sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A angústia do candidato no momento de declarar desonestidade


Se, de facto, Cavaco conseguiu um lucro de 140% com ações que nem sequer estavam cotadas na bolsa, pode ser o homem certo para ocupar o mais alto cargo do País. Basta que gira o orçamento de Portugal como soube gerir o seu. Por azar, Oliveira e Costa está preso, o que impede o País de comprar a uma sociedade gerida por si ações a um euro e vendê-las a 2,4. No espaço de dois anos, seríamos a Noruega da Península Ibérica.

A angústia do candidato no momento de declarar desonestidade, por Ricardo Araújo Pereira

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Acéfalos

São os acéfalos que ganham as eleições.



São estas pessoas que só sabem quais são os candidatos na altura em que vão votar, porque para elegerem a tonalidade de côr mais brilhante, precisam ler até ao fim o boletim de voto.

Os acéfalos não pensam, não tiram conclusões, vão atrás da luz mais luminosa e tal como uma borboleta numa noite sem luar, basta uma qualquer luz mais forte para atraí-la. O candidato mais brilhante vai ser o que vai atraír mais acéfalos a votar nele, e invariávelmente o eleito será o Sr. Silva, não porque é o mais capaz, o mais honesto, o mais idealista, mas porque as pessoas sabem o nome dele, porque as televisões ás vezes mencionam-o e porque ele está lá á muitos anos. O que é que ele fez? Foi bom? Foi mau? Ninguém sabe, mas falam dele nos telejornais... O que é que as televisões disseram? Bem, isso normalmente não se lembra, apanharam no intervalo da novela quando o locutor anunciava um programa de debate chato com uma senhora loira da televisão....

E vai votar? Pergunta o jornalista ao senhor, que por sinal até tem um nome bem politizado.

«Sou capaz», responde, «mas ainda estou indeciso».

Poderia ter sido honesto na sua resposta, a verdade é que é incapaz.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Runaway

Nunca imaginei que algum dia fosse colocar aqui no pasquim alguma coisa do Kanye West - não é gajo que faça musica que chame por mim, no entanto as excepções são para ser utilizadas, e Marco Brambilla, realizador deste vídeo merece-a com todo o mérito.



A musica é assim-assim, nada de especial. A letra é uma desgraça. O video, pelo menos este excerto que forma o videoclip da musica "Runaway" é simplesmente brilhante, a cinematografia, a luz, o controlo do movimento. Era tirar o Kanye West dali e ainda ficava mais bonito.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Primeiro post do ano

Não vou fazer resoluções de ano novo, não vou fazer contas ao ano que passou. Desejo apenas que este próximo ano seja fantástico a todos os níveis, para mim, mas principalmente para as pessoas que amo, para que estejam comigo daqui a 365 dias quando repetir este post, de saúde e felizes, muito felizes.

Um beijo a toda a gente, sejam muito felizes se faz favor.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Estranho país


A Rússia fascinava-me desde criança. Vivi a minha infância nos anos 80 quando a guerra fria ainda estava meia quente, e em que se multiplicavam filmes na televisão que retratavam o herói americano contra o vilão russo. A verdade é que o estereótipo de Hollywood já na altura não era muito aceite deste lado do atlântico, e olhávamos para ambos com um misto de fascínio e descrédito, afinal parece que ignoravam que existia todo um mundo para além dos seus próprios umbigos. Ainda assim, sempre tive a ideia de que na Rússia se teria um bocadinho mais de interesse pelo conhecimento, e que se prezava a aprendizagem de cultura geral acima de tudo, e de facto tinha muito mais curiosidade em relação aos asiáticos em deterimento dos americanos, cuja imagem no mundo só veio a ser enxovalhada desde que Ronald Reagan subiu ao poder e culminando com o desastre absoluto que foi o governo de George W. Bush.

A ideia de um país que conseguia bater o pé aos americanos e ás suas políticas de total desprezo pelo mundo exterior era muito mais atractiva, e por muitas vezes vi-me a ter imensa curiosidade acerca desse país, da sua história recente e antiga, sobre a sua diversidade de línguas, culturas e etnias, sobre a sua disciplina enquanto nação e sobre o seu orgulho num país ao qual chamavam de "Mãe".

Entretanto á algumas semanas atrás finalmente decidi visitar a Rússia, transformando em realidade um sonho que pode-se dizer que vem comigo desde tenra idade, e o sentimento com que fiquei, sinceramente foi de decepção.

Estava á espera de um país com uma civilização bastante mais evoluída, disciplinada, eficiente, afinal milhares de anos de história, uma cultura riquíssima só poderia conduzir a isso, mas o que encontrei foi um povo na sua esmagadora maioria, extremamente antipático - a roçar o agressivo por vezes, desorganizado, minado pela desigualdade social e pela corrupção, e totalmente intolerante, quer para consigo próprio quer para com os estrangeiros.

Visitar a Rússia é uma tarefa que requer muito sangue frio e muita persistência, a começar pelo processo do visto. Obter um visto de entrada no país, não é bem como visitar o Brasil, ou os Estados Unidos, ou qualquer outro país dito normal. Não existem vistos "implícitos" á entrada no país, é necessário ter tudo preparado com antecedência, e ter um visto já emitido pela embaixada Russa em Portugal, coisa que também não é fácil. Acho que o conceito de turismo é algo que ainda lhes transcende, a ideia de que um estrangeiro queira abandonar o seu país e visitar a Rússia parece que lhes causa estupefacção, não por a Rússia não ser um país visitável - antes pelo contrário, têm um orgulho desmesurado no seu país - mas porque não vêm porque é que têm que tolerar estrangeiros a lhes invadir o espaço a visitar minuciosamente a sua terra e a tirar fotos a tudo.
Para visitar a Rússia não basta ter vontade, é necessário um convite para justificar o visto, um convite de uma entidade russa "idónea" que genuinamente expresse a sua vontade em receber o estrangeiro no país (por uma não tão pequena soma em rublos, é claro). Então, tendo todos os documentos necessários, o próximo desafio é conseguir chegar á embaixada e tentar dar início ao processo.
Chegado á embaixada russa, deparei-me com um pequeno aglomerado de gente á porta. Não havia filas, a ideia que fica é que a ultima pessoa que chega decora quem é que estava primeiro, e assim respeita-se uma ordem de chegada. Perguntar a um russo presente como é o funcionamento da "coisa" é totalmente indiferente - os que lhe responderem, vão dizer com um sotaque muito próprio "não falo português" e todos vão olhar-te com cara de desprezo. Pensas que é normal, fila para consulado é desagradável em todas as partes do mundo, é uma daquelas verdades absolutas, como a de todos os taxistas de aeroporto serem vigaristas. Sem respostas possíveis, e com as portas todas fechadas, só me restou esperar um pouco a ver o que acontecia, e então, passados poucos minutos apareceu um segurança á porta com ar de não russo (mas ainda assim austero e distante), ao qual rápidamente me dirigi a perguntar como é que funcionava aquilo, e então ao perceber que eu não era russo imediatamente desagravou um pouco o ar carregado que trazia de dentro e disse que já me chamava, e fê-lo. Lá dentro bastava enfrentar o funcionário da embaixada que me atendeu do outro lado de um guichêt de vidro grosso, sem qualquer abertura para comunicação que era assegurada por um intercomunicador antiquado que ligava-se quando ele carregava num botão.
A primeira coisa a reparar é que os protocolos de comunicação (e de boa educação) ocidentais não se aplicam ali. A um "bom dia" tradicional quando se inicia uma conversação mais ou menos formal, nada é respondido, apenas uma cara tão ou mais gravosa do que á segundos atrás, como se tivesse acabado de dizer um disparate.

- Era para pedir o visto de turismo para a Rússia.
- Documentos! (Disse o burocrata em tom autoritário)

Rapidamente entreguei os documentos todos, não fosse ele desistir de me dar o visto por demorar mais do que 10 segundos (afinal a fila de gente para pedir vistos contabilizava exactamente zero pessoas).
Só existem dois prazos para emissões de visto, o normal de 10 dias que custa 35 euros e o urgente de 48h que custa 70 - nem mais nem menos, e a embaixada está fechada ás tardes, ás terças-feiras, aos feriados portugueses, aos feriados russos, ás cimeiras da nato, e a todas as alturas que manifestamente não lhes dê muito jeito estar ali. Então, a não ser que se trate da coisa com muita antecedência, o provável é ter que se pagar o dobro do que seria normal.
Pagar: eis uma particularidade digna de um sketch do gato fedorento. Não se aceita dinheiro como forma de pagamento na embaixada (?!), apenas multibanco. Mas se o cidadão "optar" por pagar por multibanco, terá que lhe ser cobrado uma taxa extra de cerca de 1% do valor... É normal aparecerem cidadãos russos, que não dispôem de cartão multibanco português a pedirem a outros que lhes paguem valores em troca de dinheiro.
Dois dias depois (na verdade não são 48 horas, porque com feriados russos e portuguêses e fins de semana, 48 horas podem facilmente se traduzir em 6 dias) fui lá buscar o tão almejado passaporte com o visto lá colado, papel que custou os olhos da cara e está escrito em cirílico, mas que garante que não és expulso da russia no momento em que chegares ao aeroporto.
Todo este processo aqui resumido, demorou-me mais ou menos duas semanas, entre quatro idas á embaixada russa, com vários olhares agressivos e com várias perguntas não respondidas devia-me ter preparado para a realidade do país para onde me preparava para ir...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Desejo para 2011


Um dos meus desejos para 2011 era que esta quadrilha fosse presa, ou se demitisse, ou genéricamente desaparecesse e deixasse de destruir o meu país. Será que vai acontecer?

(Faltam muitos crominhos nessa fotografia, mas foram os primeiros de que me lembrei. Se fosse colocar aqui a foto de todos os vigaristas da nossa praça, não tinha mais espaço no meu blogue)

Bela campanha



Bela campanha, para uma cidade maravilhosa, que tem um espaço especial no meu coração e deixa sempre saudades.