai tinha gostos musicais bastante mais difusos, e normalmente aos sábados de tarde chegava a casa com um novo single do que estava nos tops da altura, o que podia ser uma coisa absolutamente brilhante como o No More Lonely Nights do Paul McCartney ou algo tão reles e estupidificante como o "Umbadá" do Jorge Fernando. Na Rua da Boa Viagem, na baixa do Funchal havia uma "discoteca" que ficava mais ou menos entre a tasca onde o meu pai passava intermináveis horas a beber vinho e a discutir futebol e a paragem de autocarros onde eventualmente haveria algum que nos levaria a casa. Lembro-me de ser uma loja com prateleiras enormes que se estendiam desde o chão até ao tecto, com uma selecção imensa de singles e lp's dos mais variados artistas, e na montra mostravam a capa dos discos que naquele momento estavam mais em voga, que correspondiam normalmente ao que se ouvia lá dentro, num volume bastante generoso. Normalmente a senhora que estava ao balcão aconselhava-nos acerca dos mais recentes hits, e o meu pai que habitualmente não era sensível a impetos consumistas mas que tinha um fraquinho por música, engrossava semana após semana a nossa colecção de discos de vinil lá em casa. Por isso não era estranho que passasse tardes inteiras a trocar os discos de vinil na nossa aparelhagem, quando não estava a passar nada de jeito na RTP-Madeira ou quando me fartava de brincar com os meus carrinhos da Majorette, ou dos meus aviões de papel. Das músicas estrangeiras pouco entendia, gostava da música e da sonoridade das letras, tentava imitar o som das pessoas a falar num estrangeirês improvisado e cantarolava pela casa. No entanto lembro-me do impacto que as musicas do Carlos Paião tinham, e de como me ponham a pensar no meu futuro e no que me estava reservado. Lembro-me especialmente de ouvir os "Versos de Amor", e sonhar com o dia em que ia encontrar alguém que me fizesse viver aquilo que ele falava nas suas canções. Sinto que grande parte dos meus sonhos não só eram inspirados pelas suas letras como também decorriam ao som das suas músicas. Sempre sonhei imenso, e os meus sonhos sempre foram extremamente intensos. Quando era criança ficava feliz com a hora de ir para a cama, porque isso significava que a minha mãe ia me embrulhar num cobertor e me colocar entre os lençois da minha cama que era sempre impecavelmente bem feita (nunca mais na minha vida dormi em lençóis tão suaves e perfumados) e ia sonhar. Podia ser uma coboiada no faroeste, uma aventura numa nave espacial, ou um romance com uma menina imaginária pela qual me apaixonava perdidamente. Todas essas aventuras eram tão estranhamente realistas que quase era mais empolgante estar a dormir do que estar acordado, porque no mundo dos sonhos não tinha as limitações que invariávelmente a realidade me imponha.
Lembro-me de várias raparigas por quem secretamente me apaixonei em criança, e de como nunca tive coragem para fazer nada senão escrever bilhetinhos secretos, oferecer coisas no recreio da escola, secretamente esperar que elas notassem em mim e se apaixonassem, mas era um rapaz franzino e tudo menos alguém popular na escola, por isso até ao meu sexto ano não soube de nenhuma que tivesse sucumbido aos meus encantos, nem mesmo da única vez que cheio de coragem, peguei no dinheiro que a minha mãe me tinha dado para o lanche e fui comprar um lápis á papelaria abaixo da escola para oferecer á Lara, que era a minha paixoneta da escola primária. Como também não tinha grande talento em termos de diálogo com as raparigas, nem me lembro se lhe cheguei a explicar porque é que lhe tinha oferecido uma coisa, se calhar fiquei á espera que percebesse as minhas intenções e caísse nos meus braços. Que aconteceu depois? Bem... nada, acho que ela estava mais interessada nas borrachas de cheiro, nos estojos coloridos e em saltar á corda com as outras meninas do recreio, não tanto em andar de mãos dadas comigo e me mandar corações cor-de-rosa escritos em papelinhos com cheiro a morango. No entanto quando chegava á noite e ia dormir, tinha um sonho recorrente com uma menina imaginária, com quem andava de mãos dadas e passeava pela cidade, sem medo dos rufias da escola e certo que o sentimento era recíproco, e muitas vezes depois, entre os sonhos da Guerra das Estrelas e do Indiana Jones, sonhava com ela novamente. Não me lembro se ela tinha nome, mas sei que quando ia dormir anseava reencontrá-la. Entretanto deixei de sonhar com ela, e eventualmente também que vivia nos filmes do George Lucas, e passei a sonhar mais com a realidade, coisa que digamos já não tem tanta piada... chega a uma altura em que entendes que a vida não é só feita de momentos fantásticos, e os teus sonhos absorvem essa noção, o que para uma pessoa que sonha intensamente por vezes é extremamente doloroso.