Amo a nação verde-e-amarela, e vou para lá sempre que posso. As pessoas têm algo no Brasil que falta em quantidades astronómicas ao nosso povinho cá plantado do lado errado do atlântico - calor humano e alegria de viver.
Concerteza que há desvantagens, certo, senão não voltaria tantas vezes para cá. Há uma insegurança tremenda em qualquer cidade brasileira de tamanho respeitável e há uma enorme falta de civismo latente numa grande faixa de população, ousava dizer a maior parte dela. Os sucessivos governos que têm passado por Brasília fazem por manter o status quo - uma população ignorante não levanta ondas, faz o que lhe manda e não se chateia muito pela cleptocracia geral em que se tornou o poder político tanto federal como estatal. Qualquer cidade no brasil é um misto de pobreza extrema e luxo abundante, e uma serve-se da outra numa simbiose perfeita, que tornará o país perfeito (ou absolutamente miserável) quando se fundir num só. A nação das favelas está ao serviço da nação dos condomínios luxosos, que andam de mãos dadas um com o outro. Os ricos precisam forçosamente dos pobres para manterem o seu estilo de vida, com mão de obra barata e salários altíssimos que lhes permitem ter um nível de vida que um europeu normal nem sonha. Os pobres precisam dos ricos para o seu sustento diário, porque sem instrução nem ambição, nunca na vida vão chegar a algum lado que não seja a mera subserviência ao seu patrão. Ambos os mundos distanciam-se um do outro apesar de inerentemente estarem ligados como gémeos siameses, e não conseguirem viver um sem o outro.
De modo a que qualquer terrinha com o seu bairro chique tem o seu inverso que é a sua favela que lhe serve, e qualquer cientista natural explica fácilmente que toda a lei do mundo tende ao equilíbrio, e mais dia menos dia acredito que é aí que se chegará, a um equilíbrio do sucesso ou no falhanço, esperemos que no primeiro.
Mas como dizem muitos amigos meus cariocas, se não fosse a insegurança, o Rio de Janeiro era o lugar perfeito para morar - era concerteza, mas aí Lisboa teria um problema grave, pois perderia todo o sentido morar nela.
Voltando ao assunto inicial, o Brasil é meio que a minha pátria adoptiva, se calhar não tanto por eu amar esse país, mas por esse país me amar. Sinto-me mais em casa lá do que na minha terra, e posso dizer com toda a certeza que nunca fui tão bem acolhido em nenhum outro país. Possuindo pouco ou muito toda a gente faz o seu melhor para me receber, e um colchão no chão de uma casa, seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Teresópolis ou em Búzios torna-se no lugar mais confortável para se dormir. Sinto genuínamente que sou benvindo em todos os lugares para onde fico, e quando vou embora, o "volte quando quiser" significa exactamente isso.
No Brasil eu sinto uma alegria de viver por todo o lado, é um país fervilhante de alegria e de vida, algo que muitas vezes falta ao nosso anafado e cinzento Portugal.
Para os meus amigos do outro lado do atlântico, e em especial para os meus queridos anfitriões em Búzios, confessos leitores do meu pasquim, deixo um grande abraço, e a promessa de voltar ao vosso país sempre que puder.
domingo, 20 de junho de 2010
De volta
Regresso ao activo ao fim de umas semanas de férias lá longe, de alguma forma retemperado, de outra forma extenuado. Férias sabem sempre a pouco, mas é bom voltar para exercer uma profissão que se ama, e eu nesse capítulo confesso que não me vejo a fazer outra coisa. Adoro os desafios que a minha profissão me proporciona e não a trocava. Certo que muitas vezes peca por ser algo monótona, por não ser exactamente aquele brainstorming diário que eu sempre achei que deveria ser, nos anos que antecederam a minha entrada na universidade. Sempre achei que a universidade me iria permitir investigar e desenvolver novos métodos, novas tecnologias... pensei de facto, como todo o adolescente que quando crescesse ia mudar o mundo. Afinal acho que o mundo não quer ser mudado, e se calhar também não é assim tão mau para que seja alterado, e eu... confesso: não tenho força para isso.
Durante muito algum tempo achei que iria seguir uma carreira na aviação, o mundo dos aviões fascináva-me verdadeiramente, mas quando chegou a hora da verdade optei por seguir o destino da informática. Já tinha tomado a minha decisão á algum tempo, não foi própriamente tomada a atirar uma moeda ao ar. O desafio mental de criar processos com linguágens de computador era algo que me apaixonava mais do que conduzir aparelhos gigantes e com asas. Muitas vezes dou por mim a pensar no que teria sido diferente se seguisse essa outra carreira... concerteza não estaria hoje aqui á frente deste computador a escrever este post. Será que teria um blog sequer? Seria uma pessoa mais feliz? Mais solitária? Mais triste?... não sei - aliás, nunca vou saber, mas é um exercício mental interessante imaginar como poderia ter sido.
Este era para ser um post sobre o José Saramago que morreu no outro dia, mas acabei por divagar. Também pensei em não colocar pontuação no post em homenágem ao homem, no entanto achei que não o deveria... não consigo, os pontos dão me jeito, confesso.
Não concordava com a maior parte dos pontos de vista do homem, políticos ou não. Muitas vezes vinha lá castelo nas ilhas canárias, localizado no alto do seu enorme ego, mandar postas de pescada sobre o país que tinha abandonado. Acho que lá no meu amago sempre achei que trocar-nos por "nuestros hermanos" era um pequeno acto de traição e nunca dei muita importância ao que o homem dizia. Defendia com teimosia aquilo em que acreditava, era um homem de princípios - e não tinha medo de os afirmar. Por isso, ainda que não concordando com ele, tiro-lhe o chapéu.
Não conheço a sua obra, sou algo avesso a livros, confesso. Sei reconhecer a importância social que teve durante a revolução de 74 e nos anos que se sucederam, e sei reconhecer também a visibilidade mundial que deu ao nosso pequeno país com a sua enorme obra. É bom para o ego colectivo, volta e meia ser mencionado na imprensa estrangeira por algo que não é mau.
Outra pessoa que desapareceu por estes dias foi Maria Aurora. O meu público não-madeirense não fará certamente ideia de quem seja, mas era uma senhora que tinha um programa de televisão na RTP-Madeira, já desde á muitos anos. Chamava-se "Letra dura e arte fina" e era chato como o caraças, principalmente porque interrompia as séries giras de sábado á tarde com coisas "culturais". Na altura não havia playstations ou computadores, e durante muito tempo não tinha bicicleta nem amigos para brincar perto de casa, pelo que tinha que voltar aos meus legos para algum entertenimento de qualidade. Não via o programa dela na altura, nem algum dia o cheguei a ver. Corro o risco de ser chamado hipócrita por mencionar a sua morte aqui no pasquim, mas reconheço-a como uma pessoa bem disposta que me habituei a reconhecer na TV e pelas ruas da minha cidade. O seu trabalho, apesar de não captar a minha atenção, tinha o seu valor reconhecido por milhares de madeirenses espalhados pelo mundo que religiosamente viam os seus programas, e ajudava sem qualquer dúvida a espalhar conhecimento por esse mundo fora sobre a nossa terra. Era também escritora, jornalista e poetisa, e apesar de nascida no continente - uma madeirense de coração. Não há como não homenagear alguém que ama a sua terra e fala dela de forma tão apaixonada - Maria Aurora era assim, e a ela curvo-me respeitosamente.
Durante muito algum tempo achei que iria seguir uma carreira na aviação, o mundo dos aviões fascináva-me verdadeiramente, mas quando chegou a hora da verdade optei por seguir o destino da informática. Já tinha tomado a minha decisão á algum tempo, não foi própriamente tomada a atirar uma moeda ao ar. O desafio mental de criar processos com linguágens de computador era algo que me apaixonava mais do que conduzir aparelhos gigantes e com asas. Muitas vezes dou por mim a pensar no que teria sido diferente se seguisse essa outra carreira... concerteza não estaria hoje aqui á frente deste computador a escrever este post. Será que teria um blog sequer? Seria uma pessoa mais feliz? Mais solitária? Mais triste?... não sei - aliás, nunca vou saber, mas é um exercício mental interessante imaginar como poderia ter sido.
Este era para ser um post sobre o José Saramago que morreu no outro dia, mas acabei por divagar. Também pensei em não colocar pontuação no post em homenágem ao homem, no entanto achei que não o deveria... não consigo, os pontos dão me jeito, confesso.
Não concordava com a maior parte dos pontos de vista do homem, políticos ou não. Muitas vezes vinha lá castelo nas ilhas canárias, localizado no alto do seu enorme ego, mandar postas de pescada sobre o país que tinha abandonado. Acho que lá no meu amago sempre achei que trocar-nos por "nuestros hermanos" era um pequeno acto de traição e nunca dei muita importância ao que o homem dizia. Defendia com teimosia aquilo em que acreditava, era um homem de princípios - e não tinha medo de os afirmar. Por isso, ainda que não concordando com ele, tiro-lhe o chapéu.
Não conheço a sua obra, sou algo avesso a livros, confesso. Sei reconhecer a importância social que teve durante a revolução de 74 e nos anos que se sucederam, e sei reconhecer também a visibilidade mundial que deu ao nosso pequeno país com a sua enorme obra. É bom para o ego colectivo, volta e meia ser mencionado na imprensa estrangeira por algo que não é mau.
Outra pessoa que desapareceu por estes dias foi Maria Aurora. O meu público não-madeirense não fará certamente ideia de quem seja, mas era uma senhora que tinha um programa de televisão na RTP-Madeira, já desde á muitos anos. Chamava-se "Letra dura e arte fina" e era chato como o caraças, principalmente porque interrompia as séries giras de sábado á tarde com coisas "culturais". Na altura não havia playstations ou computadores, e durante muito tempo não tinha bicicleta nem amigos para brincar perto de casa, pelo que tinha que voltar aos meus legos para algum entertenimento de qualidade. Não via o programa dela na altura, nem algum dia o cheguei a ver. Corro o risco de ser chamado hipócrita por mencionar a sua morte aqui no pasquim, mas reconheço-a como uma pessoa bem disposta que me habituei a reconhecer na TV e pelas ruas da minha cidade. O seu trabalho, apesar de não captar a minha atenção, tinha o seu valor reconhecido por milhares de madeirenses espalhados pelo mundo que religiosamente viam os seus programas, e ajudava sem qualquer dúvida a espalhar conhecimento por esse mundo fora sobre a nossa terra. Era também escritora, jornalista e poetisa, e apesar de nascida no continente - uma madeirense de coração. Não há como não homenagear alguém que ama a sua terra e fala dela de forma tão apaixonada - Maria Aurora era assim, e a ela curvo-me respeitosamente.
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
All packed
Uma fina selecção de roupa enfiada á pressa para dentro de uma mala junto com um conjunto de outras coisas que poderão ou não dar jeito a um gajo. Estou pronto para atravessar mais um oceano. Agora bora dormir um bocadito :)
Boas férias para mim!
Boas férias para mim!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Oh porra...
Uma e cinquenta da manhã... belo momento para a máquina de lavar dar o berro...
Já aceitei a empreitada de arranjar da dita-cuja. Não há de ser muito complicado, já arranjei coisas mais complexas.
Actualização:
Tive que deixar a ferramenta e ir para a cama por falta de material (e excesso de sono). Como a cama é boa conselheira, acordei e voltei á labuta. consegui identificar a peça prevaricadora e arranjá-la. O que era? Uma reles moeda de 10 cêntimos presa na bomba de escoamento.
Sucesso!!:)
Já aceitei a empreitada de arranjar da dita-cuja. Não há de ser muito complicado, já arranjei coisas mais complexas.
Actualização:
Tive que deixar a ferramenta e ir para a cama por falta de material (e excesso de sono). Como a cama é boa conselheira, acordei e voltei á labuta. consegui identificar a peça prevaricadora e arranjá-la. O que era? Uma reles moeda de 10 cêntimos presa na bomba de escoamento.Sucesso!!:)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O mundo é pequeno
Hoje foi a minha terceira tentativa para tentar ser atendido por um médico no centro de saúde. Das últimas duas os médicos não apareceram, por isso tive que voltar a tentar, mas desta foi de vez, consegui.
Por sorte fui atendido por um médico madeirense, que por coincidência vim a descobrir que era pai de dois amigos meus de escola, com quem não falo á quase 20 anos. Já estive várias vezes na casa do homem, e só agora é que o vim a conhecer, passado tanto tempo.
Fez questão de telefonar para um dos filhos e colocar-me ao telefone. Tem a mesma idade do que eu, teve uma filha por estes dias, fiquei a saber.
O mundo é mesmo pequeno
Por sorte fui atendido por um médico madeirense, que por coincidência vim a descobrir que era pai de dois amigos meus de escola, com quem não falo á quase 20 anos. Já estive várias vezes na casa do homem, e só agora é que o vim a conhecer, passado tanto tempo.
Fez questão de telefonar para um dos filhos e colocar-me ao telefone. Tem a mesma idade do que eu, teve uma filha por estes dias, fiquei a saber.
O mundo é mesmo pequeno
Saudades
Nestes dias dou por mim a pensar na vida. Sei que é cliché, o acto de pensar na vida... se calhar não. Passamos a maior parte da vida sem nunca na verdade pensar nela. Ouvimos uma musica bonita e lembramos um momento, cheiramos algo na rua e lembramo-nos de um lugar, vemos alguém a dançar e lembramo-nos de uma pessoa. Não sei se o facto de passarmos a maior parte do tempo num estado de letargia faz com que estes momentos sejam mais especiais, se por outro lado passamos a vida num modo de piloto automático por sabermos de facto que estes momentos são tão efémeros que nunca são nossos, são nos emprestados. Passam pela nossa vida para que nos possamos lembrar deles mais tarde. Todos os dias existem milagres que nos saltam á frente mas que nem damos por nada, continuando as nossas vidinhas numa eterna monotonia. Mas a monotonia é uma dádiva se conseguirmo-nos com ela nos abstrairmos da agonia do vazio. O quotidiano serve para equilibrar a mente, serve como contraposto á agonia de deitarmo-nos na cama e ter que pensar. Por outro lado, acordar e ver o sol é como uma forma de o mundo nos dizer que as coisas não são tão más - estás vivo para mais um e vais cá estar para muitos mais.
Faltam-me pessoas, tantas pessoas que passaram pela minha vida, fizeram e vão sempre fazer parte dela. Agonio por pensar que não posso ter toda a gente aqui comigo, agonio por pensar que alguns nem posso ter por perto sequer... e é isso que me enche a alma - pessoas. É isso que me dá razões para viver... no entanto, tal como um cruel agente do destino, há sempre aquela parte de mim que me faz sempre lembrar do quanto sou efémero e de como todos os que me são especiais o são também. Viver com esta certeza de que as pessoas são efémeras agonia-me e revolta-me. Não quero, não aceito. Tenho aquele sentimento sempre presente que vou perdê-los, não quero.
Beleza
Ás vezes, no stress do quotidiano de uma grande cidade, vale a pena parar para observar pequenas maravilhas que brotam por todos os lados sem nos darmos conta. Hoje depois de estacionar o carro e enquanto caminhava para o metro, deparei-me com um cheiro maravilhoso que emanava de qualquer lado. Segui o cheiro e encontrei esta pequena árvore lindíssima.
A meio de grafitis, trânsito, buzinas e lisboetas antipáticos, qualquer coisa de bonito no meu dia.
A meio de grafitis, trânsito, buzinas e lisboetas antipáticos, qualquer coisa de bonito no meu dia.
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