domingo, 20 de junho de 2010

Brasil

Amo a nação verde-e-amarela, e vou para lá sempre que posso. As pessoas têm algo no Brasil que falta em quantidades astronómicas ao nosso povinho cá plantado do lado errado do atlântico - calor humano e alegria de viver.

Concerteza que há desvantagens, certo, senão não voltaria tantas vezes para cá. Há uma insegurança tremenda em qualquer cidade brasileira de tamanho respeitável e há uma enorme falta de civismo latente numa grande faixa de população, ousava dizer a maior parte dela. Os sucessivos governos que têm passado por Brasília fazem por manter o status quo - uma população ignorante não levanta ondas, faz o que lhe manda e não se chateia muito pela cleptocracia geral em que se tornou o poder político tanto federal como estatal. Qualquer cidade no brasil é um misto de pobreza extrema e luxo abundante, e uma serve-se da outra numa simbiose perfeita, que tornará o país perfeito (ou absolutamente miserável) quando se fundir num só. A nação das favelas está ao serviço da nação dos condomínios luxosos, que andam de mãos dadas um com o outro. Os ricos precisam forçosamente dos pobres para manterem o seu estilo de vida, com mão de obra barata e salários altíssimos que lhes permitem ter um nível de vida que um europeu normal nem sonha. Os pobres precisam dos ricos para o seu sustento diário, porque sem instrução nem ambição, nunca na vida vão chegar a algum lado que não seja a mera subserviência ao seu patrão. Ambos os mundos distanciam-se um do outro apesar de inerentemente estarem ligados como gémeos siameses, e não conseguirem viver um sem o outro.

De modo a que qualquer terrinha com o seu bairro chique tem o seu inverso que é a sua favela que lhe serve, e qualquer cientista natural explica fácilmente que toda a lei do mundo tende ao equilíbrio, e mais dia menos dia acredito que é aí que se chegará, a um equilíbrio do sucesso ou no falhanço, esperemos que no primeiro.

Mas como dizem muitos amigos meus cariocas, se não fosse a insegurança, o Rio de Janeiro era o lugar perfeito para morar - era concerteza, mas aí Lisboa teria um problema grave,  pois perderia todo o sentido morar nela.

Voltando ao assunto inicial, o Brasil é meio que a minha pátria adoptiva, se calhar não tanto por eu amar esse país, mas por esse país me amar. Sinto-me mais em casa lá do que na minha terra, e posso dizer com toda a certeza que nunca fui tão bem acolhido em nenhum outro país. Possuindo pouco ou muito toda a gente faz o seu melhor para me receber, e um colchão no chão de uma casa, seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Teresópolis ou em Búzios torna-se no lugar mais confortável para se dormir. Sinto genuínamente que sou benvindo em todos os lugares para onde fico, e quando vou embora, o "volte quando quiser" significa exactamente isso.

No Brasil eu sinto uma alegria de viver por todo o lado, é um país fervilhante de alegria e de vida, algo que muitas vezes falta ao nosso anafado e cinzento Portugal.

Para os meus amigos do outro lado do atlântico, e em especial para os meus queridos anfitriões em Búzios, confessos leitores do meu pasquim, deixo um grande abraço, e a promessa de voltar ao vosso país sempre que puder.

1 comentário:

andre disse...

Nèlio o Madeirense mais brasileiro q conheço (verdade q não conheço outro madeirense)mostra mais uma vez que realmente conhece o Brasil e seu povo.Foi um enorme prazer te-lo recebido (pouco tempo), mas tempo para mostrar q relamente conhece e aprecia a nossa cultura e a infeliz diferença social, que insiste (talvez por interesses ou por falta deles)perdurar por essas bandas.Mas é por essa demonstração de carinho que você sempre sera bem recebido (pelo menos aqui)foi um enorme prazer te-lo feito feliz esses (poucos) dias. Volte quando quiser. Felicidades