quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Jonas vs. Ensitel


Andei uns dias aqui pela minha terrinha a rever família e amigos e como tal meio que distante das internetes, porque há aquele tempo na vida de uma pessoa em que ela tem que passar um tempo sem olhar para o quadradinho preto com letras ás cores, sob ameaça de lhe fugir um bocadinho da tão preciosa sanidade mental. Mas como um vicio que nos consome (ai meu querido maço de camel, já vão 3 anos...) não dá para ficar muito tempo sem retomá-lo.

Então eis que volto ao convívio da internetosféra e descubro que a Jonas conseguiu nada mais nada menos do que colocar a ensitel (conhecida marca de lojas de telemóveis) totalmente de joelhos, ao invocar o poder da internet.
Tal como filme de banda desenhada, quando o herói é confrontado com o super vilão e manda lá um grito e fica com super-poderes, a Jonas lá publicou no seu blog que tinha recebido uma intimação judicial originada por queixa da Ensitel junto das autoridades no sentido de remover os posts que tinha colocado no seu blog acerca de uma má experiência enquanto consumidora. Não tendo ideia do que a palavra "censura" significa no contexto da internet, e da quantidade de má vontade que isso gera de quem faz da internet um essencial meio de expressão (quase toda a gente, hoje em dia), a ensitel conseguiu transformar toda esta situação num pesadelo de relações públicas, pondo toda a blogoesfera a escrever acerca deles de uma forma profundamente depreciativa, gerando uma chuva de criticas por parte dos utilizadores do facebook, fazendo com que #ensitel fosse a hashtag mais mencionada pelos utilizadores portuguêses do twitter, e aparecendo com esta triste história nos noticiários de todas as televisões nacionais.

E isto tudo, porquê? - Porque não quiseram trocar uma porcaria de um telefone que estava defeituoso a uma cliente, podendo ter evitado toda esta situação. Porque são déspotas e ignoram o verdadeiro poder da opinião dos clientes, e acharam que com tácticas de bullying poderiam calar a crítica de quem se sentiu enganado como consumidor, e sentiram-se suficientemente á vontade para entregar o assunto aos advogados para amedrontar as pessoas.
É que normalmente esta coisa de chamar advogados costuma assustar: escreve-se uma carta intimidatória, o cliente assusta-se, não está para ter problemas e faz o que o bully quer. Agora foram bater na pessoa errada, alguém que tem o poder de invocar o poder da internet em sua defesa.
Claramente não têm lido notícias, e não estão por dentro do fenómeno EUA vs. Wikileaks, em que uma tentativa de censura fez com que surgissem mirrors do wikileaks por todo o mundo aos milhares, fazendo com que uma tentativa de censura resultasse na prática da multiplicação da informação danosa que se quis remover em primeiro lugar.

Temo que isto tenha sido um golpe demasiado grave para que a ensitel ainda se consiga levantar, até porque já á dois dias que isto corre e claramente não há nenhuma reacção deles no sentido de minimizar os danos.

Toda esta situação, que eu acho nada mais nada menos do que revolucionária, mostra o poder que realmente todos temos, enquanto comunidade digital, contra agentes opressores, sejam eles governos, empresas ou individuos. É um poder que muitas vezes é mal utilizado e que muitas vezes também não resulta em nada, mas que não é de desprezar.

Um autêntico case study, para que se aprenda, e para que empresas como a ensitel reflitam no tratamento que andam a dar aos clientes, e para que reparem como é tão fácil que as suas más práticas caiam na boca do mundo e danifiquem permanentemente a imagem de marca e penalizem a performance financeira da empresa.

E claro, porque ninguém gosta de bullies.

Já agora, e por falar em censura, quando é que o Assange divulga no wikileaks as escutas do processo da face oculta? Era giro ver como o nosso governo anda a nos tramar a todos e a beneficiar os amigos sucateiros e bandidos afins.

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