quarta-feira, 3 de março de 2010

Gentlemen, place your bets!

É difícil compreender os jornalistas. São uma classe tão junta como profundamente dividida, preenchida em igual medida por pessoas absoltuamente brilhantes, tanto quanto por atrasados mentais.
Voltando aos tempos de faculdade, se calhar era fácil identificar tanto quais dos meus colegas iriam chegar a jornalistas como também até onde é que iriam chegar.
Os ideologistas, com formação cívica e espinha dorsal firme, iriam chegar a jornalistas de qualidade, com carreiras construidas a pulso e reputação feita de suor e rectidão. As doninhas subservientes acéfalas que servem apenas de veículo de frases encomendadas a interesses políticos ou corporativos iriam tornar chefes dos primeiros, e pelo caminho vão atropelar todos os que fizeram da carreira um motivo de orgulho.

Neste momento contam-se espingardas em todos os sectores, como que a advinhar uma guerra civil que se adivinha. Já ninguém acredita (nem no largo do rato) que sócrates aguente muito mais, e é tempo de começar a agradar ao senhor que se segue, por isso, como se diz nos casinos: "Gentlemen, place your bets!"

No jornalismo também se contam espingardas como não podia deixar de ser, e aqueles jornalistas com valores mais ou menos maleáveis acabam sempre por ganhar pontos junto da classe política, deitando para a imprensa noticias que dão jeito.

A última pertence a um jornalista do jornal "i", que a troco de nada (aparentemente) desmascarou um blogger que se tinha tornado inconveniente ao seu senhor. Engraçado como tão facilmente os jornalistas defendem o anonimato das suas fontes, como logo a seguir são os primeiros a apontar o dedo se isso lhes trouxer alguma vantagem.

Ao divulgar tão aberta e despropositadamente o nome do autor do blog "O Jumento", Paulo Pinto Mascarenhas - jornalista do "i" - não ganhou nada junto da opinião pública, que passou a olhá-lo como bufo hipócrita. Mas junto dos seus senhores, concerteza conseguiu créditos que lhe hão de valer qualquer coisa no futuro - quem sabe um cargo político, a caminho de um ordenado chorudo a servir de boy numa qualquer empresa pública.

Não está fácil lutar por alguma seriedade neste país, há dias em que apetece emigrar e voltar daqui a 10 anos na esperança que já se tenha tomado juízo.

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