quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Bricolage


Hoje mais uma vez meti mãos á obra e montei mais uma estante do ikea aqui no apê. Aquilo ali na marquise estava uma vergonha e desde que me mudei para cascais que era meio que repositório de coisas que não tinha onde encaixar para mais lado nenhum. O resultado era que perdia grande parte da verdadeira razão pela qual eu mudei-me para aqui em primeiro lugar: a minha maravilhosa vista para o mar. E sendo ilhéu, o mar acaba por ser sempre a ligação á minha terra, e acabo por matar um pequeno fragmento das saudades que sinto.

E apesar de ter os dedos doridos e as costas meio tortas de andar a apertar um sem número de parafusos, sinto-me bem porque a minha marquise finalmente está arrumada e eu posso disfrutar da vista sem andar a pular em cima de caixotes. A marquise pelo menos, já que o resto do apartamento está caótico... mas tudo a seu tempo.

Neste momento sinto algumas saudades de ser fumador, bem que me apetecia um cigarrito ali na varanda, mas enfim... posso ir para ali, abrir o vidro e respirar fundo, também sabe bem.

Ah, e depois da trágica morte da francisca achei por bem comprar de novo algo vivo para me fazer companhia. Chama-se José Afonso, e é um bamboo :)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Voltar atrás no tempo, pelo Haiti


Ganda Magnusson!!! Quando eu era miúdo o homem espalhava terror na grande-área adversária!

Até o homem ficou velho e gordo que nem um texugo, já não presta para a bola, mas continua bem humorado e a arranhar português.

Foi giro voltar a ver o grande Chalana, o Shéu, o Nené, o Veloso, essa malta toda que eu venerava quando era criança a se juntar para dar uns toques na bola.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Avatar


Fui ver o Avatar á pouco no cinema. Confesso que ia meio céptico á espera de ver mais um titanic, com uma história de amor proibido entre uma extraterrestre e um humano, combinada com meia dúzia de "stunts" á americana e onde todos acabavam amigos e o povo saía contente do cinema, mas a verdade é que o James Cameron também fez coisas boas, como os Aliens e o Abyss, por isso acabei mesmo por ir ver...

Fiquei literalmente siderado.

Um dos melhores filmes que vi - desculpem lá os apreciadores de filmes do antónio oliveira, e de concertos de xilofone.

- Em termos de fotografia, é um passo em frente, a experiência 3D quase que dá vertigens.

- Não podemos falar de efeitos especiais... todo o filme é um efeito especial. Desenganem-se quem acho que ia ver um desenho animado da pixar mais "fancy". Aquilo é tão real como as pessoas que estão dentro do cinema.

- O argumento é fabuloso, principalmente na parte em faz com que toda a gente se identifique com o mau da fita, e saia de lá com um peso na consciência.

E mais não digo, porque já são cinco da manhã e um gajo tem que dormir, porque amanhã há aula de RPM logo de manhã.

Se ainda não viram, vão ver. É daqueles filmes que marcam de facto uma viragem.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Do casamento

Pumba, já está! Os homossexuais já se podem casar!

Tanto alarido, tanta divergência, tanta opinião violenta sobre o facto de 2 pessoas que têm o mesmo sexo poderem oficializar o seu casamento perante a sociedade como um qualquer outro casal. Ai a agressão á instituição do casamento, ai os valores da família tradicional...

Já que toda a gente deu a sua opinião, eu também vou dar a minha, já que o pasquim é meu.

Sou a favor, sim senhor! Não me afecta minimamente que um casal, na plenitude das suas faculdades mentais e conhecedora de todas as implicações que isso têm - se case. Não me faz confusão, não me faz comichão, não me traz desconforto. Mais pessoas ficam felizes, logo 3 hurras para a esquerda, por ter aprovado isto no parlamento.

"Ah, mas então os que ficam contra vão ficar infelizes, logo trazendo para baixo os níveis de infelicidade" - dirá o atento leitor, com o que ágilmente respondo: Mas essa malta é infeliz de qualquer forma, e será sempre contra qualquer coisa. Dêm-lhes duas semanas e eles esquecem disto, todavia não se tornarão pessoas felizes por esquecerem. Hão de sempre apontar os "maricas" que vão de mão dada na rua, e sempre acharão que por isso o nosso país caminha para a desgraça. E não se cansarão de ir para os comentários do sapo notícias destilar o seu veneno - mas isso é bom! Dá page-views, nos nossos fabulosos sites. Critiquem, vão para lá espalhar fel se fazem favor!!

Quanto ao referendo: Então que raio é que o povo português (eu incluido) tem a ver com o facto de os homossexuais quererem se casar. Será que deverá ser o casal Sousa, de Vila Praia de Âncora que deve decidir se a Joana e a Fernanda de Barcelos devem casar ou não? Ou sequer eu, que até tenho uma opinião favorável, devo opinar oficialmente - e de facto decidir sobre isso? Não! Não tem nada a ver comigo, não tem nada a ver contigo, só tem a ver com quem se quer casar.

Recomendo o casamento? Certamente que não, a nenhum tipo de casais, mas essa é a minha opinião :-)

Adopção? Concerteza! O unico requisito deverá ser a existência de doses industriais de carinho e de sentido de responsabilidade. Estas qualidades, que eu saiba, não são exclusivas de casais heterossexuais.

Acordo ortográfico? Não senhor, continuarei a escrever adopção enquanto me apetecer. Tenho 32 anos e sou teimoso como o raio. Não me vão agora convencer que a dona Irene, que me ensinou a escrever em 1983 afinal estava errada.

Então isto não vai conduzir à destruição da humanidade que está para breve, e que não tarda nada, pais estarão a casar com filhos e irmãos com irmãs e não-sei-quê não-sei-quê-mais. Meus caros, andem menos de carro, reciclem, façam coisas inteligentes, não se ponham com parvoíces.

E os "casais" de 3, 4, ou 5 pessoas, duas mulheres e três homens, não vão agora querer também casar entre si? E isso não vai conduzir ao apocalipse? Primeiro, se pensas assim, vai ver a definição de casal á Wikipedia. Já está? Ok, e agora, se essa malta se quer casar? Bem... apenas antevejo um problema de legislação fiscal, de resto... siga pa bingo, não me faz confusão.

Resumindo e concluindo, hoje somos o 8º país no mundo a ilegalizar a proibição de casar para casais que tenham sexos iguais (prefiro este palavreado, se não se chatearem), o que torna uma honra, para mim, viver num país que se quer ver como socialmente evoluído. Só é uma pena os espanhóis terem se adiantado a nós...

Ah, e nos outros 7 países onde isso já aconteceu (Holanda, Belgica, Canadá, Espanha, Noruega, Suécia e África do Sul), não há registo quer do mundo ter acabado, ou de os heterossexuais terem deixado de casar, destruindo assim a instituição do casamento.

Agora... se concordo com o facto da Portia de Rossi se ter casado com a Ellen DeGeneres. Aí meus amigos, aceno vigorosamente a minha cabeça em tristeza, descrédito e desânimo! Não desfazendo a Ellen como gente, é bem feiinha, desculpem lá. Agora, essa menina com a Megan Foxx, isso sim já era a visão do paraíso, ehehehheheh

Stop and Listen



Joshua Bell é um dos melhores violinistas a nível mundial, vencedor de vários prémios a nível internacional incluindo um prémio Grammy, e tocou também na banda sonora do The Red Violin, que ganhou um Oscar para melhor banda sonora.

Toca um dos cerca de 700 Stradivarius que foram feitos pelo mestre Antonio Stradivari, o Gibson ex-Huber1man de 1713 que comprou ao seu anterior dono por perto de 4 milhões de dólares. Para muitos o som mítico de um Stradivarius desafia a razão, nunca tendo sido superado por instrumentos feitos nos 3 séculos seguintes.

Ora, Joshua Bell e o seu Stradivarius foram para o metro de Washington DC numa fria manhã de janeiro, á 3 anos atrás onde este tocou 6 partituras de Bach durante 45 minutos.
Ninguém sabia quem ele era, para todos era apenas mais um músico de rua.
Durante este tempo, aproximadamente 2000 pessoas pessoas passaram por ele, muitos a caminho do trabalho. Apenas 6 pessoas pararam para ouvir, 20 deram dinheiro mas seguiram sempre. Conseguiu ao todo receber 32 dólares.
Algumas crianças tentaram parar para ouvir, mas em todos os casos, sem excepção, os seus pais forçaram-os a continuar a andar.

Dois dias antes, o mesmo Joshua Bell tinha enchido um teatro em Boston, onde o preço médio de cada ingresso rondava os 100 dólares.

Dá que pensar, não dá? No tempo todo que passamos a correr pelas nossas vidas agitadas, imagino a quantidade infinita de maravilhas pelas quais passamos ao lado e ignoramos, mas que estão mesmo ali, á distância de um olhar, pelo custo de um minuto... não custam nada, são nos dadas gratuitamente e mesmo assim (e se calhar por isso) nem sequer paramos por uns segundos para apreciar verdadeiramente a sua beleza.

domingo, 3 de janeiro de 2010

2009


Não sou bom a fazer resumos. However... está na altura de colocar em perspectiva o ano de 2009.

Posso dizer que foi bom em muitos aspectos, mau em outros, mais ou menos em alguns... como tudo na vida. Não me posso queixar, não me doem as costas, neste momento só tenho uma dor de cabeça chata e uma vontade extrema de esganar o meu irmão, ainda assim... ele existe está bem de saúde e apesar das dores de cabeça, é um puto porreiro.

... estou na minha terra, algo que poucas vezes no ano posso fazer, estão uns belíssimos 20 graus lá fora (nada mau para janeiro, a uma da manhã), e no ar paira um misto de odor a pinheiro e maresia, que é qualquer coisa única e que só se sente por cá.

Viajei que me fartei em 2009 e essa foi sem dúvida nenhuma a minha maior conquista. Segundo o Tripit, fiz no ano passado 45575 km em 20 viagens de avião, estive no carnaval do Rio de Janeiro e visitei São Paulo pela minha quinta vez, e fui a Búzios ver um lugar que poderia bem ser o sítio para onde gostaria de me retirar quando chegar a velho (e rico, esperemos). Vi várias vezes o pôr do sol sobre a praia de Ipanema, cantei e dancei pelas ruas do Rio de Janeiro e diverti-me que me fartei. Tirei, claro está, a fotografia da praxe, de braços abertos á frente do Cristo Redentor, pela terceira e quarta vez. Visitei velhos amigos, amigos de sempre, gente que estará no meu coração até ao fim, apesar dos não-sei-quantos mil quilómetros que sempre nos irão separar. Visitei Paris por 4 vezes, apesar de sempre de passagem, a meio de escalas de voos transatlânticos, sempre deu para tomar lhe o gosto, é uma cidade lindíssima. Estive em Itália, Eslovénia, palmilhei a Croácia de norte a sul, por praias e paisagens deslumbrantes e atrevi-me a entrar na Bósnia e ir a conduzir até Mostar, para ver provavelmente uma das cidades mais bonitas em que algum dia estive. Visitei ainda Barcelona novamente, desta vez com frio e sem ter que dormir na praça da Catalunha como da outra vez. Voltei por fim á minha querida madeira, onde fui brindado com muita chuva e muito vento, mas onde terminei o ano "entre os meus" na minha terra, entre as pessoas que falam igual a mim. É bom voltar a casa de vez em quando, mesmo sabendo que cada vez menos o é, mas afinal, o local que me viu nascer e crescer até estar pronto para ser despachado para o continente e que acho que olha sempre para mim com algum orgulho - espero.

Em termos profissionais, nada a apontar. 2008 foi o ano de voltar a casa, após algumas opções menos bem conseguidas. Trabalho num sítio fantástico e com uma equipa fantástica, e apesar de ás vezes explodir de raiva e ser um bocado incendiário, é porque me dedico a isto e tenho um feitio difícil quando se trata de trabalho. O gajo que está ao meu lado é que normalmente leva com o fogo, o que vale é que ele é um porreiraço e mantém a calma mesmo quando tudo á volta se desmorona. Aprendi muita coisa, fiz uns projectos giros, outros chatos, mas terminei tudo o que me propus e que me foi possível fazer.
Tenho grandes amigos que me acompanham todos os dias, muitas horas por dia no trabalho, e isso faz daquele sítio um bom lugar para se estar.
Ano ganho, portanto.

Em termos de amizades, acho que foi um ano bastante positivo, vários conhecidos viraram amigos, e amigos de valor. Fiquei muito feliz por isso. Não tenho o hábito de perder amigos, escolho-os muito bem. Na minha vida inteira (já lá vão 32 anos) apenas perdi uns 3 ou 4 amigos, gente que por alguma razão me desiludiu e com quem cortei relações definitivamente. Isso já não acontece á uns bons 9 anos.

Projectos para 2010:
Viajar ainda mais, conhecer mais um continente e algumas das capitais europeias que ainda me faltam conhecer.
Mudar de casa, ir viver para Lisboa (ou qualquer coisa perto) num sítio que me permita ver o mar e que não me leve todo o dinheiro que ganho por mês.
Viver sempre segundo os meus princípios e continuar a amar a vida, e a fazer o que posso para ser feliz.

Feliz 2010, e obrigado a todos os que fazem da minha vida especial.