segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sonhos


Ouvia música abundantemente quando era criança. Durante muitos anos lá em casa os meus pais tiveram um gosto por musica de certa forma apurado, para pessoas humildes que eram, ambos com nada mais do que a 4ª classe e uma vida inteira de trabalho repetitivo e pouco desafiante para a mente. A minha mãe era apaixonada por Julio Iglésias, Paco Bandeira e Carlos Paião. Já o meu pai tinha gostos musicais bastante mais difusos, e normalmente aos sábados de tarde chegava a casa com um novo single do que estava nos tops da altura, o que podia ser uma coisa absolutamente brilhante como o No More Lonely Nights do Paul McCartney ou algo tão reles e estupidificante como o "Umbadá" do Jorge Fernando. Na Rua da Boa Viagem, na baixa do Funchal havia uma "discoteca" que ficava mais ou menos entre a tasca onde o meu pai passava intermináveis horas a beber vinho e a discutir futebol e a paragem de autocarros onde eventualmente haveria algum que nos levaria a casa. Lembro-me de ser uma loja com prateleiras enormes que se estendiam desde o chão até ao tecto, com uma selecção imensa de singles e lp's dos mais variados artistas, e na montra mostravam a capa dos discos que naquele momento estavam mais em voga, que correspondiam normalmente ao que se ouvia lá dentro, num volume bastante generoso. Normalmente a senhora que estava ao balcão aconselhava-nos acerca dos mais recentes hits, e o meu pai que habitualmente não era sensível a impetos consumistas mas que tinha um fraquinho por música, engrossava semana após semana a nossa colecção de discos de vinil lá em casa. Por isso não era estranho que passasse tardes inteiras a trocar os discos de vinil na nossa aparelhagem, quando não estava a passar nada de jeito na RTP-Madeira ou quando me fartava de brincar com os meus carrinhos da Majorette, ou dos meus aviões de papel. Das músicas estrangeiras pouco entendia, gostava da música e da sonoridade das letras, tentava imitar o som das pessoas a falar num estrangeirês improvisado e cantarolava pela casa. No entanto lembro-me do impacto que as musicas do Carlos Paião tinham, e de como me ponham a pensar no meu futuro e no que me estava reservado. Lembro-me especialmente de ouvir os "Versos de Amor", e sonhar com o dia em que ia encontrar alguém que me fizesse viver aquilo que ele falava nas suas canções. Sinto que grande parte dos meus sonhos não só eram inspirados pelas suas letras como também decorriam ao som das suas músicas. Sempre sonhei imenso, e os meus sonhos sempre foram extremamente intensos. Quando era criança ficava feliz com a hora de ir para a cama, porque isso significava que a minha mãe ia me embrulhar num cobertor e me colocar entre os lençois da minha cama que era sempre impecavelmente bem feita (nunca mais na minha vida dormi em lençóis tão suaves e perfumados) e ia sonhar. Podia ser uma coboiada no faroeste, uma aventura numa nave espacial, ou um romance com uma menina imaginária pela qual me apaixonava perdidamente. Todas essas aventuras eram tão estranhamente realistas que quase era mais empolgante estar a dormir do que estar acordado, porque no mundo dos sonhos não tinha as limitações que invariávelmente a realidade me imponha.
Lembro-me de várias raparigas por quem secretamente me apaixonei em criança, e de como nunca tive coragem para fazer nada senão escrever bilhetinhos secretos, oferecer coisas no recreio da escola, secretamente esperar que elas notassem em mim e se apaixonassem, mas era um rapaz franzino e tudo menos alguém popular na escola, por isso até ao meu sexto ano não soube de nenhuma que tivesse sucumbido aos meus encantos, nem mesmo da única vez que cheio de coragem, peguei no dinheiro que a minha mãe me tinha dado para o lanche e fui comprar um lápis á papelaria abaixo da escola para oferecer á Lara, que era a minha paixoneta da escola primária. Como também não tinha grande talento em termos de diálogo com as raparigas, nem me lembro se lhe cheguei a explicar porque é que lhe tinha oferecido uma coisa, se calhar fiquei á espera que percebesse as minhas intenções e caísse nos meus braços. Que aconteceu depois? Bem... nada, acho que ela estava mais interessada nas borrachas de cheiro, nos estojos coloridos e em saltar á corda com as outras meninas do recreio, não tanto em andar de mãos dadas comigo e me mandar corações cor-de-rosa escritos em papelinhos com cheiro a morango. No entanto quando chegava á noite e ia dormir, tinha um sonho recorrente com uma menina imaginária, com quem andava de mãos dadas e passeava pela cidade, sem medo dos rufias da escola e certo que o sentimento era recíproco, e muitas vezes depois, entre os sonhos da Guerra das Estrelas e do Indiana Jones, sonhava com ela novamente. Não me lembro se ela tinha nome, mas sei que quando ia dormir anseava reencontrá-la. Entretanto deixei de sonhar com ela, e eventualmente também que vivia nos filmes do George Lucas, e passei a sonhar mais com a realidade, coisa que digamos já não tem tanta piada... chega a uma altura em que entendes que a vida não é só feita de momentos fantásticos, e os teus sonhos absorvem essa noção, o que para uma pessoa que sonha intensamente por vezes é extremamente doloroso.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Como se treinam os elefantes de circo


Nunca entrei num circo, nunca foi algo que me interessasse. Desde criança que no natal os meus pais levavam-me ao parque almirante reis, na baixa do Funchal para andar de carrocel e comer uma fartura, e passava sempre pela beira do circo, que era de longe a maior e mais imponente atracção do parque. Não me lembro de alguma vez ter pedido aos meus pais para lá entrar, se calhar porque no exterior do parque os animais eram guardados em jaulas minúsculas, e não tinham aspecto de ser bem tratados.
Lembro-me especialmente de olhar para um tigre que tinha uns olhos tão tristes que me doeu o coração - frágil, magro, cansado... tudo o que ele queria certamente não era entrar para o próximo espetáculo e fazer meia dúzia de truques para o gáudio da populaça.

Já que estamos em época natalícia, em se costuma levar as crianças ao circo, vale a pena parar para analisar que tipo de comportamentos é que estamos a patrocinar. Querem circo a sério? vão aqui.

Circo com animais não!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Maf já é advogada

Momento solene este, já estavamos á espera disto á 11 anos. Agora já podes mandar gente para a cadeia á vontade :)

Estava tão convencido do teu sucesso que á hora que soube da notícia já tinha aviado uma série de pints de cerveja.

Os meu sinceros parabéns, tu mereces. A profissão vai ganhar um recurso de peso, é totalmente a tua cara.

Beijinhos! Estou muito feliz por ti!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Mais uma moeda, mais uma viagem!"




A vida não para! Cheguei á menos de um mês aqui a Londres, e ontem já comecei no meu segundo trabalho.
A empresa para onde vim trabalhar originalmente digamos que não era grande coisa, ainda assim mês e meio de trabalho ainda deu para fazer amigos, por isso a experiência é sempre positiva. Seja como for, a velha máxima de que Deus não fecha uma porta sem abrir outra aplica-se aqui que nem uma luva. Sensívelmente na mesma altura em que cheguei á conclusão não era ali que queria continuar a trabalhar, recebi um telefonema a perguntar se queria ir para outro lado, e poucos dias depois estava a entregar a minha primeira carta de demissão escrita em estrangeiro.

A verdade é que esta experiência de trabalhar nas galés, por mais ruim que me parecesse á partida, foi o que me possibilitou vir trabalhar para o (dizem) escritório mais fixe de Londres.

Acho sinceramente que isto vai ser fixe :)

domingo, 23 de outubro de 2011

Mudança de vida




Nunca o pasquim ficou tão abandonado como neste período, no entanto cá estou eu de novo para por isto para a frente. Mau era que o meu projecto "literário" de 4 anos deixasse de existir principalmente quando abraço uma mudança de vida tão abrupta como a que ocorreu desde o mês passado.

Para quem não sabe, em setembro achei por bem me despedir do meu emprego, entregar a minha casa alugada, vender o meu carro, despedir-me dos meus amigos em Lisboa, enfiar todas as minhas tralhas que não deram para dar ou vender dentro de uma garagem e embarcar numa aventura que me trouxe até Londres. A verdade é que estava farto da minha vidinha inerte - Lisboa mantinha-me meio que ligado ás máquinas... sugava-me a vida mas só o suficiente para me deixar entorpecido, e meio que tive uma epifania (como a do Homer Simpson no Alasca). A coisa proporcionou-se, a vida precisava de um abanão valente, e pronto, daí até aqui passou-se um mês.

Em algumas coisas achei que iria ser mais fácil, noutras achei que iria ser mais difícil. Comecemos pelos pertences: Achei que iria ser muito mais difícil me desfazer de algumas coisas que fui comprando e acumulando desde que cheguei a Lisboa... a minha televisão, a minha cama, o meu sofá, as minhas estantes, cadeiras, mesas, micro-ondas, tudo o que suei a trabalhar para conseguir, foi despachado ás três pancadas. O facto de as coisas todas terem ido para os meus amigos, acabou se calhar por suavizar um bocado o cenário de me despojar de pertences, mas francamente é uma sensação libertadora. Coisas prendem-te a sítios, e não acrescentam nada á nossa vida. A minha vida são experiências e pessoas, não objectos. Se deixas de fazer alguma coisa que sonhas porque tens um sofá de 3 metros que não tens onde ponha... algo vai mal. Custou-me um pouco abandonar o meu carro, se calhar acabei por me afeiçoar um pouco a ele - suei para pagá-lo estes anos, e era uma coisa da qual me orgulhava ter conquistado. Por mais estúpido que possa parecer, o meu carro já á muitos anos que era para mim o barómetro da minha evolução. Comprei o meu fiesta vermelho (e que saudades tenho dele), em 2000. Tinha acabado um verão em que me tinha esfolado a trabalhar, e consegui dinheiro suficiente para poder ir a Lisboa e passar um cheque de 1500 euros a uma senhora que me deu o meu primeiro carro para a mão. Não sei o que me passou pela cabeça no caminho até Braga, saí de Lisboa já devia passar da meia noite, e nunca tinha conduzido numa auto-estrada. Estava assustado, estava eufórico… pensei tantas vezes na minha mãe, e no quanto queria poder ligar para ela e dizer-lhe: “Mamã, comprei um carro!!”. Por mais ridículo que possa parecer, comprar aquele carrinho velho naquela altura foi um marco importantíssimo para mim, uma afirmação para o mundo de que não me iam deitar ao chão naquele ano… e não deitaram. E á medida que fui conseguindo trocar de carro e sempre para melhor, aquilo era a minha medalha de honra, o que me lembrava de onde já estive e de onde consegui chegar, ás minhas custas, com o meu suor.

Mas infelizmente aqui conduz-se do lado errado da estrada, e o maquinão vai para o mais novo, para quem a “herança” significará tanto como significou para mim, e para ser honesto, deixa-me muito orgulhoso poder entregar-lhe o meu carro.

Assim, desfeito de todos os meus pertences, munido de duas malas cheias de roupa, sonhos, esperanças, medos e angustias, meti-me num avião e voei para Londres, para começar mais uma etapa da minha vida, agora a 2500km de casa.

Já vivia longe de casa á 16 anos, a língua já era diferente também antes: já me tinha habituado rapidamente a não falar com o meu sotaque madeirense para fazer com que as pessoas entendessem o que dizia, quanto mais difícil seria começar a falar noutra língua? Usar Libras em vez de Euros, conduzir pela esquerda em vez da direita, usar teclados sem acentos… ah coisa fácil…

Não foi fácil, posso-vos garantir isso, mas por nenhuma das razões óbvias. Porque para ser franco menosprezei demasiado as minhas fragilidades, e quando cheguei, toda a excitação de começar uma vida nova acabou por ser substituída por uma fragilidade emocional que já nem me lembrava que tinha, e que com o passar dos dias se tornou tão avassaladora que tomou conta de mim e me enegreceu o pensamento. Passei dos piores dias da minha vida, quase bati no fundo, mas consegui-me reerguer.
Nunca nada na minha vida foi de borla. Tudo o que consegui até agora (muito ou pouco, ou muito pouco, dependendo da perspectiva de quem ajuíza), foi sempre a um preço… soube a lágrimas (muitas), a determinação (que tantas vezes faltou), a coragem. Muitas vezes é frustrante, cansativo… podia aparecer qualquer coisa de fácil na minha vida, tropeçar num bilhete premiado da lotaria, aparecer uma tia milionária que me deixasse uma herança fabulosa… prefiro se calhar achar que só damos real valor ás coisas que nos custam obter… é fácil de concordar com isso e dá-nos um compreensível alívio…

Devagarinho chego sempre lá, é a lição que muitas vezes deixo de lembrar, e há sempre solução para tudo tirando morte e impostos, e se a coisa não vai, empurra-se.

Londres é uma cidade linda, fervilha, é cosmopolita. Vale a pena viver e trabalhar cá e testemunhar a vida que corre entre as suas veias, ver toda a mistura de raças e culturas que vagueia por estas ruas. Londres encontra-te na rua, dá-te um beijo na boca e uma valente estalada… nunca te é indiferente. Precisava desta cidade como do pão para a boca. Não demorei demasiado tempo em Lisboa, demorei o tempo que tive que demorar, tudo acontece por uma razão, nos desígnios marados de um universo que ao jeito de um enredo recambolesco e profundamente perturbado de um filme do Tarantino, tem sempre qualquer coisa para tu cumprires.

Nenhuma porta se fecha sem que se outra abra, tenho certeza disso.

sábado, 20 de agosto de 2011

Ideias avulsas

Estava a sair do metro quando uma rapariga me pediu ajuda para carregar uma mala com rodinhas pelas escadas acima. Nas costas tinha uma mega mochila de campismo com todo o tipo de coisas acopladas a esta - saco cama, cobertor, garrafa de água… na frente segurava uma menina de cabelos loiros e olhos azuis, de vestidinho amarelo, descalça, daquelas crianças que só de olhar dá vontade de dar um sorriso de orelha a orelha. Com uma mão segurava-a e dava-lhe de mamar, com outra arrastava o trolley que trazia na mão. Estava sozinha, a sair do metro do jardim zoológico e foi a caminho do autocarro, para fazer mais uma viagem de 350 km rumo ao norte. “Cuidado, está pesada. Está cheia de cenouras” - disse-me. Realmente aquilo era de um peso bruto… com o meu metro e oitenta e caparro que aguenta uma saca de semilhas ás costas, a verdade é que até tive alguma dificuldade a pegar naquilo com uma só mão, e esforcei-me para não dar o ar de que achava que aquilo era pesado, afinal sou homem, e aos homens, o esforço para carregar uma coisa que uma rapariga leva bem, é uma coisa que não assiste. Ajudei-a a subir as escadas do metro e esperei por ela novamente até que chegasse para descê-las. Fui me embora depois e deixei-a sozinha, um pouco á pressa porque tinha onde estar, mas não deixei de me sentir um bocado estúpido, quase lisboeta. Olhei para trás, vi que a moça estava a acartar aquela parafernália toda mais ou menos tranquilamente, e segui o meu caminho. Pus-me a pensar se na minha terra teria feito o mesmo. A minha mãe não me educou para ser frio e distante, e olhar para os outros sem sentir um bocado do seu fardo. Para todos os efeitos (bons ou maus) sou uma pessoa com consciência, e no entanto, parece que ao fim de 6 anos de vida em Lisboa, estou-me devagarinho a tornar um deles, um ser amorfo que faz a sua vidinha indiferente em relação aos outros.

Lisboa é uma cidade absolutamente linda, tem charme, tem luz… banhada por um rio que se estende até perder de vista, que brilha, que fascina… a cidade do fado, da saudade, da vida fervilhante nas ruelas apertadas do bairro alto e da mouraria, dos mil e uns restaurantes de sabores vibrantes que se encontram em cada esquina da capital.

Adoro Lisboa, infelizmente é um amor não correspondido. Lisboa é uma madrasta que não quer saber daqueles que não nasceram do seu seio, daqueles que tais enteados lhe foram impingidos por qualquer particularidade da vida. Lisboa não quer saber de ti, tem a sua família por perto, os seus amigos de infância, os seus colegas de escola. Lisboa já tem amigos suficientes, não precisa de mais.

Lisboa é uma cidade de passagem, não é sítio para ficar muito tempo. Suga-nos a vida, extrai-nos a humanidade. Quando dás por ti, já lhe deste anos da tua vida e não obtiveste nada em retorno, continuas o mesmo enteado que foi recebido na família por favor e dorme debaixo da escadaria no rés-do-chão, vê as festas escondido para não envergonhar ninguém, come restos de frango do jantar de ontem enquanto da penumbra observa o regabofe dos privilegiados.

Ao fim de seis anos nesta terra, resolvi dizer basta e decidir rumar a outra. Levo no coração os  muitos amigos que cá fiz, os poucos que ainda cá estão e os muitos que se espalharam por esse mundo fora. Não sou egoísta ao ponto de não admitir que esta cidade me deu amigos que vou levar no coração para a minha sepultura, experiências que de outro modo nunca teria, e hoje sou uma pessoa bastante mais completa do que era em 2005. Mas está na hora de partir, deixar tudo para trás e começar tudo de novo, mais um capítulo da minha vida. Apesar de parte de mim chorar, é com imensa excitação que encaro esta nova etapa.

Assim, a partír do mês que vem, o pasquim vai passar a ser escrito de outra capital. Espero compartilhar aqui com o meu selecto mas muito estimado auditório as experiências que for tendo nesta nova aventura.

E que volte a não ter receio em ajudar pessoas na rua, se calhar há alguns sítios onde não corres o risco de ser olhado com desconfiança por demonstrares preocupação para com o teu semelhante.

Ah, e quem chama de fraco ao sexo bonito… tenha vergonha, e leia o post que coloquei antes deste.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita."


"Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.


Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.


Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, tal como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo os vai levar à escravatura vil.


Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita."

Miguel Esteves Cardoso - Jornal Público, 8 de Março de 2009.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quase um mês sem posts

Pois, nunca houve seca de ideias tão prolongada aqui no pasquim. A vida está acelerada e a verdade é que falta tempo e pachorra para sentar ao computador e ter ideias concisas e estruturadas. Vamos ver se isto muda, novidades estão para breve :)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

I Just Called To Say I Love You



Esta musica provoca em mim lembranças tão fortes que quase me sinto a ser transportado para o passado quando a ouço. Coincidiu o seu lançamento mais ou menos com a altura em que tivemos em casa o nosso primeiro telefone, uma coisa preta feia como tudo, com sistema de discagem de números. A minha diversão consistia em ligar para as minhas primas e por esta música alto e a bom som no meu gira-discos.

Não sei quando deixei de o fazer, acho que é algo que se deve fazer durante a vida toda, nem que seja através da voz do stevie wonder (e que voz).

Se tivesse alguma forma de o fazer, era exactamente isto que faria hoje, ligar para ti para dizer que te amo.

Parabéns mamã, um beijinho

terça-feira, 24 de maio de 2011

Polícias à paisana controlam movimentações de partidos madeirenses

Ter a polícia a reprimir partidos políticos é algo digno de uma qualquer ditadura de república das bananas, não de um país europeu, que se quer evoluido. A verdade é que sinto-me verdadeiramente perturbado com esta notícia, e envergonhado, pelo estado a que as coisas chegaram na minha terra...

O original desta notícia pode ser encontrado aqui. Como é um assunto de extrema gravidade, e o site do Diário de Notícias da Madeira nesta notícia específica está reservado a assinantes, resolvi reproduzi-la aqui.

"O Comando Regional da PSP deu instruções aos agentes para seguir e controlar as movimentações das candidaturas de pelo menos dois partidos às eleições legislativas de 5 de Junho - Partido Trabalhista Português e Partido da Nova Democracia. O objectivo é prevenir alterações da ordem pública e distúrbios durante as inaugurações presididas por Alberto João Jardim.

Segundo o DIÁRIO apurou, a PSP destacou uma equipa de seis agentes à paisana para recolher informações mais detalhadas sobre as acções programadas pelos partidos liderados por José Manuel Coelho e por Hélder Spínola.

O Comando da Madeira pretende assim calcular o potencial de risco associado para a alteração da ordem pública e antecipar, no local onde decorrerão as respectivas iniciativas políticas, o dispositivo policial adequado às circunstâncias.

Este efectivo, considerado o 'serviço de informações secretas' da PSP, está mais vocacionado para montar operações de videovigilância que suportam as investigações criminais melindrosas, como esquemas de tráfico de droga.

É também mais usual ver estes polícias a controlarem movimentações de claques com historial de violência do que propriamente a desmontar 'acções-surpresa' preparadas pelos partidos políticos em plena campanha eleitoral, ainda que a irreverência e a imprevisibilidade das iniciativas protagonizadas por José Manuel Coelho e por Hélder Spínola, já tenham surpreendido a Polícia por diversas vezes.

Há duas semanas, o cabeça-de-lista do PND vendou os olhos à estátua do Palácio da Justiça, numa iniciativa política de pré-campanha eleitoral que deixou os polícias pouco à vontade quanto à definição do procedimento correcto a adoptar - sem ferir as formas de liberdade de expressão e o estatuto consagrado aos grupos políticos organizados, procurando simultaneamente manter a dignidade daquele símbolo institucional da Justiça e da República Portuguesa.

Mas a grande 'dor de cabeça' do Comando da PSP é a presença do PND em actos oficiais do Governo Regional. As inaugurações presididas por Alberto João Jardim contam já com um vasto historial de distúrbios entre os apoiantes do PSD e da 'máquina' do governo contra os militantes da 'Nova Democracia' que não perdem a oportunidade para lançar 'slogans' de protesto a denunciar as "inaugurações eleitoralistas".

O aparato policial na inauguração da 'promenade' Câmara de Lobos-Praia Formosa, na última sexta-feira, é o mais recente exemplo da zelosa operação policial.

A presença de cinco dirigentes do PND, que exibiam uma faixa com uma mensagem dirigida a Jardim "rema p'rá terra!", foi mantida pela Polícia a bem mais de 100 metros de distância da comitiva presidencial.

No fim, Baltazar Aguiar teceu duras críticas ao forte contingente policial que foi mobilizado para o local, considerando-o desproporcional e garantiu que ia apresentar queixa na Direcção Nacional da PSP, no Ministério da Administração Interna e à Comissão Nacional de Eleições, alegando que foi vedado o acesso a candidatoas às eleições.

Segundo o DIÁRIO apurou, além de quatro polícias que garantiam a segurança pessoal a Alberto João Jardim, na Praia Formosa estavam mais quatro polícias à civil das brigadas de investigação criminal, cinco fardados da Esquadra do Funchal, cinco do trânsito e ainda dois das equipas velocipédicas.

Se somarmos todo o efectivo policial mobilizado pelas divisões policiais de Câmara de Lobos e do Funchal, chega-se a uma soma considerável de perto de meia centena de polícias, entre agentes, chefes e oficiais, sobretudo quando nesse momento, a PSP dispunha de apenas três equipas para assegurar o patrulhamento automóvel em todo o concelho do Funchal. O DIÁRIO tentou contactar ontem o comandante regional da PSP para obter alguns esclarecimentos sobre este assunto, mas Oliveira Martins não esteve disponível."

Será que ninguém consegue fazer uma praça Tahir no Funchal?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

(Ainda) Sobre homens e mulheres

Acerca da digamos... forçada convivência entre Mulheres e Homens, Ramiro Calle numa recente entrevista ao jornal i, diz o seguinte:

"As mulheres têm um dom especial para escolher mal. Como dizia o grande filósofo espanhol Ortega y Gasset, as culpadas da mediocridade da raça humana são as mulheres, que escolhem sempre os medíocres. Há um dom especial na mulher para eleger mal e há algumas em que esta conduta se repete vezes sem conta.

Passa-se algo de muito estranho com as mulheres. Acham muito mais atraentes os homens que não são etiquetados, rotulados, mas assim que se apaixonam pelos que não são lineares querem que eles passem a sê-lo. Isso é contraditório. Quando uma mulher se apaixona por um boémio, ele será sempre um boémio e é o que vai ter. Não podem querer que o boémio seja um executivo sério. É como querer que um quadrado seja um círculo. Isto também acontece com os homens e é um dos grandes problemas entre casais. Quando tentamos - e até conseguimos - mudar uma pessoa, ela fica reprimida e com raiva em relação a nós. Temos de aceitar as pessoas como são e depois logo decidimos se queremos ou não viver em casal. O que não é possível é escrevermos todos os dias o guião da pessoa com quem estamos. Podemos gostar muito de uma pessoa no namoro e isso mudar com o casamento, com a vida a dois. Em Espanha dizemos que a convivência é o verdugo do amor."

Faço (literalmente) minhas as palavras do Homem. O sentimento foi mais ou menos tipo "finalmente alguém que me dá razão!!" :)

Para quem quiser acompanhar mais sobre este assunto que é tão recorrente aqui no pasquim, pode procurar aqui.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Feeling like this



Não, ainda não consegui ver o filme da Amélíe até ao fim (shame on me, i know), mas devoro as musicas do Yann Tiersen, tocam em loop no meu computador...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Bloqueio Literário II

Já vamos a 12 de Maio e nada de actividade considerável aqui no pasquim. Há muito para falar, a vida tem sempre conteúdo "espremível" que dê para encher páginas do blog de fartura, mas a verdade é que o sentimento aqui do autor é meio tipo "mas para quê?!?".
Podia vir para aqui falar de política, com as eleições a se aproximarem, mas a verdade é que vão ser mais 4 anos do mesmo, e sinceramente estou cansado da inépcia da maioria dos meus compatriotas... de futebol nem pensar, o meu benfica foi uma desgraça este ano. Não falo aqui de trabalho, por isso resta mesmo a vida pessoal, mas também isso não me apetece agora, por isso...

... dou-vos música! :)

Permitam por favor que vos deixe com uma música que é um autêntico hino aos sentidos, interpretada pela voz masculina mais sensual que existiu desde o saudoso Barry White, acompanhado por uma linda voz feminina que o complementa perfeitamente...


Não posso deixar de assistir a este senhor ao vivo na próxima vez que entrar em tourneé.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Que desilusão

Antes de mais, deixe que alerte o leitor de que este não é um post sobre política. Não estou de qualquer forma afiliado (nem ideológicamente nem o que quer que seja) ao PSD ou ao Pedro Passos Coelho!

Todavia, sempre tive o rapazola em boa linha de conta: é um moço que sabe falar, veste bem e vê-se que teve educação em casa. Não diz asneiras e tem ar de quem não parte um copo nem diz caralhadas.
Ideologias á parte, o homem desde que o conheço da cena política nacional que por ele nutria um certo respeito, porque a verdade é que o rapaz foi casado com uma tipa das doce!...

Para quem não sabe, as doce foram a primeira girls band cá da terra.

... ou seja, comparava-o a um David Beckham ou a um Lewis Hamilton.

Na altura em que as Doce faziam furor em todas as pistas de dança daqui do reino de portugal (sim, quase que são assim tão antigas) eu ainda andava de fraldas e brincava com carrinhos da majorette, de modos que só me lembro de as minhas primas teenagers a cantar histéricas as musicas das moças (Vamos acordar, e ficar'aovirrr, não sei o quê no ar, a chuvá'cairrr)...

Hoje, todavia, e em resultado de o Pedro Passos Coelho ter vindo pro facebook deixar uma mensagem de páscoa (tão cliché, meu caro) junto da sua cara metade (que já não é a tal das doce, mas outra moça que convenhamos... não deve muito á natureza) pensei para com os meus botões:

"Mas tu largaste a gaja das doce por isto?"

Como sou um tipo que se pensa informado, fui ver quem era a tal moça das doce, e entre tantas fotografias, cada uma pior do que a outra... encontrei:


Depois de conter o espanto inicial, cheguei á conclusão que Ainda bem que na altura ainda andava tentar perceber a mecânica por detrás dos actos de falar, andar e ir á casa de banho!
O pessoal nos anos oitenta andava a fumar tanta ganza estragada que aquilo toldava-lhes totalmente a visão... e o bom gosto.

Vou ver um video das pussycat dolls, a ver se desenjoo :)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Life




Para qualquer situação na vida, há uma analogia perfeita dos simpsons.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Nation of Dropouts


Confesso que ao fim do primeiro parágrafo, enquanto lia o artigo A Nation of Dropouts Shakes Europe no Wall Street Journal não deixei de sentir alguma revolta. Revolta miudinha, quase serôdia, fomentada por um patriotismo que não tenho e por uma vontade de defender um povo que, na sua mais cruel verdade, não é o meu.

Uma nação de desistentes?! Como se atrevem estes americanos arrogantes a dizer que somos uma nação de desistentes, quando temos uma história tão longa e rica, quando eles próprios têm um sistema de ensino tão antagónico e tão ridículamente exclusivo que prefere antes aceitar numa universidade um alteta que tenha jeito para o basket e o coeficiente de inteligência de uma vassoura, a permitir a entrada no ensino superior a um aluno normal cujos pais não têm dinheiro para o mandar para lá?!?

Penso uma, duas vezes, respiro fundo, relaxo... a verdade é que não interessa! Os americanos são mais famosos do que nós por serem burros e ignorantes, por terem taxas de exclusão social ao nível de um páis da África subsahariana, que não têm ensino ou educação decentes patrocinadas pelo estado como num país a sério,... como nós os europeus.

Mas... como nós? Como nós os europeus??? Nós, os vizinhos pobres e esquecidos, parentes miseráveis de uma europa snobe que tem a mania do sangue azul? Aqueles que os envergonham nas cerimónias de pompa porque não se sabem comportar?...
Afinal de contas, somos europeus por uma mera casualidade, porque ao lado de espanha ainda sobrou algum terreno que deu para plantar uma sociedade. Os espanhóis ainda tentaram vezes e vezes sem conta tomar conta disto, mas estoicamente por outras tantas vezes os escorraçamos... e pronto, resume-se a isso basicamente os nossos talentos enquanto sociedade, a partir do momento em que damos o mundo a conhecer ao mundo: bater em espanhóis.
A partir de 1600, sensivelmente, para além do tal "bater nos espanhóis que referi" - nada. Andamos a viver ás custas do Brasil, depois ás custas de Angola, Moçambique, Guiné e afis, depois ás custas da União Europeia... e agora estamos atolados em dívidas e mais ninguém nos empresta dinheiro.

Nós? Onde é que eu entro aí? Ora bem... tenho um Bilhete de Identidade amarelo que me qualifica para isso. Tive a felicidade de nascer no hospital distrital do Funchal que infelizmente faz parte de um país que me envergonha. Um país com uma história milenar, com uma cultura invejável, com feitos e feitos e feitos fabulosos mas que a meio do caminho deixou de o ser... e que afinal de contas é um país de ignorantes, chicos espertos, que reclamam por tudo e por nada mas que nunca saem da sua área de conforto para reevindicar rigorosamente nada. Um país de gente que se queixa de ter ordenados baixos mas que não faz rigorosamente nada para progredir no trabalho, um país de gente que se diz sem oportunidades de carreira mas que não faz nada para educar-se...

Com relutância, não vejo outra solução senão concordar com os americanos, e envergonhar-me de volta e meia fazer troça deles.
Tudo começa a fazer sentido, este caminho que fizemos desde o 25 de Abril de 1974 até agora - Salazar não nos transformou numa nação de ignorantes patéticos - sempre fomos, desde os primórdios. No entanto enquanto toda a (outra) europa apostava na educação dos seus cidadãos, o "grande" estadista via nesse exemplo uma séria ameaça á sua governabilidae, e com grande mestria aplicou a "proverbial" lobtomia ao seu povo, mantento uma horda de carneirinhos que não levanta uma palha contra ele. Por sorte Salazar nunca preparou própriamente a sua saída, e não fosse um movimento liberal de malta bem de vida que ali via uma excelente oportunidade de subir na vida, o seu regime iria perpetuar-se por toda a eternidade. Era uma ditadura da treta, não haviam repressões maciças, desaparecimentos, execuções como as que os nossos vizinhos sofriam ás mãos do Franco. A nós bastava-nos dar um bocadinho do que comer, permitir-nos fazer a quarta classe e deixar-nos a chafurdar na lama que ali ficavamos, felizes e contentes, não davamos trabalho nenhum. Os poucos que se destacavam... bem, destacavam-se tanto que eliminá-los éra como roubar um chupa-chupa a uma criança: siga para o tarrafal - sítio de luta, ... só não havia lugar para os filhos da puta...

Depois da instauração da democracia á 37 anos andamos a oscilar entre governos PSD e PS, que pouco mais fizeram pelo seu país a não ser pegar no dinheiro que tinhamos e que não tinhamos e apropriar-se dele. Em 1986 aconteceu algo fabuloso e juntamo-nos á União Europeia - ainda estou francamente a tentar entender como é que malta inteligente e bem educada foi caír na esparrela. Recebemos milhões e milhões de Marcos, Francos, Libras e dinheirinho jeitoso afim, que foi hábilmente empregue em asfaltar o país de norte a sul, com auto-estradas fabulosas para carros que não temos, que gastam combustível para o qual não temos dinheiro para comprar. Mas votamos sempre nos mesmos, ora nos arrogantes imbecis laranjas ora nos alegres corruptos côr-de-rosa.
Pode um político fazer o que lhe apetecer com o erário público - comprar carros de luxo, ir comprar fatos a manhattan, construir casas de férias em parques naturais,... a verdade é que nunca lhe acontece nada. O povo não quer saber, queixa-se que a vida vai mal, mas se lhe perguntarem não sabe o ultimo nome do maldito filho da puta que lhes rouba o dinheiro todos os meses para ou metê-lo ao bolso ou dar aos amigos.

Somos uma nação de gente que não sabe se governar nem sabe ser governada, e lamento dizê-lo temos a classe política á nossa imagem, a que realmente merecemos.

Agora a parte de que este não é o meu povo: estudei longos anos da minha vida, tenho gosto pelo conhecimento e tento estar sempre informado sobre aquilo que se passa á minha volta, seja num raio de 1, 10, 1000 ou 20 mil quilómetros. Nesta terra (de cegos) quem tem um olho é rei, por isso o caminho óbvio para quem tem o mínimo de inteligência é ir para a política e mandar em todos os outros, enriquecendo ás suas custas. Os outros que têm moral e inteligência, têm duas opções: ou lutam por uma guerra que já perdemos á muitos muitos anos, por um povo que nada mais faz do que apontar-lhe o dedo na rua, uns rindo-se dele outros tendo-lhe pena,... ou emigra, vai para junto de uma outra sociedade que conjuga os seus valores, os seus princípios, os seus objectivos.

Ainda assim neste país somos muitos felizmente, aqueles que olham para o mundo com espírito crítico e que tentam fazer dele um sítio melhor para viver... mas infelizmente nesta terra os acéfalos são em mais quantidade, e são organizados - vão em hordas aos domingos marcar a cruzinha no senhor do ps/d que lhes parece mais bonito, aquele que mais aparece na televisão, entre o programa do Jorge Gabriel e a telenovela. Esses meus caros, são os que mandam nesta terra, e há quem mande neles, aqueles que de nós usufruem á mais de 30 anos...

Agora vá, vão todos votar no Sócrates...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Intemporal

Correndo o risco de fazer o pasquim parecer a M80, decidi deixar-vos algo que me faz lembrar os tempos que passava a brincar com os meus legos enquanto a RTP-Madeira não passava os desenhos animados. Era uma altura em que não tínhamos mais nenhum canal (não havia esse luxo dos continentais de ter 2 canais) já que apenas raramente conseguíamos apanhar a TVE de canárias ou a televisão marroquina, e o mais impressionante: o único canal que tínhamos colocava videoclips de musicas "dos tops" para encher chouriços enquanto não era a hora do programa seguinte... outra era, definitivamente.

As minhas primas mais velhas andavam a sair á noite para dançar estas coisas, com os seus vestidos pirosos com ombreiras gigantes e cabelos com permanentes e maquilhagens de cores aguerridas. Eu como não tinha idade, ficava no chão da sala com os meus brinquedos :)



Curiosamente o Marian Gold (ou Hartwig Schierbaum, como o quiserem chamar) não me parecia tão efeminado na altura. Ah, inocência... :)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

It gets better



Vale a pena passar esta mensagem. Nada do que possa aqui escrever descreverá melhor o conteúdo do vídeo. Uma iniciativa louvável, que vale a pena compartilhar.

Porque ninguém deve se sentir que está errado, apenas porque tem uma opção sexual diferente da maioria, e porque ninguém é mais ou menos pessoa porque é gay.

Vivam a vossa vida, da forma que são, amem-se uns aos outros, porque na verdade não levamos nada desta vida, apenas o prazer que tiramos dela. Ser tolerante, respeitar e aprender com a diferença, amar e admirar quem é bonito por dentro, e essencialmente sentir-se amado... é de facto um direito que deve assistir a todos.

Black Swan

Já vi o filme faz algum tempo, e guardei a nota mental de que tinha que escrever qualquer coisa sobre ele aqui no pasquim. A memória já não é o que era (acho que nunca foi grande coisa mesmo), mas eventualmente lá arranjo um tempinho e venho aqui ao meu blog colocar algo que vale a pena.

O Black Swan, é um filme que vale a pena ir ver ao cinema. É de um bom gosto artístico excepcional, tem uma realização e uma cinematografia absolutamente brilhantes, e uma interpretação arrebatadora da Natalie Portman, que desta vez deixa de parte os habituais papéis de menina boazinha que não parte um copo, e abraça uma interpretação que pode bem ser um marco na sua carreira. A abordagem do argumento é de que um génio perturbado é sempre mais apelativo do que um que tenha a sua cabeça no sítio, e que possívelmente precisamos de um certo je ne sais quoi de demência e de conflito interior para nos soltarmos da normalidade mediana que nos permite atingir algo realmente sublime. O argumento realmente não é muito mais do que isso, mas a verdade é que a forma como Darren Aronofsky nos transporta para cima do palco e nos coloca quase que a acompanhar os movimentos das personagens enquanto executam os seus movimentos de ballet é fantástica, e a forma como retrata a dança, afastando-se da tradicional descrição edílica de meninas magricelas com tulles brancos e mostra a beleza crua e por vezes dolorosa, de trabalho, sangue, suor e busca incansável pela perfeição, faz com que ir ver o filme seja algo de arrebatador.

Vão ver, já!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Inspirador



Parte do comercial da Petronas para assinalar os 50 anos da independência da Malasia. Não sei se é ensaiado, mesmo que seja, é bonito e pronto.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Truly beautiful



Rufus Wainwright - Across The Universe do original dos Beatles de 1968

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Orgulho


Numa eleição completamente diferente, o José Manuel Coelho conseguiu ganhar os 3 principais conselhos da Madeira:

- 41.45% no Funchcal
- 47.78% em Stª. Cruz
- 41.09% em Machico

Não teve grande exposição mediática, já que os media da madeira estão bem controlados pelo Lider, e porque os media do continente acharam que a candidatura do madeirense era uma parvoíce (ao contrário de 4.50% dos Portugueses). Não tinha sede de campanha - passou-a na rua, a apontar o dedo aos que usurpam a nação, e a noite eleitoral passou-a num restaurante no funchal, entre apoiantes. Esta campanha foi um golpe de génio, tendo conseguido simultâneamente atraír as atençôes para a questão da ausência de democracia na ilha da madeira, e também tendo conseguido retirar todo o protagonismo ao ditador lá eleito ao obter 189340 votos, mais do que Alberto João Jardim há de conseguir na sua vida.

Parece que os meus conterrâneos perderam o medo, hoje é um grande dia para a minha terra.

Mais 5 anos do mesmo


Admito que fui ingénuo e achei que os meus compatriotas iam ás urnas e escolheriam outro candidato que não o actual presidente. Porque é que não gosto do Cavaco? - porque o homem é arrogante, porque têm amigos muito duvidosos, e porque tem meia dúzia de casos esquisitos para explicar - e porque arrogantemente recusa-se a fazê-lo, achando que a sua vida e as suas ligações a amigos comprovadamente desonestos acima de qualquer escurtínio. Porque segundo o velho ditado "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és" deves ser julgado por seres amiginho e defenderes sempre pulhas como o oliveira e costa está a ser julgado por dezenas de crimes e o dias loureiro só não está também porque é conselheiro de estado e logo imune á lei dos comuns portugueses, e exilou-se em Cabo Verde.
Não gosto do cavaco porque lembro-me de como foi ele que começou com a política de privatizações selvagens, bem ao estilo da russia pós união soviética, porque foi ele que começou com a política de alcatroar portugal de norte a sul em vez de apostar em políticas de crescimento real e sustentado, porque foi ele que começou a desregulação da banca e do sistema financeiro, porque foi ele que em vez de apostar na educação como factor de desenvolvimento, tratou de inventar as propinas, porque foi conivente com o seu ministro dias loureiro (sim, o mesmo do bpn) que deram ordem para que fosse feita uma carga policial desproporcional e despropositada contra um grupo de cidadãos que se manifestavam contra os aumentos das portagens na ponte 25 de abril, onde foram inclusive disparados tiros que fizeram com que um jovem ficasse tetraplégico para a vida.
Porque Cavaco Silva simboliza de forma inequívoca e inegável a política dos ultimos 25 anos de jobs for the boys, e jeitinhos para os amigos, e porque eu tenho memória, jamais votarei em Cavaco Silva ou em qualquer um dos outros do seu círculo de amigos, onde constam mais alguns meninos:
- Duarte Lima - Lider da bancada do PPD/PSD durante o Cavaquismo, envolvido na burla da viúva de Lúcio Tomé Feteira e possívelmente no seu assassinato.
- Ferreira do Amaral - Ministro dos governos Cavaquistas que enquanto tal assinou os contratos de construção da Ponte Vasco da Gama com a Lusoponte, e a concessão de 40 anos sobre as portagens das duas pontes de Lisboa. Hoje em dia é presidente do conselho de administração da Lusoponte...
- Abdul Rahman El-Assir - Traficante de armas libanês (é preciso explicar esta?)

E mais se podia dizer sobre o nosso excelentíssimo Presidente da República, mas acho sériamente que não é necessário. A verdade é que a maioria dos meus compatriotas não foi ás urnas, e daqueles que foram, a maioria decidiu ignorar todos os indícios de desonestidade do candidato Cavaco, e deixá-lo a mandar durante mais 5 anos. Sinto-me sinceramente como a maior parte dos americanos dos estados maioritáriamente democratas, que em 2004 assistiram incrédulos á reeleição de George W. Bush, caindo aos pés da "Middle America" dos rednecks e dos hillbillies que votaram em massa no candidato que já tinha dado provas de desonestidade.

Este não é o meu presidente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A angústia do candidato no momento de declarar desonestidade


Se, de facto, Cavaco conseguiu um lucro de 140% com ações que nem sequer estavam cotadas na bolsa, pode ser o homem certo para ocupar o mais alto cargo do País. Basta que gira o orçamento de Portugal como soube gerir o seu. Por azar, Oliveira e Costa está preso, o que impede o País de comprar a uma sociedade gerida por si ações a um euro e vendê-las a 2,4. No espaço de dois anos, seríamos a Noruega da Península Ibérica.

A angústia do candidato no momento de declarar desonestidade, por Ricardo Araújo Pereira

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Acéfalos

São os acéfalos que ganham as eleições.



São estas pessoas que só sabem quais são os candidatos na altura em que vão votar, porque para elegerem a tonalidade de côr mais brilhante, precisam ler até ao fim o boletim de voto.

Os acéfalos não pensam, não tiram conclusões, vão atrás da luz mais luminosa e tal como uma borboleta numa noite sem luar, basta uma qualquer luz mais forte para atraí-la. O candidato mais brilhante vai ser o que vai atraír mais acéfalos a votar nele, e invariávelmente o eleito será o Sr. Silva, não porque é o mais capaz, o mais honesto, o mais idealista, mas porque as pessoas sabem o nome dele, porque as televisões ás vezes mencionam-o e porque ele está lá á muitos anos. O que é que ele fez? Foi bom? Foi mau? Ninguém sabe, mas falam dele nos telejornais... O que é que as televisões disseram? Bem, isso normalmente não se lembra, apanharam no intervalo da novela quando o locutor anunciava um programa de debate chato com uma senhora loira da televisão....

E vai votar? Pergunta o jornalista ao senhor, que por sinal até tem um nome bem politizado.

«Sou capaz», responde, «mas ainda estou indeciso».

Poderia ter sido honesto na sua resposta, a verdade é que é incapaz.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Runaway

Nunca imaginei que algum dia fosse colocar aqui no pasquim alguma coisa do Kanye West - não é gajo que faça musica que chame por mim, no entanto as excepções são para ser utilizadas, e Marco Brambilla, realizador deste vídeo merece-a com todo o mérito.



A musica é assim-assim, nada de especial. A letra é uma desgraça. O video, pelo menos este excerto que forma o videoclip da musica "Runaway" é simplesmente brilhante, a cinematografia, a luz, o controlo do movimento. Era tirar o Kanye West dali e ainda ficava mais bonito.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Primeiro post do ano

Não vou fazer resoluções de ano novo, não vou fazer contas ao ano que passou. Desejo apenas que este próximo ano seja fantástico a todos os níveis, para mim, mas principalmente para as pessoas que amo, para que estejam comigo daqui a 365 dias quando repetir este post, de saúde e felizes, muito felizes.

Um beijo a toda a gente, sejam muito felizes se faz favor.