quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

De débeis mentais e Chavez "wannabes"

É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade

Este é um excerto de um artigo de opinião de Mário Crespo, um respeitado jornalista cá da praça, com um longo historial e currículo invejável. Este artigo surge na sequência de uma alegada conversa de café entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um "executivo de televisão" em que os protagonistas insultaram alegremente o dito jornalista e o chamaram de "débil mental" e o categorizaram de "problema a ser solucionado".
Não querendo dar demasiada importância a um problema que não o é (eu próprio já chamei nomes a pessoas em conversas de café, muitos deles piores do que débeis mentais) o homem escreveu um artigo de opinião interessante.

Ao retirar esse parágrafo do contexto, constato que se aplica perfeitamente a uma ilha a cerca de 1000km's a sudoeste da capital - onde a imparcialidade não existe (no jornalismo como em todas as facções da sociedade) e a horda de Yes-Men domina em todo o espectro, quer socialmente quer políticamente. Num sítio onde as televisões privadas estão proibidas de transmitir o seu sinal de forma aberta, e onde a RTP-Madeira divulga a doutrina Jardinista, é muito fácil manter a população mais pobre na imbecilidade, aliás, é tão fácil que até perde a piada.

Acontece por lá quem quer que tenha uma opinião contrária ao regime não acaba sendo respeitado por ela - pelo contrário, é apontado na rua como um louco, porque na terrinha toda a alma penada que se atreve a dizer mal do líder é apelidada disso mesmo: "débil mental", "louco" e "problema a ser solucionado", "Comunista". Por isso, aconselhava o Mário Crespo a ir lá passar um tempinho, depois quando voltasse para o continente era capaz de olhar o Sr. Eng. com outros olhos.

Quanto ao artigo própriamente dito, e do facto de ele não ter sido impresso onde era suposto ter sido: é muito bonito sêr-se um Mário Crespo e ter o poder de publicar o nosso texto onde quer que nos apeteça, e fazê-lo só porque alguém ouviu uma conversa de café em que algumas pessoas nos chamavam nomes feios. Se não fossem figuras de proa do estado, nem estaríamos cá a falar nisso nem se tinha escrito tanta miséria, mas como é o Eng. Zé a dizer mal do Shôr Mário, de repente já há matéria de notícia...

Uma coisa que eu aprendi enquanto vivi no norte e que funciona bem neste caso: Não se tratam destas coisas em jornalecos de esquina e a fazer queixinhas como putos birrentos e mimados: estás chateado com o homem porque ele chamou-te de besta? Pega num pau e vai atrás dele... mainada!

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