terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Menina dos Olhos de Água



Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar
aprendi nos “Esteiros” com Soeiro
aprendi na “Fanga” com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste – deixe ficar…
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p’ra sobrar

Esta música surgiu-me na cabeça do nada quando ia hoje a caminho do metro para casa. E ainda bem que surgiu, tinha saudades de ouvi-la...

Vale a pena ouvir, e perceber, que numa altura em que o orgulho nacional anda pelas ruas da amargura, que ao contrário do que nos querem sempre querer fazer sentir, o nosso povo é capaz de criar obras tão especiais.

Interpretação de Pedro Barroso, do poema original do grande António Gedeão.

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