quinta-feira, 15 de abril de 2010

Voar

Andar de avião provoca-me arrepios. Adoro o facto de poder andar a 30 mil pés de altitude a 900 e tantos km's por hora. A paisagem que se vislumbra agora pela janela do meu 26F é qualquer coisa de fantástico... ver o sol se por no oeste ás oito e meia da noite, sobre o mar calmo azul-cinzento. Há 100 anos atrás isto seria uma experiência mistica, uma espécie de ida á lua nos tempos actuais.
A parte chata de andar de avião é a minha cabeça. Sou uma pessoa que mais vezes do que menos pensa demasiado, e isso chateia. Não consigo parar o fluxo de ideias que me passa pela cabeça e não poucas vezes fico agoniado. Sento-me aqui na parte de trás do avião e tenho dois ingleses balofos sentados nos assentos D e E. O que é que isso me faz pensar? - Fácil, como que raio é que eu vou fugir daqui se isto der pro torto. Mal me sento no avião busco imediatamente as saídas de emergência, conto o numero de cadeiras que tenho que percorrer até chegar lá, para trás e para a frente, não vá uma ficar bloqueada. O avião começa o rollout e eu verifico se os flaps estão em posição, tento estimar quando chegaremos á velocidade de rotação, 10 segundos depois digo na minha cabeça: "gear up".
Sim, é uma mistura de demasiado tempo a jogar flight simulator e muuitas horas a andar para cá e para lá, da ilha para o mundo. Queria ser totalmente despreocupado e apenas curtir a vista que se tem daqui de cima, mas infelizmente a chegada é sempre o alívio para esta 1h40m de apreensão.

A estrela polar já está ali, a indicar o fim do azul e o começo do amarelo, num degradé celestial.

Sem comentários: