quarta-feira, 19 de maio de 2010

Saudades


Nestes dias dou por mim a pensar na vida. Sei que é cliché, o acto de pensar na vida... se calhar não. Passamos a maior parte da vida sem nunca na verdade pensar nela. Ouvimos uma musica bonita e lembramos um momento, cheiramos algo na rua e lembramo-nos de um lugar, vemos alguém a dançar e lembramo-nos de uma pessoa. Não sei se o facto de passarmos a maior parte do tempo num estado de letargia faz com que estes momentos sejam mais especiais, se por outro lado passamos a vida num modo de piloto automático por sabermos de facto que estes momentos são tão efémeros que nunca são nossos, são nos emprestados. Passam pela nossa vida para que nos possamos lembrar deles mais tarde. Todos os dias existem milagres que nos saltam á frente mas que nem damos por nada, continuando as nossas vidinhas numa eterna monotonia. Mas a monotonia é uma dádiva se conseguirmo-nos com ela nos abstrairmos da agonia do vazio. O quotidiano serve para equilibrar a mente, serve como contraposto á agonia de deitarmo-nos na cama e ter que pensar. Por outro lado, acordar e ver o sol é como uma forma de o mundo nos dizer que as coisas não são tão más - estás vivo para mais um e vais cá estar para muitos mais.

Faltam-me pessoas, tantas pessoas que passaram pela minha vida, fizeram e vão sempre fazer parte dela. Agonio por pensar que não posso ter toda a gente aqui comigo, agonio por pensar que alguns nem posso ter por perto sequer... e é isso que me enche a alma - pessoas. É isso que me dá razões para viver... no entanto, tal como um cruel agente do destino, há sempre aquela parte de mim que me faz sempre lembrar do quanto sou efémero e de como todos os que me são especiais o são também. Viver com esta certeza de que as pessoas são efémeras agonia-me e revolta-me. Não quero, não aceito. Tenho aquele sentimento sempre presente que vou perdê-los, não quero.

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