quarta-feira, 21 de março de 2012

As montanhas de Margalla

Numa manhã de julho de 2010 perto de Islamabad no Paquistão, o comandante Pervez Iqbal Chaudhary voava um Airbus A-321. O avião, uma autêntica maravilha tecnológica que quase se voa sozinho estava em perfeitas condições de funcionamento e tinha sido inspecçionado á pouco tempo. O tempo estava difícil é verdade, a visibilidade baixa e chuva abundante devido á época das monções, mas nada que teoricamente pudesse trazer excepcionais dificuldades ao veterano comandante de 61 anos e com 25497 horas de experiência.
Ao seu lado estava Muntajib Ahmed de 34 anos, antigo piloto de caças F-16 pela força aérea paquistanesa e com um total de 1837 horas de voo.
Nos ultimos 25 minutos do voo, o computador de bordo soou o alarme por 21 vezes durante 70 segundos seguidos e o o co-piloto alertou constantemente o seu superior hierárquico para o perigo que constituia a sua trajectoria e altitude. Apesar da óbvia situação de perigo, e do facto de os alertas sonoros serem insistentes e estridentes, o co-piloto não tomou nenhuma acção para corrigir a trajectória do aparelho e este despenhou-se nas montanhas de Margalla, apenas a 10 milhas nauticas do aeroporto onde deveria aterrar.
Morreu toda a tripulação juntamente com 146 passageiros.

Como é que um piloto experiente, aparentemente com saúde e com todos os alertas visuais e sonoros consegue mandar um avião em perfeito estado de funcionamento contra uma montanha? Ninguém sabe.
Como é que um co-piloto ao ver-se deparado com uma situação tão grave e perigosa para si próprio decide não tomar nenhuma acção e apenas vigorosamente avisar o seu superior de que assim iam todos morrer? Ninguém diz.

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Entretanto em Março de 2012, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho de 47 anos conduz Portugal. Com apenas alguns meses de experiência tenta levar o país pela turbulência de um clima económico tenebroso, e está convencido que a coisa só vai lá com medidas de austeridade implacáveis. Á frente dele, á quase 2 anos estava a Grécia que entretanto já se estampou.
Toda a gente avisou os dirigentes gregos do fim que se aproximava de seguissem naquele rumo no entanto na sua cegueira inexplicável conduziram o país para o precepício, destruiram o trabalho de milhões, deixaram caír na pobreza uma imensa parte dos seus cidadãos.
Nós já tivemos o exemplo grego, já sabemos futuro o destino nos reserva ao seguirmos pelo mesmo caminho, ainda assim teimosamente insistem em nos levar por aí. Apesar das vozes que se levantam, dos alertas insistentes da comunidade internacional (pelo menos daquela que não está ao serviço dos banqueiros e dos grandes grupos económicos e não tem tanto a ganhar com a falência dos estados) não há rigorosamente ninguém que tome consciência da gravidade da situação, pegue nos comandos e nos leve para uma rota segura.

A diferênça entre a situação de Portugal e a tragédia do voo Airblue 202 é para além do facto da ultima já se ter consumado e a primeira estar apenas em rota de colisão, é o facto de agora quem comanda tem para-quedas de ouro que lhes permite saltar do avião sempre que quiserem e ir para Paris fazer pós-graduações com o resultado do espólio saqueado. Ou isso ou seguir para administradores de empresas de obras públicas ou grupos bancários. Aconteça o que acontecer, a quem está ao leme agora nunca vai acontecer nada, por isso é mais ou menos como jogar poker com dinheiro de brincar, o risco é zero.

Os portugueses, já não conhecidos assim tanto pelo futebol ou pelo fado, mas admirados pela sua extraordinária falta de memória por elegerem políticos comprovadamente vigaristas para cargos de topo nunca lhes vão fazer nada.
A justiça, conhecida por ser concubina do poder político, nunca vai descer do seu pedestal para auxiliar os cidadãos, vai estar entretida na sua luta sectarista por poder, vai estar embrenhada no seu próprio hiper ego que não vai nunca perceber o que se está a passar. Também eles têm um cartão "Saia da cadeia gratuitamente, passe pela casa de partida e receba dois contos".
De Bruxelas não se espera nada, está lá um dos que nos apunhalou no passado. Não foi para Paris estudar filosofia porque tinha um talento extremo para agradar a grupos de interesse em deterimento do povo que o elegeu para o conduzir.
Dos outros países europeus, também não se pode esperar muito, durante muito tempo foram nos dando dinheiro que inteligentemente fomos colocando nos bolsos dos amigos do Cavaco Silva, José Sócrates, João Jardim, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Ferreira do Amaral, Paulo Portas, Armando Vara, etc, etc, etc... Tanto foi assim que deixaram de acreditar em nós, acham que somos um país de corruptos, um país de ignorantes, um país de gente desorganizada.

As montanhas de Margalla estão bem á nossa frente, e não duvidem, vamos nos espetar contra elas.

1 comentário:

Marie disse...

Quem escreve assim não é gago!