sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Balada de Hill Street



Vi no outro dia o primeiro episódio da Balada de Hill Street, que passa agora no canal Fox (presume-se que o leitor tenha tv por cabo, ou que tenha mais de 30 anos). Para quem não sabe, e há de haver muita gente nesta circunstância, a Balada de Hill Street foi uma série de 1981 (que depois se prolongou por várias temporadas) que mostrava o dia-a-dia de uma esquadra de polícia num bairro pobre de Nova Iorque. Era fanzaço da série, porque na altura em que passou na rtp madeira eu devia ter entrado á pouco na escola e aquilo tinha polícias e ladrões, carros em perseguições, e polícias que rosnavam aos bandios, e um gatinho que miava no fim. A, e a super mulher no elenco.

Do argumento pouco mais me ficou na lembrança do que já descrevi, por isso é curioso assistir á mesma série passados vinte e tal anos. Sendo uma série que essencialmente dramatiza o quotidiano, é uma tarefa engraçada assistir aos episódios e fazer um exercício de "descubra as diferênças", senão vejamos:

- Em 1981 era permitido fumar em todo o lado, transportes, bares, restaurantes, e esquadras da polícia. Aliás, parecia ser uma coisa meio que socialmente bem aceite, já que na série parece que toda a gente fuma.
- Calças justas á boca de sino presas pelo umbigo, era coisa que se via por todo o lado, e aparentemente dava um ar macho ao seu utilizador.
- Bigodaços fartos eram um acessório de moda imprescindível para todo o homem que se quisesse afirmar como moderno.
- Telefones fixos com marcadores rotativos eram coisas do dia-a-dia (o primeiro telefone lá de casa, em 1984 era daquele género).
- O David Caruso, o famoso Horatio Caine do CSI Miami fazia um papel ridículo de lider de um gang de jovens irlandeses (?!) chamados "the shamrocks" e vestia-se de gnomo, exibindo com orgulho um chapéuzinho verde e a sua famosa cabeleira vermelha.
- Em suma, toda a gente parecia saída de um vídeo dos Village People.
- Já haviam pagers em 1981, o que me deixou estupefacto. E para que serviam? Para interromper alguém que ia imediatamente meter um "quarter" na cabine telefónica para telefonar ao remetente.

É curioso também olhar para os episódios de uma forma mais global e ver que á 30 anos atrás falavam-se essencialmente das mesmas coisas que se falam agora, da corrupção na política, da falta de oportunidades de emprego, da exclusão social, do fosso entre ricos e pobres... na verdade a condição humana é uma coisa meio que intemporal, e tenho a certeza que uma criança que hoje assista ao CSI e reveja a série daqui a 25 anos vai ver que, tirando o facto de as pessoas deixarem de se vestir de forma tão ridícula, continua tudo igual, somos todos o que somos.

1 comentário:

Mafalda disse...

nem imaginas ..um destes dias no meio do meu zapping diario tb reparei que estavam a repor a serie .. a qual claro esta so conheço de nome (é que em 1981 ainda não existia para poder ver nada)

mas como tal e qual tu sou "fanzaça ":)))) deste tipo de series ...la fiquei a assistir e tb pk esta me fez lembrar o nypd blue ou a tao famosa balada de nova iorque (um bocadinho posterior ....e da qual não perdia um episódio e na qual tb entrava o nosso querido Horatio Caine)..Lembras t??

realmente ha coisas que nunca mudam :))


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