quarta-feira, 31 de março de 2010

de tragédias e de estradas



Morre-se demasiado na estrada. Morrer na estrada é morrer por razão nenhuma. Morre-se porque se exagerou quando se podia ter tido bom senso. Morre-se porque se excedeu os limites... de velocidade, de álcool, de confiança, de inteligência, de bom senso.

Falo em meu demérito. Apesar de por norma não exceder limites de velocidade (obrigado ao 2º sargento Catalão da Brigada de Trânsito, pela multa na A5 á 2 anos atrás) e de nunca beber quando conduzo (o saco cama que viaja na minha bagageira dá sempre jeito nestas alturas), sou um stressado do caraças na estrada, tenho que admiti-lo. Atrasados mentais ao volante mexem-me com os nervos, e por vezes não consigo me controlar, enervo-me e acabo por responder verbalmente ou com agressividade na condução - coisa que não me traz rigorosamente nenhum proveito.

Anormais na estrada sempre vão existir, e eu não tenho nenhum poder pedagógico sobre ninguém. Volta e meia pôem em causa a minha integridade física, por agirem imprudentemente na estrada ou por andarem drogados ou bêbados quando deviam estar a fazer outra coisa... mas contra isso apenas posso rezar para que se espetem sozinhos á noite contra um poste, e que não prejudiquem ninguém enquanto o fazem.

terça-feira, 16 de março de 2010

Contraluz



O António Feio tornou-se por estes dias, por força da sua doença, uma espécie de Ruy de Carvalho. Toda a gente de repente lembrou-se que também ele é efémero, e toca a trazê-lo para a ribalta e aplaudi-lo até não poder mais, por toda e qualquer coisinha que o homem faça. Pode parecer que estou querendo criticar, apesar de ser meio lamechas, acho louvável que se ache de aclamar o homem, um dos mais talentosos actores e comediantes dos nossos tempos enquanto ele vive. Sou fã incontornável do seu trabalho, e raios, mesmo sem conhecê-lo, tenho a sensação de que de certeza absoluta que é uma excelente pessoa.

Tendo tirado este último parágrafo do nada, e falando qualquer coisa relativamente ao vídeo, fiquei curioso para vê-lo, confesso.

Não vou comentar a frase que sucede ao comentário do António Feio. Aquilo foi posto ali para qualquer tóninho a aponte e meta no blog. Dá que pensar, no entanto...

sexta-feira, 12 de março de 2010

PEC por outras palavras

"O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?"

Ricardo Araújo Pereira - Visão

quinta-feira, 11 de março de 2010

Frase de engate da semana

"A minha mãe sempre quis uma nora linda assim"
Ponham a em prática, quero saber se deu resultado :P

quinta-feira, 4 de março de 2010

Greve nacional

Parece que não se trabalha hoje na função pública. Os meninos estão descontentes, não lhes vão aumentar os ordenados este ano. Os trabalhadores do sector privado, se calhar em solidariedade para com os primeiros, vão todos trabalhar hoje, afinal mesmo sem aumentos, os ordenados dos funcionários públicos ainda assim pesam bastante nas costas dos contribuintes.

Irónico que seja da classe trabalhadora com mais estabilidade e segurança de onde vêm os protestos, que que sempre que se organizam estas greves gerais sejam os professores os primeiros a levantar o dedo e a gritar "eu vou". Especialistas como são eles em greves, tratam se calhar de apoiar os restantes elementos na parte logistica.
Os piquetes de greve multiplicam-se á porta das empresas públicas, para desincentivar os não-grevistas a trabalhar, para servir de chamariz aos media, e para pedir o apoio da opinião pública. Os media amam os grevistas, dão lhes notícias e comentários inflamados. Os que não fazem greve vão á sua vida, afinal nem toda a gente pode concordar com as frentes sindicais, e há de facto funcionários públicos que têm trabalho a despachar e objectivos a cumprir, e que são solidários com o resto da população civil nestes tempos de recessão e desemprego. Quanto ao apoio da população civil, dificilmente o terão. A verdade é que estamos habituados á demasiado tempo a esta gente que pouco faz e muito reclama. No dia em que eu for a uma repartição de finanças e for atendido com o profissionalismo que se exige a um qualquer serviço privado, então vou ter alguma sensibilidade para estas questões de aumentos dos funcionários públicos. Até lá, comecem a trabalhar e a contribuir para que este país ande para a frente e a justificar o dinheiro que vos pagamos a todos.
Justificar-se-á que sempre que o país enfrenta períodos de austeridade são os funcionários públicos que pagam a factura. Não, somos todos que pagamos, sociedade civil. Crescem as falencias, cresce o desemprego, cresce a desigualdade social, crescem os impostos.
Os políticos nunca vão dar o exemplo, até porque se fossem gente honesta não estariam lá, a fazer política. Os banqueiros vão prosperar com a crise como sempre prosperaram. As coisas são mesmo assim, acordem para a vida.

Hoje a função pública não trabalha em Portugal - um dia como todos os outros, portanto...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Gentlemen, place your bets!

É difícil compreender os jornalistas. São uma classe tão junta como profundamente dividida, preenchida em igual medida por pessoas absoltuamente brilhantes, tanto quanto por atrasados mentais.
Voltando aos tempos de faculdade, se calhar era fácil identificar tanto quais dos meus colegas iriam chegar a jornalistas como também até onde é que iriam chegar.
Os ideologistas, com formação cívica e espinha dorsal firme, iriam chegar a jornalistas de qualidade, com carreiras construidas a pulso e reputação feita de suor e rectidão. As doninhas subservientes acéfalas que servem apenas de veículo de frases encomendadas a interesses políticos ou corporativos iriam tornar chefes dos primeiros, e pelo caminho vão atropelar todos os que fizeram da carreira um motivo de orgulho.

Neste momento contam-se espingardas em todos os sectores, como que a advinhar uma guerra civil que se adivinha. Já ninguém acredita (nem no largo do rato) que sócrates aguente muito mais, e é tempo de começar a agradar ao senhor que se segue, por isso, como se diz nos casinos: "Gentlemen, place your bets!"

No jornalismo também se contam espingardas como não podia deixar de ser, e aqueles jornalistas com valores mais ou menos maleáveis acabam sempre por ganhar pontos junto da classe política, deitando para a imprensa noticias que dão jeito.

A última pertence a um jornalista do jornal "i", que a troco de nada (aparentemente) desmascarou um blogger que se tinha tornado inconveniente ao seu senhor. Engraçado como tão facilmente os jornalistas defendem o anonimato das suas fontes, como logo a seguir são os primeiros a apontar o dedo se isso lhes trouxer alguma vantagem.

Ao divulgar tão aberta e despropositadamente o nome do autor do blog "O Jumento", Paulo Pinto Mascarenhas - jornalista do "i" - não ganhou nada junto da opinião pública, que passou a olhá-lo como bufo hipócrita. Mas junto dos seus senhores, concerteza conseguiu créditos que lhe hão de valer qualquer coisa no futuro - quem sabe um cargo político, a caminho de um ordenado chorudo a servir de boy numa qualquer empresa pública.

Não está fácil lutar por alguma seriedade neste país, há dias em que apetece emigrar e voltar daqui a 10 anos na esperança que já se tenha tomado juízo.