terça-feira, 27 de julho de 2010

Formula 1

"Yepieeeee!!! Papá me compró este trofeo"
Este fim de semana percebi o porquê de não assistir a uma corrida de formula 1 á uns bons 15 anos - aquilo tem mais batota que as corridas de bicicletas.
Então ia o Filipe Massa quase a cortar a meta em primeiro quando o team manager da ferrari diz-lhe por rádio para encostar e deixar o espanhol ganhar... Wuhuuu, grande vitória para o Alonso, sim senhor, muito bem! clap! clap!

Esqueceu-se a equipa italiana de que este grande prémio da alemanha era o primeiro em que as transmissões de rádio eram abertamente disponíveis para as televisões, e durante algum tempo tentaram manter a farsa dizendo que o brasileiro enganou-se e meteu 3 marchas seguidas, e o Alonso aproveitou... Pena para eles que milhões de telespectadores á volta do mundo ouviram exactamente, palavra a palavra o que Alonso se queixou ao chefinho (que Felipe Massa não o deixava passar) e como o chefinho Rob Smedley disse ao Massa para esquecer a corrida.

Quando perceberam a porcaria que tinham feito, em vez de fazer um mea culpa e assumir alguma coisa da trapalhada que tinham feito, acusaram os que lhes apontaram o dedo de hipocrisia, de que combinar resultados entre equipas (apesar de ser abertamente contra as leis da competição, e do ponto de vista desportivo... ridículo) é uma coisa que sempre existiu na F1 e que sempre existirá... bom saber disso!

Querem hipocrisia? E que tal andarem sozinhos nas pistas, sem publico sem nada? Ia ser porreiro, tipo amigos a se juntarem para umas corriditas de fim de semana, em que se queima muito pneu e se torra muito dinheiro.

É interessante saber que no que toca a ganhar, na Formula 1 não se olham a meios para atingir os fins. É uma questão de tempo até o castelo ruir. Por mim, prefiro ver o nosso campeonatozinho da treta onde se compram árbitros com err... fruta. É mais honesto assim.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A verdade acerca dos cursos universitários


Do meu, pelo menos...

Mulheres

Sou um profundo admirador de mulheres.

Bela forma de começar um post, hein? O estimado leitor deve estar agora a pensar "hummm, rebarbado!!!, deves mandar poucos bitaites as moças que passam na rua!" mas não senhor, não sou desse estilo.

A verdade é que sempre cresci em torno de mulheres, e são elas a grande maioria das meus exemplos de vida. A minha mãe era a pessoa mais forte do mundo, e não havia nada que nos acontecesse enquanto ela estivesse por perto, por mais cobarde que fosse o marido, por mais ruim que fosse o emprego, por mais negra que parecesse a vida. Conseguiu criar dois filhos, aturar um marido, gerir uma família, resistir a uma doença, e sempre com um sorriso nos lábios. A minha mãe é a minha heroína e sempre há de ser, não há volta a dar.
Outra inegável verdade é que também todos os modelos masculinos da minha infância eram uma cambada de preguiçosos imprestáveis e ignorantes, á excepção do meu querido avô materno, que mesmo sendo a excelente pessoa que era (e eu adorava-o e vou sentir para sempre a sua falta) não deixava de ser um cobarde que em vez de enfrentar os seus problemas recorria mais vezes do que devia ao copo de vinho.
Nenhuma mulher da minha família algum dia foi de virar a cara á luta, trabalhava de sol a sol para poder dar conforto aos seus filhos, e agradecia a Deus por mais um dia em que eles tivessem saúde. Em todas as ocasiões o excesso de trabalho, a dedicação aos outros significou um detrimento irremediável dos seus próprios objectivos pessoais, mas sempre em favor de valores mais altos, e orgulho-me de dizê-lo, que em tantas ocasiões, eu fui um dos valores mais altos, e isso me alegra profundamente.

Devo ás mulheres da minha família materna a minha educação e todos os principios em que acredito e pelos quais me rejo.

A esmagadora maioria das minhas melhores amizades são mulheres, e muitas vezes ponho-me a pensar no porquê disso - porque se calhar a parte do corpo na qual eu prefiro que me toquem é o cérebro, e porque verdadeiras amizades, tal como verdadeiros amores, só existem quando há uma boa dose de admiração pela outra pessoa.

Tenho a honra de ter na minha vida imensas mulheres que todos os dias me enriquecem mais um bocadinho, com a sua nobreza, com a sua coragem, com a sua sensibilidade e com o seu carinho. Gente que não vira as costas á luta e que não se deixa ir abaixo perante as maiores adversidades, sejam ela quaisquer que sejam - e encontram todos os dias uma razão para se levantarem da cama, porem-se bonitas e enfrentarem a vida de frente.

"Não peço por um fardo menos pesado, mas sim por ombros mais largos"



Esta é uma das minhas musicas preferidas, recuperada da minha memória e quase esquecida durante anos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

¡¡¡Campeones, campeones!!!

Os espanhóis são como aqueles nossos vizinhos chatos que estão sempre a fazer barulho no prédio, que não nos deixam dormir quando temos que acordar cedo no outro dia e que muitas vezes não nos apetece deixar a porta do elevador para que subam connosco. Ainda assim, volta e meia vêm nos convidar para a festa ou dão-nos um bocadinho de bolo de aniversário. A verdade é que são e vão ser sempre nossos vizinhos e vamos ter que gramar com eles quer queiramos quer não.

Por isso, é de bom vizinho dar os parabéns por um feito histórico notável. São campeões do mundo e têm muito mérito nisso.

Parabéns a la roja!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Já fomos...

Perder contra os espanhóis nunca é bom, é algo que está enraizado na nossa cultura quase milenar. Os miras já andam á quase 900 anos a querer tomar conta cá do burgo e isso parecendo que não, torna-se desagradável.

Facto é que, eu sou madeirense, e como tal para mim um espanhol é apenas mais um estrangeiro, aliás acho que a primeira vez que vi um foi quando um guarda fronteiriço espanhol deixou-me por o pé em terras espanholas apesar de não ter passaporte, aos 11 anos, daí que também não faz muito sentido eu andar a embirrar com eles. É um povo bacano e o facto de eles nos ignorarem na maior parte do tempo tem mais a ver com a nossa mania de inferioridade do que com qualquer outra coisa.

No entanto, não me agrada especialmente perder no futebol contra nuestros hermanos, mesmo sabendo que eles jogaram melhor e portanto mereceram, e que a nossa equipa consistiu de 9 imbecis e 2 jogadores da bola, com um acéfalo a gerir a estratégia.
Continuando, lamento mas não vou torçer por "la roja". Por fortuna do destino devem conseguir chegar ás meias finais, já que o Paraguai, o anexo pobre do Brasil é demasiado suave para a equipa espanhola, mas estou certo que num dia normal nunca conseguirão eliminar uma Argentina ou uma Alemanha. No entanto espero que os espanhóis percam já com o Paraguai, já chega de ter que aturar aquele ego hiper-inflado desde que ganharam a porcaria do campeonato da europa á 2 anos atrás. Ah, e se não for pedir muito, que percam com um auto-golo desse capdevila... melhor, dois auto-golos!

Uma palavra final em relação ao palhaço do juan capdevila: jogadores destes não fazem falta nem bem nenhum ao futebol, que é um jogo bonito. A Espanha ia ganhar na mesma, e com mais mérito, por isso mais do que manchar o jogo em si, manchou a virtude da sua própria equipa. Não vai ser por causa disto que o Ricardo Costa sairá do mundial com mais ou menos mérito, mas este jogo vai ser lembrado por ter sido o jogo em que perdemos com a Espanha, em que o queiroz foi cobarde mais uma vez, e em que o capdevila atirou-se para o chão feito puto birrento com lágrimas de crocodilo. Os espanhóis estão se a cagar para isso, eu sei, e pouca moral têm os portugueses para apontar isto quando foi o próprio Cristiano Ronaldo que á 4 anos numa total imbecilidade fez com que o Rooney fosse expulso num jogo contra a Inglaterra... no entanto eu ainda me lembro desse jogo, que ficou tão marcado pela vitória portuguesa como pela falta de fairplay do meu conterrâneo, e desse carimbo ele nunca mais se livra.
Para o restante campeonato, a minha aposta vai claramente, e por motivos emocionais para a selecção canarinha, que espere que chegue á final e que despache os argentinos (que jogam que se fartam, diga-se de passagem). Eu sei o quanto é importante o futebol e o campeonato do mundo naquelas paragens, e muito francamente acho que aquele povo merece essa alegria. Já fui tirar da gaveta a camisola da selecção brasileira, que guardo ao lado da do meu glorioso. Força Brasil!!

PS: Alguém me arranja uma camisola da Argentina? São giras que se fartam! :)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Família



Á muitos anos atrás, esta música fazia-me sonhar, a olhar á noite pela janela. Isto foi mais ou menos na mesma altura que o meu irmão nascia. Hoje ele faz 22 anos. Por alguma razão lembrei-me desta música e deste filme hoje... se calhar porque estou sozinho e porque sinto falta da minha família, de nós 4.

Um grande abraço, fazes de mim um irmão muito orgulhoso. Não vou poder estar hoje contigo, mas em 3 semanas vamos comemorar isso ;)

Quem não viu, o filme é "An american tail" e é das obras mais raras e mais bonitas que já se fizeram. Vejam, vale a pena.

domingo, 20 de junho de 2010

Brasil

Amo a nação verde-e-amarela, e vou para lá sempre que posso. As pessoas têm algo no Brasil que falta em quantidades astronómicas ao nosso povinho cá plantado do lado errado do atlântico - calor humano e alegria de viver.

Concerteza que há desvantagens, certo, senão não voltaria tantas vezes para cá. Há uma insegurança tremenda em qualquer cidade brasileira de tamanho respeitável e há uma enorme falta de civismo latente numa grande faixa de população, ousava dizer a maior parte dela. Os sucessivos governos que têm passado por Brasília fazem por manter o status quo - uma população ignorante não levanta ondas, faz o que lhe manda e não se chateia muito pela cleptocracia geral em que se tornou o poder político tanto federal como estatal. Qualquer cidade no brasil é um misto de pobreza extrema e luxo abundante, e uma serve-se da outra numa simbiose perfeita, que tornará o país perfeito (ou absolutamente miserável) quando se fundir num só. A nação das favelas está ao serviço da nação dos condomínios luxosos, que andam de mãos dadas um com o outro. Os ricos precisam forçosamente dos pobres para manterem o seu estilo de vida, com mão de obra barata e salários altíssimos que lhes permitem ter um nível de vida que um europeu normal nem sonha. Os pobres precisam dos ricos para o seu sustento diário, porque sem instrução nem ambição, nunca na vida vão chegar a algum lado que não seja a mera subserviência ao seu patrão. Ambos os mundos distanciam-se um do outro apesar de inerentemente estarem ligados como gémeos siameses, e não conseguirem viver um sem o outro.

De modo a que qualquer terrinha com o seu bairro chique tem o seu inverso que é a sua favela que lhe serve, e qualquer cientista natural explica fácilmente que toda a lei do mundo tende ao equilíbrio, e mais dia menos dia acredito que é aí que se chegará, a um equilíbrio do sucesso ou no falhanço, esperemos que no primeiro.

Mas como dizem muitos amigos meus cariocas, se não fosse a insegurança, o Rio de Janeiro era o lugar perfeito para morar - era concerteza, mas aí Lisboa teria um problema grave,  pois perderia todo o sentido morar nela.

Voltando ao assunto inicial, o Brasil é meio que a minha pátria adoptiva, se calhar não tanto por eu amar esse país, mas por esse país me amar. Sinto-me mais em casa lá do que na minha terra, e posso dizer com toda a certeza que nunca fui tão bem acolhido em nenhum outro país. Possuindo pouco ou muito toda a gente faz o seu melhor para me receber, e um colchão no chão de uma casa, seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Teresópolis ou em Búzios torna-se no lugar mais confortável para se dormir. Sinto genuínamente que sou benvindo em todos os lugares para onde fico, e quando vou embora, o "volte quando quiser" significa exactamente isso.

No Brasil eu sinto uma alegria de viver por todo o lado, é um país fervilhante de alegria e de vida, algo que muitas vezes falta ao nosso anafado e cinzento Portugal.

Para os meus amigos do outro lado do atlântico, e em especial para os meus queridos anfitriões em Búzios, confessos leitores do meu pasquim, deixo um grande abraço, e a promessa de voltar ao vosso país sempre que puder.