sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Estranho país


A Rússia fascinava-me desde criança. Vivi a minha infância nos anos 80 quando a guerra fria ainda estava meia quente, e em que se multiplicavam filmes na televisão que retratavam o herói americano contra o vilão russo. A verdade é que o estereótipo de Hollywood já na altura não era muito aceite deste lado do atlântico, e olhávamos para ambos com um misto de fascínio e descrédito, afinal parece que ignoravam que existia todo um mundo para além dos seus próprios umbigos. Ainda assim, sempre tive a ideia de que na Rússia se teria um bocadinho mais de interesse pelo conhecimento, e que se prezava a aprendizagem de cultura geral acima de tudo, e de facto tinha muito mais curiosidade em relação aos asiáticos em deterimento dos americanos, cuja imagem no mundo só veio a ser enxovalhada desde que Ronald Reagan subiu ao poder e culminando com o desastre absoluto que foi o governo de George W. Bush.

A ideia de um país que conseguia bater o pé aos americanos e ás suas políticas de total desprezo pelo mundo exterior era muito mais atractiva, e por muitas vezes vi-me a ter imensa curiosidade acerca desse país, da sua história recente e antiga, sobre a sua diversidade de línguas, culturas e etnias, sobre a sua disciplina enquanto nação e sobre o seu orgulho num país ao qual chamavam de "Mãe".

Entretanto á algumas semanas atrás finalmente decidi visitar a Rússia, transformando em realidade um sonho que pode-se dizer que vem comigo desde tenra idade, e o sentimento com que fiquei, sinceramente foi de decepção.

Estava á espera de um país com uma civilização bastante mais evoluída, disciplinada, eficiente, afinal milhares de anos de história, uma cultura riquíssima só poderia conduzir a isso, mas o que encontrei foi um povo na sua esmagadora maioria, extremamente antipático - a roçar o agressivo por vezes, desorganizado, minado pela desigualdade social e pela corrupção, e totalmente intolerante, quer para consigo próprio quer para com os estrangeiros.

Visitar a Rússia é uma tarefa que requer muito sangue frio e muita persistência, a começar pelo processo do visto. Obter um visto de entrada no país, não é bem como visitar o Brasil, ou os Estados Unidos, ou qualquer outro país dito normal. Não existem vistos "implícitos" á entrada no país, é necessário ter tudo preparado com antecedência, e ter um visto já emitido pela embaixada Russa em Portugal, coisa que também não é fácil. Acho que o conceito de turismo é algo que ainda lhes transcende, a ideia de que um estrangeiro queira abandonar o seu país e visitar a Rússia parece que lhes causa estupefacção, não por a Rússia não ser um país visitável - antes pelo contrário, têm um orgulho desmesurado no seu país - mas porque não vêm porque é que têm que tolerar estrangeiros a lhes invadir o espaço a visitar minuciosamente a sua terra e a tirar fotos a tudo.
Para visitar a Rússia não basta ter vontade, é necessário um convite para justificar o visto, um convite de uma entidade russa "idónea" que genuinamente expresse a sua vontade em receber o estrangeiro no país (por uma não tão pequena soma em rublos, é claro). Então, tendo todos os documentos necessários, o próximo desafio é conseguir chegar á embaixada e tentar dar início ao processo.
Chegado á embaixada russa, deparei-me com um pequeno aglomerado de gente á porta. Não havia filas, a ideia que fica é que a ultima pessoa que chega decora quem é que estava primeiro, e assim respeita-se uma ordem de chegada. Perguntar a um russo presente como é o funcionamento da "coisa" é totalmente indiferente - os que lhe responderem, vão dizer com um sotaque muito próprio "não falo português" e todos vão olhar-te com cara de desprezo. Pensas que é normal, fila para consulado é desagradável em todas as partes do mundo, é uma daquelas verdades absolutas, como a de todos os taxistas de aeroporto serem vigaristas. Sem respostas possíveis, e com as portas todas fechadas, só me restou esperar um pouco a ver o que acontecia, e então, passados poucos minutos apareceu um segurança á porta com ar de não russo (mas ainda assim austero e distante), ao qual rápidamente me dirigi a perguntar como é que funcionava aquilo, e então ao perceber que eu não era russo imediatamente desagravou um pouco o ar carregado que trazia de dentro e disse que já me chamava, e fê-lo. Lá dentro bastava enfrentar o funcionário da embaixada que me atendeu do outro lado de um guichêt de vidro grosso, sem qualquer abertura para comunicação que era assegurada por um intercomunicador antiquado que ligava-se quando ele carregava num botão.
A primeira coisa a reparar é que os protocolos de comunicação (e de boa educação) ocidentais não se aplicam ali. A um "bom dia" tradicional quando se inicia uma conversação mais ou menos formal, nada é respondido, apenas uma cara tão ou mais gravosa do que á segundos atrás, como se tivesse acabado de dizer um disparate.

- Era para pedir o visto de turismo para a Rússia.
- Documentos! (Disse o burocrata em tom autoritário)

Rapidamente entreguei os documentos todos, não fosse ele desistir de me dar o visto por demorar mais do que 10 segundos (afinal a fila de gente para pedir vistos contabilizava exactamente zero pessoas).
Só existem dois prazos para emissões de visto, o normal de 10 dias que custa 35 euros e o urgente de 48h que custa 70 - nem mais nem menos, e a embaixada está fechada ás tardes, ás terças-feiras, aos feriados portugueses, aos feriados russos, ás cimeiras da nato, e a todas as alturas que manifestamente não lhes dê muito jeito estar ali. Então, a não ser que se trate da coisa com muita antecedência, o provável é ter que se pagar o dobro do que seria normal.
Pagar: eis uma particularidade digna de um sketch do gato fedorento. Não se aceita dinheiro como forma de pagamento na embaixada (?!), apenas multibanco. Mas se o cidadão "optar" por pagar por multibanco, terá que lhe ser cobrado uma taxa extra de cerca de 1% do valor... É normal aparecerem cidadãos russos, que não dispôem de cartão multibanco português a pedirem a outros que lhes paguem valores em troca de dinheiro.
Dois dias depois (na verdade não são 48 horas, porque com feriados russos e portuguêses e fins de semana, 48 horas podem facilmente se traduzir em 6 dias) fui lá buscar o tão almejado passaporte com o visto lá colado, papel que custou os olhos da cara e está escrito em cirílico, mas que garante que não és expulso da russia no momento em que chegares ao aeroporto.
Todo este processo aqui resumido, demorou-me mais ou menos duas semanas, entre quatro idas á embaixada russa, com vários olhares agressivos e com várias perguntas não respondidas devia-me ter preparado para a realidade do país para onde me preparava para ir...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Desejo para 2011


Um dos meus desejos para 2011 era que esta quadrilha fosse presa, ou se demitisse, ou genéricamente desaparecesse e deixasse de destruir o meu país. Será que vai acontecer?

(Faltam muitos crominhos nessa fotografia, mas foram os primeiros de que me lembrei. Se fosse colocar aqui a foto de todos os vigaristas da nossa praça, não tinha mais espaço no meu blogue)

Bela campanha



Bela campanha, para uma cidade maravilhosa, que tem um espaço especial no meu coração e deixa sempre saudades.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Jonas vs. Ensitel


Andei uns dias aqui pela minha terrinha a rever família e amigos e como tal meio que distante das internetes, porque há aquele tempo na vida de uma pessoa em que ela tem que passar um tempo sem olhar para o quadradinho preto com letras ás cores, sob ameaça de lhe fugir um bocadinho da tão preciosa sanidade mental. Mas como um vicio que nos consome (ai meu querido maço de camel, já vão 3 anos...) não dá para ficar muito tempo sem retomá-lo.

Então eis que volto ao convívio da internetosféra e descubro que a Jonas conseguiu nada mais nada menos do que colocar a ensitel (conhecida marca de lojas de telemóveis) totalmente de joelhos, ao invocar o poder da internet.
Tal como filme de banda desenhada, quando o herói é confrontado com o super vilão e manda lá um grito e fica com super-poderes, a Jonas lá publicou no seu blog que tinha recebido uma intimação judicial originada por queixa da Ensitel junto das autoridades no sentido de remover os posts que tinha colocado no seu blog acerca de uma má experiência enquanto consumidora. Não tendo ideia do que a palavra "censura" significa no contexto da internet, e da quantidade de má vontade que isso gera de quem faz da internet um essencial meio de expressão (quase toda a gente, hoje em dia), a ensitel conseguiu transformar toda esta situação num pesadelo de relações públicas, pondo toda a blogoesfera a escrever acerca deles de uma forma profundamente depreciativa, gerando uma chuva de criticas por parte dos utilizadores do facebook, fazendo com que #ensitel fosse a hashtag mais mencionada pelos utilizadores portuguêses do twitter, e aparecendo com esta triste história nos noticiários de todas as televisões nacionais.

E isto tudo, porquê? - Porque não quiseram trocar uma porcaria de um telefone que estava defeituoso a uma cliente, podendo ter evitado toda esta situação. Porque são déspotas e ignoram o verdadeiro poder da opinião dos clientes, e acharam que com tácticas de bullying poderiam calar a crítica de quem se sentiu enganado como consumidor, e sentiram-se suficientemente á vontade para entregar o assunto aos advogados para amedrontar as pessoas.
É que normalmente esta coisa de chamar advogados costuma assustar: escreve-se uma carta intimidatória, o cliente assusta-se, não está para ter problemas e faz o que o bully quer. Agora foram bater na pessoa errada, alguém que tem o poder de invocar o poder da internet em sua defesa.
Claramente não têm lido notícias, e não estão por dentro do fenómeno EUA vs. Wikileaks, em que uma tentativa de censura fez com que surgissem mirrors do wikileaks por todo o mundo aos milhares, fazendo com que uma tentativa de censura resultasse na prática da multiplicação da informação danosa que se quis remover em primeiro lugar.

Temo que isto tenha sido um golpe demasiado grave para que a ensitel ainda se consiga levantar, até porque já á dois dias que isto corre e claramente não há nenhuma reacção deles no sentido de minimizar os danos.

Toda esta situação, que eu acho nada mais nada menos do que revolucionária, mostra o poder que realmente todos temos, enquanto comunidade digital, contra agentes opressores, sejam eles governos, empresas ou individuos. É um poder que muitas vezes é mal utilizado e que muitas vezes também não resulta em nada, mas que não é de desprezar.

Um autêntico case study, para que se aprenda, e para que empresas como a ensitel reflitam no tratamento que andam a dar aos clientes, e para que reparem como é tão fácil que as suas más práticas caiam na boca do mundo e danifiquem permanentemente a imagem de marca e penalizem a performance financeira da empresa.

E claro, porque ninguém gosta de bullies.

Já agora, e por falar em censura, quando é que o Assange divulga no wikileaks as escutas do processo da face oculta? Era giro ver como o nosso governo anda a nos tramar a todos e a beneficiar os amigos sucateiros e bandidos afins.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

De volta e já agora, feliz natal!

Feliz natal mundo! Hoje é dia 23 de Dezembro, logo é a noite do mercado aqui na minha linda terrinha, e que bom é estar de volta a casa!!

Por alguma razão agora lembrei-me desta música, que por imensas razões me faz lembrar um natal bem feliz. (Os videos do George Michael e da Mariah Carey já são demasiado vulgares).



Feliz natal!!!

domingo, 14 de novembro de 2010

Adeus avó


Dez anos depois, Deus fez-lhe a vontade e fê-la partir para junto da filha e do marido. Hoje aquelas palavras de incredulidade ecoam na minha cabeça, quando no dia do funeral da filha dela, perguntava com a boca com um misto de saliva e lágrimas "porque é que Deus me deixa aqui e me leva a minha filha querida". Aquele dia foi o ultimo dia em que vi a minha Avó como sempre a conheci: forte, trabalhadora, imbatível e cheia de fé numa vida de felicidade, num Deus a quem sempre foi profundamente reverente.
Já tinha enterrado o marido sete anos antes, mas nada a preparou para enterrar uma filha, e isso destruiu-a por dentro, acabou com a esperança, com a vontade de viver. Já tinha Alzheimer num estado primário, e quando deixou-se caír na melancolia, foi como deixar-se consumir pela inevitabilidade e pedir um favor ao seu Deus que a levasse assim que pudesse.
Não pode ser mais cedo, foram dez anos a deixar-se consumir por uma doença que a foi tomando a pouco e pouco, retirando-lhe primeiro a memória, depois a noção de identidade, depois o conhecimento sobre as pessoas que a sempre a rodeavam e sempre lhe quiseram bem.
A minha avó já não me reconhecia á pelo menos uns três anos. Olhava para mim, tratava-me por "senhor". Na época para onde regrediu, ainda vivia com as suas duas filhas e com o marido, logo não fazia sentido entrar ali em casa um rapaz feito a lhe chamar de "avó". Dizia-lhe que era o Nelinho (nome pelo qual a minha família ainda me trata), o filho da Isabelinha, sua filha. Acenava a cabeça com o seu olhar doce mas desconfiado respondendo assertivamente "ahhh!!", mas ficava com a nítida impressão que ela achava que eu era maluco, e um maluco nunca se contraria.
Reconhecia quem lhe era mais próximo, a filha Maria que lhe "atentava" e o outro filho da Isabelinha, o "ilhiço".
Não são características propriamente elogiosas, mas daquelas palavras extraía-se um carinho infinito, um amor a toda a prova.
A Dona Isabel nunca foi mulher de lamechiçes. Filha mais velha de uma família de imensos (acho que eram 8) sempre foi habituada a olhar a dificuldade nos olhos e ultrapassá-la. Cedo aprendeu a trabalhar a terra que os meus bisavós tinham no Porto da Cruz, e a cuidar dos seus irmãos mais novos. Sempre tive a ideia de que "baboseira" não era coisa que se costumasse dar, por isso é que sempre foi tão avessa a mostrar as suas emoções. Em casa quem mandava ela, nunca ninguém duvidou disso. Era forte e decidida, e deixava o meu avô a uma posição mais de apenas ter poder de veto, mais do que capacidade legislativa.
Não teve as atitudes certas sempre, era por vezes demasiado rígida e castigava-nos por destruirmos-lhe as flores com a bola de futebol e outros quaisquer objectos arremessáveis que eu e o Nelson nos lembrassemos de usar nas nossas brincadeiras. Eu costumava dizer a chorar que ela gostava mais das suas plantas do que dos seus netos. Não era verdade, claro (apesar de amar plantas e ter um pequeno jardim botânico na casa do Porto da Cruz). Amava-nos e mimava-nos com todas as suas forças e protegia-nos de tudo e de todos, e fez com que a minha infância feliz tivesse a cara dela projectada em todas as lembranças. Não gostava no entanto de mostrar fraqueza, porque isso era coisa de gente pequena. Quando em cada final de verão, ia me por ao autocarro para eu voltar para o Funchal, fechava os dentes e lutava com todas as forças para não chorar, mas acabava por deixar caír uma lágrima, e quando eu olhava pela janela do autocarro e via-a a acenar-me, não deixava de reparar que o sorriso e o aceno que ela fazia por força maior, eram totalmente contrastantes com os seus olhos tristes.
Fazia uma comida maravilhosa, e uma sopa que eu simplesmente adorava. Dava-me comida na boca apesar de eu já ser mais do que auto-suficiente para pegar na colher, vendo o meu sorriso e os protestos insistentes da minha mãe que dizia que ela "estragava-me". Nunca ia dormir sem rezar o terço e sem antes deitar-me na cama de palha que tinha sido da minha mãe e da minha tia, dar-me um beijo na testa e aconchegavar-me na cama. Nunca dormi mal naquela cama dura de palha, os meus sonhos eram sempre alegres.
Tinham um casamento feliz, e uma complicidade rara. Eram os opostos, mas entendiam-se como ninguém. Nunca na minha vida ouvi-os trocarem uma palavra amarga, ou a fazerem um gesto de menor respeito para com o outro. Até quando o meu avô apanhava as suas recorrentes bebedeiras na tasca da cruz, quando caia a noite, a minha avó subia a estrada e ia buscá-lo e trazê-lo para casa. Vinha pela estrada a baixo a "trompicar", com a minha avó a segurar-lhe pelo braço para que não se afastasse demasiado da beira da estrada. Olhava para isso como a sua missão, tratar da família: primeiro os irmãos, depois os pais, o marido, as filhas e finalmente os netos.

Quando a minha mãe morreu, toda a gente nos bateu com a porta. Andei de casa em casa a pedir a todos os que achava que nos eram queridos que me ajudassem a cuidar do meu irmão, mas ninguém nos estendeu a mão. "É demasiado reguila...", "Já tem 11 anos, se fosse um bocadinho mais novo...", "Já não tenho idade para cuidar de crianças, lamento"...
Quando todo o chão que havia no mundo se desmoronou debaixo dos meus pés, coube como nunca podia ter deixado de ser, ao pilar mor da família a tarefa de cuidar do seu mais fágil membro, e aceitou-o sem mais reservas, e com o pragmatismo que sempre teve: "Estamos cá uns pelos outros, família é isso".

Não foi fácil, cuidar de uma criança á medida que sentia que a doença a consumia, retirando-lhe aos poucos a chama de viver. Acho que o que lhe restava na vida era garantir que ficava completo o trabalho que a minha mãe não tinha conseguido terminar, que era ver o meu irmão adulto e no caminho certo. E aí pode descansar...

Foi sepultada numa encosta da terra onde viveu a sua vida toda, com uma bela vista para o mar.

Um beijinho avó, vamos ter muitas saudades tuas...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E lisboa nunca mais foi a mesma...



João Serra, o famoso senhor do adeus, faleceu ontem aos 80 anos. Estava todos os dias, vestido a rigor no saldanha a dizer adeus ás pessoas que por lá passavam. Toda a gente acenava de volta. Um gesto que mesmo tão simples colocava na cara de quem passava um sorriso.

E lisboa nunca mais foi a mesma...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


Hoje sinto que perdi um pedaço de mim
que uma grande parte de mim se desvaneceu
Quando todas as outras portas se fecharam
tu abriste-me a tua, cuidaste de mim como
ninguém e hoje em dia o que sou devo a ti
fizeste-me passar bem pelos momentos mais difíceis
e estavas lá para mim quando pouco mais eu tinha!
Vivias para dar o que podias,
Trabalhavas imenso…
Sempre foste uma mulher de armas,
e nada te podia faltar enquanto trabalhavas
Tudo o que fazia era bem feito!

Tinha o seu feitio,
Mas a isso, nada lhe era combatido
Pois, quem mal aos seus fizesse,
a ela a incitava.
Perdi-a…
Com imensa dor que não recupero,
mas a ela, neste Mundo tudo devo

Espero que para onde vás, alguém
cuide de ti como tu dos outros cuidas-te
A ti desejo-te tudo de bom!
e que algum dia nos reencontremos!

:(
Décio

Começou assim

 

Á uns anos atrás, andava eu na escola secundária e o meu professor de informática da altura (um porreiraço, dava-me boleia para a escola para não ter que subir o caminho do combóio a pé) emprestou-me este livro. Ainda estou para lhe entregar, quando o vir vou certamente lembrar-me disso (e do nome do homem, esperemos).

Hoje em dia não programo mais em basic, brinco com coisas bem mais giras, no entanto foi o que me fez despertar para o que hoje é a minha profissão (e acho que tenho algum jeito, modéstia á parte).
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Casa nova

 

Hoje cheguei a casa ás nove e meia da noite, coisa rara. Não chegava tão cedo a casa desde... bem, desde que me lembro na verdade. Desde que cheguei aqui á capital sempre fui morar para cascos de rolha, primeiro para os lados de queluz, depois (achando-me fino) para cascais. O resultado disto é que estás sempre refém de ter que pegar no carro para chegar a casa, e se trabalhares ás mesmas horas que o povaço estás tramado que vais ficar no trânsito como toda a gente.

A modos que vir para mais ou menos perto do trabalho e não ter que pegar no carro todos os dias, é algo de verdadeiramente refrescante. Pena a vista, só se vê prédios daqui, bah!

Mas não se pode ter tudo, não é verdade?
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Chilling



Ainda me lembro da primeira vez que ouvi esta música. É daquelas músicas que deve-se ouvir num carro com um bom conjunto de colunas a um volume bem generoso.

Gosto especialmente de fazer o trajecto pela marginal á noite a ouvir isto.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Gosto de palavrões

O título não é meu, se bem que tenho o hábito de soltar um palavrão, fora do seu contexto concreto e significado, claro está :)

O texto é do Miguel Esteves Cardoso e é brilhantemente lido por Miguel Guilherme. Porquê o vídeo e não uma cópia do texto? Porque a cópia do texto provávelmente faria com que este blog deixasse de ser susceptível de ser lido por menores.

Divirtam-se :)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tempo

O tempo é como um punhado de areia, por mais que se tente segurá-lo na mão ele arranja sempre forma de se escapar por entre os dedos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Shift to reverse


Love it!

Quanto se pouparia com isto?


A verdade é que pagamos tanto por um trabalho de tão pouca qualidade da nossa classe política. Os suecos podem dar umas ideias aos políticos cá de baixo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Balada de Hill Street



Vi no outro dia o primeiro episódio da Balada de Hill Street, que passa agora no canal Fox (presume-se que o leitor tenha tv por cabo, ou que tenha mais de 30 anos). Para quem não sabe, e há de haver muita gente nesta circunstância, a Balada de Hill Street foi uma série de 1981 (que depois se prolongou por várias temporadas) que mostrava o dia-a-dia de uma esquadra de polícia num bairro pobre de Nova Iorque. Era fanzaço da série, porque na altura em que passou na rtp madeira eu devia ter entrado á pouco na escola e aquilo tinha polícias e ladrões, carros em perseguições, e polícias que rosnavam aos bandios, e um gatinho que miava no fim. A, e a super mulher no elenco.

Do argumento pouco mais me ficou na lembrança do que já descrevi, por isso é curioso assistir á mesma série passados vinte e tal anos. Sendo uma série que essencialmente dramatiza o quotidiano, é uma tarefa engraçada assistir aos episódios e fazer um exercício de "descubra as diferênças", senão vejamos:

- Em 1981 era permitido fumar em todo o lado, transportes, bares, restaurantes, e esquadras da polícia. Aliás, parecia ser uma coisa meio que socialmente bem aceite, já que na série parece que toda a gente fuma.
- Calças justas á boca de sino presas pelo umbigo, era coisa que se via por todo o lado, e aparentemente dava um ar macho ao seu utilizador.
- Bigodaços fartos eram um acessório de moda imprescindível para todo o homem que se quisesse afirmar como moderno.
- Telefones fixos com marcadores rotativos eram coisas do dia-a-dia (o primeiro telefone lá de casa, em 1984 era daquele género).
- O David Caruso, o famoso Horatio Caine do CSI Miami fazia um papel ridículo de lider de um gang de jovens irlandeses (?!) chamados "the shamrocks" e vestia-se de gnomo, exibindo com orgulho um chapéuzinho verde e a sua famosa cabeleira vermelha.
- Em suma, toda a gente parecia saída de um vídeo dos Village People.
- Já haviam pagers em 1981, o que me deixou estupefacto. E para que serviam? Para interromper alguém que ia imediatamente meter um "quarter" na cabine telefónica para telefonar ao remetente.

É curioso também olhar para os episódios de uma forma mais global e ver que á 30 anos atrás falavam-se essencialmente das mesmas coisas que se falam agora, da corrupção na política, da falta de oportunidades de emprego, da exclusão social, do fosso entre ricos e pobres... na verdade a condição humana é uma coisa meio que intemporal, e tenho a certeza que uma criança que hoje assista ao CSI e reveja a série daqui a 25 anos vai ver que, tirando o facto de as pessoas deixarem de se vestir de forma tão ridícula, continua tudo igual, somos todos o que somos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

33

Com alguns dias de atraso, mas ainda assim a tempo útil, aqui esta um marco importante: 33 anos de Nélio, 3 anos de pasquim.

Este ano decidi voltar á terrinha e voltar a celebrar o meu aniversário entre os "meus", e a verdade é que á muitos anos que não me sentia tão feliz num aniversário. Ter connosco aqueles que tu tens a certeza que estarão sempre lá por ti é algo que simplesmente não tem preço, e enche o coração.

Um beijo a todos que fizeram deste dia um dia especial, do fundo do meu coração.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

So we're screwed!


Ao que parece estamos no mesmo ponto em que estava a Grécia, um mês antes de o FMI entrar por lá dentro... bonito, bonito.

Risco de Portugal igual ao da Grécia um mês antes da ajuda do FMI

Vou já começar a poupar dinheiro para pagar ao Zé, para os impostos que ele diz que não vão aumentar. Será que é desta que aquela quadrilha se demite, ou vai ser outravez a tal da conjuntura que vai mudar nas próximas 4 semanas sem que ninguém o previsse?

Bloqueio literário

I want to wake up, in a city that doesn't sleep...
Pensamentos não faltam, isso posso vos garantir... no entanto parece que o filtro que faz com que não venha para aqui despejar o meu âmago aos 7 ventos está mais forte do que nunca.
Não posso falar de política, bola ou computadores, não posso falar de musica, cinema, arte... é tudo demasiado cliché.

Faço anos na semana que vem, comprem as vossas prendas :)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Grande Braga!

Há que tirar o chapéu ao Braga, que com uma equipa comprada nos saldos conseguiu despachar ontem os espanhóis do sevilha com uma pintarola! :)
Sabe sempre bem ver como com talento, esforço e dedicação consegue-se atingir os objectivos, mais do que com os rios de dinheiro que benfica, sporting e porto enterram nos seus plantéis.

Tiro o chapéu principalmente ao Domingos, que resistiu á tentação de ir beijar o anel ao pinto da costa e permaneceu no projecto que ele próprio tinha criado. É extremamente gratificante ver o Braga a jogar, e espero sinceramente que cheguem muito longe na liga dos campeões, e não me importo muito que ganhem o campeonato, sou franco.

E ficou um gostinho doçe na boca de ter sido contra o sevilha. Andavam os espanhóis a dar olés de contentes a achar que iam ser feijões contados, e pimba: apanharam uma lição de bola para contarem aos netos, por muitos anos que vão vir.

Confesso que gosto de ler a imprensa desportiva espanhola depois de qualquer derrota contra equipas portuguesas. É algo que não lhes desce muito bem no estómago e que confesso - dá me algum gozo. É como ir ler o jornal "O Jogo" depois de uma derrota do porto - tresanda a azia e a mau perder.
Portanto, é óbvio que fui ler o "A Marca" online para ver o que os espanholitos tinham achado do banho de bola, e eis que leio:
"Que te meta cuatro goles el 'SuperrequeteBarça' en el Camp Nou es una cosa, por mucho que uno claudique en el túnel de vestuarios, pero que te vengan unos brasileños disfrazados de portugueses y te enseñen, uno por uno, los fundamentos de este deporte, es cosa seria."
Não contendo a gargalhada, descobri que os nossos vizinhos ainda estão em fase de negação, e talvez ao mascararem o Braga de "brasileiros disfarçados de portugueses" consigam suavizar a azia. Por hoje acalme-se a nação espanhola, haviam brasileiros sim, nós deixamo-vos pensar isso se isso vos deixa menos frustrados. Não se preocupem, o luto tem 5 fases e a última é a Aceitação.

Quanto á nóssa própria imprensa, a grande generalidade se mostrou orgulhosa do feito e deu-lhe amplo destaque, principalmente a imprensa desportiva. Triste foi ver que que o jornal "Record" na sua edição de hoje, não soube dar o mérito devido ao Braga, e colocou em destaque um tipo qualquer que supostamente interessa ao benfica... muito triste, meus senhores, muito triste.

E mainada! Vivó Braga!!! :)

PS- espero que com os milhõezinhos que vão receber agora da uefa, comprem um lateral esquerdo como deve de ser. Aquele que vocês têm lá mete medo!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ser "emigrante"


Acho que ao fim de 15 anos a andar para cá e para lá a toda a hora e a morar em todo o lado menos em casa começa a fazer mossa. É muito giro estar sempre a conhecer sítios diferentes e pessoas diferentes... mas de repente chegas á conclusão de que não pertences realmente a nenhum sítio senão ali. Os teus amigos de sempre, a tia que te faz bolos sempre que vais lá a casa e que tem o sofá mais confortável do mundo que faz com que adormeças 2 minutos depois de tentares ver televisão, os amigos de escola com que te cruzas na rua e te cumprimentam, e todas as pessoas que vês na rua, que falam como tu, que têm a mesma base cultural. Ser madeirense não algo que se adquire, algo que nasce contigo, o resultado da simbiose de ti com a tua terra, que te dá a certeza absoluta de que não há nada mais bonito do que a tua ilha. Posso andar pelo mundo todo (e já tenho a minha quota parte de km's percorridos), mas ao saír do avião a brisa que paira no ar, o cheiro da minha terra ainda me dá vontade de chorar, faz-me lembrar de onde sou, e faz-me questionar porque que passo tanto tempo longe de mim próprio.

Tenho saudades de tantas coisas que nem sem por onde começar...

Dance Me to the End of Love


"(...) beside the crematoria, in certain of the death camps, a string quartet was pressed into performance while this horror was going on, those were the people whose fate was this horror also. And they would be playing classical music while their fellow prisoners were being killed and burnt. So, that music, "Dance me to your beauty with a burning violin," meaning the beauty there of being the consummation of life, the end of this existence and of the passionate element in that consummation."
Leonard Cohen,  about the song

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio



Encontrar o António Feio na rua era uma sensação estranha. Não era como encontrar um qualquer actor famoso ou personalidade da televisão, era como encontrar alguém que se conhece. Cruzei-me algumas vezes com ele no metro ao final do dia, provávelmente dirigia-se para casa, e antes de realizar que de facto era o António Feio, a sensação que tinha era de o conhecer á muito tempo e a tendência era comprimentá-lo, como se faz a um amigo.

Conhecia-o de facto desde criança, fazia-me rir como ninguém com o seu brilhante sentido de humor. Tinha uma serenidade ímpar, um sorriso que transmitia alegria. Cresci com as suas peças, com as suas comédias brilhantes, fazia-me doer o estómago por tantas e tantas vezes com o seu jeito invulgar de quem por um lado sabe o que faz, mas que pelo outro ainda se admira com a capacidade que tem de fazer os outros tão contentes.

Hoje estou triste, sinto que perdi um amigo de sempre. O António abandonou-nos á umas horas atrás. Até um dia!


terça-feira, 27 de julho de 2010

Formula 1

"Yepieeeee!!! Papá me compró este trofeo"
Este fim de semana percebi o porquê de não assistir a uma corrida de formula 1 á uns bons 15 anos - aquilo tem mais batota que as corridas de bicicletas.
Então ia o Filipe Massa quase a cortar a meta em primeiro quando o team manager da ferrari diz-lhe por rádio para encostar e deixar o espanhol ganhar... Wuhuuu, grande vitória para o Alonso, sim senhor, muito bem! clap! clap!

Esqueceu-se a equipa italiana de que este grande prémio da alemanha era o primeiro em que as transmissões de rádio eram abertamente disponíveis para as televisões, e durante algum tempo tentaram manter a farsa dizendo que o brasileiro enganou-se e meteu 3 marchas seguidas, e o Alonso aproveitou... Pena para eles que milhões de telespectadores á volta do mundo ouviram exactamente, palavra a palavra o que Alonso se queixou ao chefinho (que Felipe Massa não o deixava passar) e como o chefinho Rob Smedley disse ao Massa para esquecer a corrida.

Quando perceberam a porcaria que tinham feito, em vez de fazer um mea culpa e assumir alguma coisa da trapalhada que tinham feito, acusaram os que lhes apontaram o dedo de hipocrisia, de que combinar resultados entre equipas (apesar de ser abertamente contra as leis da competição, e do ponto de vista desportivo... ridículo) é uma coisa que sempre existiu na F1 e que sempre existirá... bom saber disso!

Querem hipocrisia? E que tal andarem sozinhos nas pistas, sem publico sem nada? Ia ser porreiro, tipo amigos a se juntarem para umas corriditas de fim de semana, em que se queima muito pneu e se torra muito dinheiro.

É interessante saber que no que toca a ganhar, na Formula 1 não se olham a meios para atingir os fins. É uma questão de tempo até o castelo ruir. Por mim, prefiro ver o nosso campeonatozinho da treta onde se compram árbitros com err... fruta. É mais honesto assim.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A verdade acerca dos cursos universitários


Do meu, pelo menos...

Mulheres

Sou um profundo admirador de mulheres.

Bela forma de começar um post, hein? O estimado leitor deve estar agora a pensar "hummm, rebarbado!!!, deves mandar poucos bitaites as moças que passam na rua!" mas não senhor, não sou desse estilo.

A verdade é que sempre cresci em torno de mulheres, e são elas a grande maioria das meus exemplos de vida. A minha mãe era a pessoa mais forte do mundo, e não havia nada que nos acontecesse enquanto ela estivesse por perto, por mais cobarde que fosse o marido, por mais ruim que fosse o emprego, por mais negra que parecesse a vida. Conseguiu criar dois filhos, aturar um marido, gerir uma família, resistir a uma doença, e sempre com um sorriso nos lábios. A minha mãe é a minha heroína e sempre há de ser, não há volta a dar.
Outra inegável verdade é que também todos os modelos masculinos da minha infância eram uma cambada de preguiçosos imprestáveis e ignorantes, á excepção do meu querido avô materno, que mesmo sendo a excelente pessoa que era (e eu adorava-o e vou sentir para sempre a sua falta) não deixava de ser um cobarde que em vez de enfrentar os seus problemas recorria mais vezes do que devia ao copo de vinho.
Nenhuma mulher da minha família algum dia foi de virar a cara á luta, trabalhava de sol a sol para poder dar conforto aos seus filhos, e agradecia a Deus por mais um dia em que eles tivessem saúde. Em todas as ocasiões o excesso de trabalho, a dedicação aos outros significou um detrimento irremediável dos seus próprios objectivos pessoais, mas sempre em favor de valores mais altos, e orgulho-me de dizê-lo, que em tantas ocasiões, eu fui um dos valores mais altos, e isso me alegra profundamente.

Devo ás mulheres da minha família materna a minha educação e todos os principios em que acredito e pelos quais me rejo.

A esmagadora maioria das minhas melhores amizades são mulheres, e muitas vezes ponho-me a pensar no porquê disso - porque se calhar a parte do corpo na qual eu prefiro que me toquem é o cérebro, e porque verdadeiras amizades, tal como verdadeiros amores, só existem quando há uma boa dose de admiração pela outra pessoa.

Tenho a honra de ter na minha vida imensas mulheres que todos os dias me enriquecem mais um bocadinho, com a sua nobreza, com a sua coragem, com a sua sensibilidade e com o seu carinho. Gente que não vira as costas á luta e que não se deixa ir abaixo perante as maiores adversidades, sejam ela quaisquer que sejam - e encontram todos os dias uma razão para se levantarem da cama, porem-se bonitas e enfrentarem a vida de frente.

"Não peço por um fardo menos pesado, mas sim por ombros mais largos"



Esta é uma das minhas musicas preferidas, recuperada da minha memória e quase esquecida durante anos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

¡¡¡Campeones, campeones!!!

Os espanhóis são como aqueles nossos vizinhos chatos que estão sempre a fazer barulho no prédio, que não nos deixam dormir quando temos que acordar cedo no outro dia e que muitas vezes não nos apetece deixar a porta do elevador para que subam connosco. Ainda assim, volta e meia vêm nos convidar para a festa ou dão-nos um bocadinho de bolo de aniversário. A verdade é que são e vão ser sempre nossos vizinhos e vamos ter que gramar com eles quer queiramos quer não.

Por isso, é de bom vizinho dar os parabéns por um feito histórico notável. São campeões do mundo e têm muito mérito nisso.

Parabéns a la roja!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Já fomos...

Perder contra os espanhóis nunca é bom, é algo que está enraizado na nossa cultura quase milenar. Os miras já andam á quase 900 anos a querer tomar conta cá do burgo e isso parecendo que não, torna-se desagradável.

Facto é que, eu sou madeirense, e como tal para mim um espanhol é apenas mais um estrangeiro, aliás acho que a primeira vez que vi um foi quando um guarda fronteiriço espanhol deixou-me por o pé em terras espanholas apesar de não ter passaporte, aos 11 anos, daí que também não faz muito sentido eu andar a embirrar com eles. É um povo bacano e o facto de eles nos ignorarem na maior parte do tempo tem mais a ver com a nossa mania de inferioridade do que com qualquer outra coisa.

No entanto, não me agrada especialmente perder no futebol contra nuestros hermanos, mesmo sabendo que eles jogaram melhor e portanto mereceram, e que a nossa equipa consistiu de 9 imbecis e 2 jogadores da bola, com um acéfalo a gerir a estratégia.
Continuando, lamento mas não vou torçer por "la roja". Por fortuna do destino devem conseguir chegar ás meias finais, já que o Paraguai, o anexo pobre do Brasil é demasiado suave para a equipa espanhola, mas estou certo que num dia normal nunca conseguirão eliminar uma Argentina ou uma Alemanha. No entanto espero que os espanhóis percam já com o Paraguai, já chega de ter que aturar aquele ego hiper-inflado desde que ganharam a porcaria do campeonato da europa á 2 anos atrás. Ah, e se não for pedir muito, que percam com um auto-golo desse capdevila... melhor, dois auto-golos!

Uma palavra final em relação ao palhaço do juan capdevila: jogadores destes não fazem falta nem bem nenhum ao futebol, que é um jogo bonito. A Espanha ia ganhar na mesma, e com mais mérito, por isso mais do que manchar o jogo em si, manchou a virtude da sua própria equipa. Não vai ser por causa disto que o Ricardo Costa sairá do mundial com mais ou menos mérito, mas este jogo vai ser lembrado por ter sido o jogo em que perdemos com a Espanha, em que o queiroz foi cobarde mais uma vez, e em que o capdevila atirou-se para o chão feito puto birrento com lágrimas de crocodilo. Os espanhóis estão se a cagar para isso, eu sei, e pouca moral têm os portugueses para apontar isto quando foi o próprio Cristiano Ronaldo que á 4 anos numa total imbecilidade fez com que o Rooney fosse expulso num jogo contra a Inglaterra... no entanto eu ainda me lembro desse jogo, que ficou tão marcado pela vitória portuguesa como pela falta de fairplay do meu conterrâneo, e desse carimbo ele nunca mais se livra.
Para o restante campeonato, a minha aposta vai claramente, e por motivos emocionais para a selecção canarinha, que espere que chegue á final e que despache os argentinos (que jogam que se fartam, diga-se de passagem). Eu sei o quanto é importante o futebol e o campeonato do mundo naquelas paragens, e muito francamente acho que aquele povo merece essa alegria. Já fui tirar da gaveta a camisola da selecção brasileira, que guardo ao lado da do meu glorioso. Força Brasil!!

PS: Alguém me arranja uma camisola da Argentina? São giras que se fartam! :)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Família



Á muitos anos atrás, esta música fazia-me sonhar, a olhar á noite pela janela. Isto foi mais ou menos na mesma altura que o meu irmão nascia. Hoje ele faz 22 anos. Por alguma razão lembrei-me desta música e deste filme hoje... se calhar porque estou sozinho e porque sinto falta da minha família, de nós 4.

Um grande abraço, fazes de mim um irmão muito orgulhoso. Não vou poder estar hoje contigo, mas em 3 semanas vamos comemorar isso ;)

Quem não viu, o filme é "An american tail" e é das obras mais raras e mais bonitas que já se fizeram. Vejam, vale a pena.

domingo, 20 de junho de 2010

Brasil

Amo a nação verde-e-amarela, e vou para lá sempre que posso. As pessoas têm algo no Brasil que falta em quantidades astronómicas ao nosso povinho cá plantado do lado errado do atlântico - calor humano e alegria de viver.

Concerteza que há desvantagens, certo, senão não voltaria tantas vezes para cá. Há uma insegurança tremenda em qualquer cidade brasileira de tamanho respeitável e há uma enorme falta de civismo latente numa grande faixa de população, ousava dizer a maior parte dela. Os sucessivos governos que têm passado por Brasília fazem por manter o status quo - uma população ignorante não levanta ondas, faz o que lhe manda e não se chateia muito pela cleptocracia geral em que se tornou o poder político tanto federal como estatal. Qualquer cidade no brasil é um misto de pobreza extrema e luxo abundante, e uma serve-se da outra numa simbiose perfeita, que tornará o país perfeito (ou absolutamente miserável) quando se fundir num só. A nação das favelas está ao serviço da nação dos condomínios luxosos, que andam de mãos dadas um com o outro. Os ricos precisam forçosamente dos pobres para manterem o seu estilo de vida, com mão de obra barata e salários altíssimos que lhes permitem ter um nível de vida que um europeu normal nem sonha. Os pobres precisam dos ricos para o seu sustento diário, porque sem instrução nem ambição, nunca na vida vão chegar a algum lado que não seja a mera subserviência ao seu patrão. Ambos os mundos distanciam-se um do outro apesar de inerentemente estarem ligados como gémeos siameses, e não conseguirem viver um sem o outro.

De modo a que qualquer terrinha com o seu bairro chique tem o seu inverso que é a sua favela que lhe serve, e qualquer cientista natural explica fácilmente que toda a lei do mundo tende ao equilíbrio, e mais dia menos dia acredito que é aí que se chegará, a um equilíbrio do sucesso ou no falhanço, esperemos que no primeiro.

Mas como dizem muitos amigos meus cariocas, se não fosse a insegurança, o Rio de Janeiro era o lugar perfeito para morar - era concerteza, mas aí Lisboa teria um problema grave,  pois perderia todo o sentido morar nela.

Voltando ao assunto inicial, o Brasil é meio que a minha pátria adoptiva, se calhar não tanto por eu amar esse país, mas por esse país me amar. Sinto-me mais em casa lá do que na minha terra, e posso dizer com toda a certeza que nunca fui tão bem acolhido em nenhum outro país. Possuindo pouco ou muito toda a gente faz o seu melhor para me receber, e um colchão no chão de uma casa, seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Teresópolis ou em Búzios torna-se no lugar mais confortável para se dormir. Sinto genuínamente que sou benvindo em todos os lugares para onde fico, e quando vou embora, o "volte quando quiser" significa exactamente isso.

No Brasil eu sinto uma alegria de viver por todo o lado, é um país fervilhante de alegria e de vida, algo que muitas vezes falta ao nosso anafado e cinzento Portugal.

Para os meus amigos do outro lado do atlântico, e em especial para os meus queridos anfitriões em Búzios, confessos leitores do meu pasquim, deixo um grande abraço, e a promessa de voltar ao vosso país sempre que puder.

De volta

Regresso ao activo ao fim de umas semanas de férias lá longe, de alguma forma retemperado, de outra forma extenuado. Férias sabem sempre a pouco, mas é bom voltar para exercer uma profissão que se ama, e eu nesse capítulo confesso que não me vejo a fazer outra coisa. Adoro os desafios que a minha profissão me proporciona e não a trocava. Certo que muitas vezes peca por ser algo monótona, por não ser exactamente aquele brainstorming diário que eu sempre achei que deveria ser, nos anos que antecederam a minha entrada na universidade. Sempre achei que a universidade me iria permitir investigar e desenvolver novos métodos, novas tecnologias... pensei de facto, como todo o adolescente que quando crescesse ia mudar o mundo. Afinal acho que o mundo não quer ser mudado, e se calhar também não é assim tão mau para que seja alterado, e eu... confesso: não tenho força para isso.
Durante muito algum tempo achei que iria seguir uma carreira na aviação, o mundo dos aviões fascináva-me verdadeiramente, mas quando chegou a hora da verdade optei por seguir o destino da informática. Já tinha tomado a minha decisão á algum tempo, não foi própriamente tomada a atirar uma moeda ao ar. O desafio mental de criar processos com linguágens de computador era algo que me apaixonava mais do que conduzir aparelhos gigantes e com asas. Muitas vezes dou por mim a pensar no que teria sido diferente se seguisse essa outra carreira... concerteza não estaria hoje aqui á frente deste computador a escrever este post. Será que teria um blog sequer? Seria uma pessoa mais feliz? Mais solitária? Mais triste?... não sei - aliás, nunca vou saber, mas é um exercício mental interessante imaginar como poderia ter sido.

Este era para ser um post sobre o José Saramago que morreu no outro dia, mas acabei por divagar. Também pensei em não colocar pontuação no post em homenágem ao homem, no entanto achei que não o deveria... não consigo, os pontos dão me jeito, confesso.
Não concordava com a maior parte dos pontos de vista do homem, políticos ou não. Muitas vezes vinha lá castelo nas ilhas canárias, localizado no alto do seu enorme ego, mandar postas de pescada sobre o país que tinha abandonado. Acho que lá no meu amago sempre achei que trocar-nos por "nuestros hermanos" era um pequeno acto de traição e nunca dei muita importância ao que o homem dizia. Defendia com teimosia aquilo em que acreditava, era um homem de princípios - e não tinha medo de os afirmar. Por isso, ainda que não concordando com ele, tiro-lhe o chapéu.
Não conheço a sua obra, sou algo avesso a livros, confesso. Sei reconhecer a importância social que teve durante a revolução de 74 e nos anos que se sucederam, e sei reconhecer também a visibilidade mundial que deu ao nosso pequeno país com a sua enorme obra. É bom para o ego colectivo, volta e meia ser mencionado na imprensa estrangeira por algo que não é mau.

Outra pessoa que desapareceu por estes dias foi Maria Aurora. O meu público não-madeirense não fará certamente ideia de quem seja, mas era uma senhora que tinha um programa de televisão na RTP-Madeira, já desde á muitos anos. Chamava-se "Letra dura e arte fina" e era chato como o caraças, principalmente porque interrompia as séries giras de sábado á tarde com coisas "culturais". Na altura não havia playstations ou computadores, e durante muito tempo não tinha bicicleta nem amigos para brincar perto de casa, pelo que tinha que voltar aos meus legos para algum entertenimento de qualidade. Não via o programa dela na altura, nem algum dia o cheguei a ver. Corro o risco de ser chamado hipócrita por mencionar a sua morte aqui no pasquim, mas reconheço-a como uma pessoa bem disposta que me habituei a reconhecer na TV e pelas ruas da minha cidade. O seu trabalho, apesar de não captar a minha atenção, tinha o seu valor reconhecido por milhares de madeirenses espalhados pelo mundo que religiosamente viam os seus programas, e ajudava sem qualquer dúvida a espalhar conhecimento por esse mundo fora sobre a nossa terra. Era também escritora, jornalista e poetisa, e apesar de nascida no continente - uma madeirense de coração. Não há como não homenagear alguém que ama a sua terra e fala dela de forma tão apaixonada - Maria Aurora era assim, e a ela curvo-me respeitosamente.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

All packed

Uma fina selecção de roupa enfiada á pressa para dentro de uma mala junto com um conjunto de outras coisas que poderão ou não dar jeito a um gajo. Estou pronto para atravessar mais um oceano. Agora bora dormir um bocadito :)

Boas férias para mim!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Oh porra...

Uma e cinquenta da manhã... belo momento para a máquina de lavar dar o berro...

Já aceitei a empreitada de arranjar da dita-cuja. Não há de ser muito complicado, já arranjei coisas mais complexas.

Actualização:
Tive que deixar a ferramenta e ir para a cama por falta de material (e excesso de sono). Como a cama é boa conselheira, acordei e voltei á labuta. consegui identificar a peça prevaricadora e arranjá-la. O que era? Uma reles moeda de 10 cêntimos presa na bomba de escoamento.

Sucesso!!:)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O mundo é pequeno

Hoje foi a minha terceira tentativa para tentar ser atendido por um médico no centro de saúde. Das últimas duas os médicos não apareceram, por isso tive que voltar a tentar, mas desta foi de vez, consegui.

Por sorte fui atendido por um médico madeirense, que por coincidência vim a descobrir que era pai de dois amigos meus de escola, com quem não falo á quase 20 anos. Já estive várias vezes na casa do homem, e só agora é que o vim a conhecer, passado tanto tempo.

Fez questão de telefonar para um dos filhos e colocar-me ao telefone. Tem a mesma idade do que eu, teve uma filha por estes dias, fiquei a saber.

O mundo é mesmo pequeno

Saudades


Nestes dias dou por mim a pensar na vida. Sei que é cliché, o acto de pensar na vida... se calhar não. Passamos a maior parte da vida sem nunca na verdade pensar nela. Ouvimos uma musica bonita e lembramos um momento, cheiramos algo na rua e lembramo-nos de um lugar, vemos alguém a dançar e lembramo-nos de uma pessoa. Não sei se o facto de passarmos a maior parte do tempo num estado de letargia faz com que estes momentos sejam mais especiais, se por outro lado passamos a vida num modo de piloto automático por sabermos de facto que estes momentos são tão efémeros que nunca são nossos, são nos emprestados. Passam pela nossa vida para que nos possamos lembrar deles mais tarde. Todos os dias existem milagres que nos saltam á frente mas que nem damos por nada, continuando as nossas vidinhas numa eterna monotonia. Mas a monotonia é uma dádiva se conseguirmo-nos com ela nos abstrairmos da agonia do vazio. O quotidiano serve para equilibrar a mente, serve como contraposto á agonia de deitarmo-nos na cama e ter que pensar. Por outro lado, acordar e ver o sol é como uma forma de o mundo nos dizer que as coisas não são tão más - estás vivo para mais um e vais cá estar para muitos mais.

Faltam-me pessoas, tantas pessoas que passaram pela minha vida, fizeram e vão sempre fazer parte dela. Agonio por pensar que não posso ter toda a gente aqui comigo, agonio por pensar que alguns nem posso ter por perto sequer... e é isso que me enche a alma - pessoas. É isso que me dá razões para viver... no entanto, tal como um cruel agente do destino, há sempre aquela parte de mim que me faz sempre lembrar do quanto sou efémero e de como todos os que me são especiais o são também. Viver com esta certeza de que as pessoas são efémeras agonia-me e revolta-me. Não quero, não aceito. Tenho aquele sentimento sempre presente que vou perdê-los, não quero.

Beleza

Ás vezes, no stress do quotidiano de uma grande cidade, vale a pena parar para observar pequenas maravilhas que brotam por todos os lados sem nos darmos conta. Hoje depois de estacionar o carro e enquanto caminhava para o metro, deparei-me com um cheiro maravilhoso que emanava de qualquer lado. Segui o cheiro e encontrei esta pequena árvore lindíssima.


A meio de grafitis, trânsito, buzinas e lisboetas antipáticos, qualquer coisa de bonito no meu dia.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mais impostos



Não me faz muita comichão pagar mais 2 ou 3 porcento de impostos todos os meses para tirar o meu país do lamaçal, a sério que não me importo. O que me chateia é irresponsabilidade com que ele é gasto pela classe dirigente. De cada vez que o governo acha por bem meter umas notas nos bolsos dos bancários e construtures civís e percebe que fez merda, não tem outra solução em ir aos bolsos da malta do costume, dando uma palmadinha nas costas dizendo "bom rapaz, desta vez vamos usar muito bem o teu dinheiro". A verdade é que não usam bem, não há medidas de corte nas despesas do estado que se vejam, e um grosso do bolo do capital cedido ao estado pelos contribuintes é colocado nas grandes empresas de construção e nos bancos, não se sabe bem a troco que quê.

Vi agora os políticos do bloco central a anunciarem na televisão que nos vão roubar mais um bocadinho, e desta vez fiquei com a nítida sensação que estavam envergonhados. Todos fizeram merda, o primeiro ministro, o ministro das finanças, o ministro das obras publicas... o governo todo.
Políticos a sentir vergonha, eis uma novidade para mim, no entanto quando questionado sobre as grandes obras públicas, Teixeira dos Santos disse que o financiamento não é proveniente do Orçamento de Estado mas de investimento privado e que "as grandes obras públicas foram sujeitas a concurso e adjudicação e o Estado já tinha assumido compromissos". E com os portugueses, ele não tinha assumido um compromisso? Aparentemente é menos gravoso falhar compromissos com todos nós do que com meia dúzia de barões da construção civil.

Não estou á espera que hajam demissões ou que os políticos assumam as responsabilidades pelos seus erros, mas espero sim que se retirem da vida política e vão fazer outra coisa menos danosa para o seu país quando acabarem a legislatura.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Gamanço dos gravadores



Correndo o risco de ser repetitivo, não queria deixar passar esta oportunidade para ver um vigarista a se imolar em fogo para a televisão. É giro de se ver, e de alguma forma libertador. Tenho assistido de perto ao percurso deste senhor nos ultimos tempos, e é das figuras mais cínicas, mais demagógicas e caricatas do triste circo em que se tornou a política em portugal.

Convosco deixo-vos o Dr. Ricardo Rodrigues, advogado por formação, deputado por profissão e larápio por vocação.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Chão

Hoje queria poder comprar-te um vestido bonito, oferecer-te um enorme ramo de rosas e convidar-te para jantar no restaurante mais chique da cidade. Queria poder dizer pessoalmente que és a melhor mãe do mundo e sentir nos teus olhos, que tens orgulho em mim...

Um beijo mamã, tenho muitas saudades tuas

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Post sobre bola

Anda em alta por estes dias o fabuloso mundo da bola, e como o pasquim é um sítio de actualidade, não podia a direcção editorial deixar passar este momento, portanto aqui vai um post sobre bola, ao jeito de uma abertura editorial de um qualquer vitor santos aí da vida.

Inter x Barcelona:

Os espanhóis são uns chatos do caraças em muita coisa, e no que toca a futebol irritam que se farta. Ah porque têm o melhor jogador do mundo, a melhor liga do mundo, o melhor clube do mundo, e a maior puta da mania do mundo, podem ter a certeza... daí que tenha sido absolutamente delicioso ver o correctivo que "Il speciale" mandou na equipa blaugrana (ou azul e vermelha, para quem não entende catalão). A verdade é que o Mourinho é um gajo um bocado... chato. Não curtia o homem quando estava por estas bandas a não treinar o meu glorioso. A verdade é que o homem irrita que se farta com o seu ego gigantesco (que acaba por ser justificado, convenhamos) por isso é que o homem deve treinar lá fora, irritar espanhóis, italianos e ingleses. Eles que saboreiem o fel que lhes é servido por um treinador que vem lá do país do terceiro mundo.

porto x Benfica:

Adoro a cidade e os portuenses, tenho lá gente que me está e vai ficar para sempre no coração. Não curto o clube nem pintado de ouro, lamento. Têm uma cultura de clube de terriola que me irrita solenemete, fomentam a briguinha, tresandam a vigarice. Neste campeonato não foram mais que uma sombra do que fizeram Benfica e Braga, e os 11 pontos que hoje levam de atraso são apenas sinónimo disso, da vossa inépcia nas 4 linhas. Saber perder também é uma coisa bonita (grande guardiola ontem) e ficava-vos bem se disso tivessem alguma noção. Correndo o risco de levar um tiro num destes dias depois de passar os carvalhos a caminho de peruzinho, vamos sim festejar nas antas o título e vai saber ainda melhor, vai ser ouro sobre... azul :)

Como começou esta crise

Toda a gente sabe que o país está na merda, mas a maior parte não sabe bem porquê. Os jornais, sejam televisivos, escritos ou falados pouco fazem para explicar as coisas, e normalmente estão mais preocupados em fomentar a guerrilha política entre laranjas, rosas e afins, do que própriamente esclarecer o seu público, por isso é muito fácil saber que o sócrates discorda do marcelo que por sua vez discorda do louçã que discorda do velhote do pcp que por sua vez discorda de todos... agora, em que base e sobre o que raio é que discordam?... não se sabe bem.
Para isso existe a internet e um monte de gente que sabe acerca de todo o tipo de coisas possíveis e imaginárias e que é mais do que feliz por explicá-as aos leigos, e que mesmo tendo opiniões tendenciosas (todos as temos) não têm agendas políticas ou económicas definidas, daí que é facil ler sobre o que cada um dos lados opostos acham e tirar daí as suas conclusões.

Este vídeo, da autoria de Jonathan Jarvis explica muito sucintamente como começou a esta porcaria toda e quem afinal nos meteu nela. Se tem razão? Tirem as vossas conclusões por vós próprios.

The Crisis of Credit Visualized from Jonathan Jarvis on Vimeo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Movimento Fãs da Madeira

Na quarta-feira passada a Jonas, sabendo de antemão que eu sou madeirense, feio aqui ao meu estaminé para me mostrar o "Movimento Fãs da Madeira" e pedíu-me para divulgá-lo.
Nesse dia estive demasiado ocupado a... ir de facto para a Madeira, por isso aqui fica como prometido.


O site está em http://fasdamadeira.sapo.pt e é um projecto idealizado por Filipe Santos Costa, outro madeirense expatriado e jornalista do Expresso que achou por bem mexer uns pauzinhos e fazer qualquer coisa pela terra. O projecto teve uma larga aceitação tanto por parte das celebridades que foram contactadas para promovê-lo como por parte da malta aqui do Sapo, que acabou fazendo o site de suporte ao projecto, e ele lá está online, bonito! :)

Por isso, façam lá o favor de visitá-lo, de dizer qual a razão para irem de férias á madeira (há milhentas, eu sei) e finalmente divulguem. A causa é nobre, e para quem nunca lá foi, é um lembrete:

Ninguém é realmente feliz sem ter visitado a Madeira! :)

A verdade é que apenas 7 semanas depois do fatídico dia 20 de Fevereiro, a cidade fo Funchal está um "brinquinho" como nós costumamos dizer. Os madeirenses meteram mãos á obra e trataram de reconstruir a cidade em tempo recorde. Porque afinal de contas, como uma pessoa muito querida minha costuma dizer "Se não vai, empurra-se". Não vale a pena andar a chorar desgraças, e olhar para a minha cidade hoje, enche-me de orgulho.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Voar

Andar de avião provoca-me arrepios. Adoro o facto de poder andar a 30 mil pés de altitude a 900 e tantos km's por hora. A paisagem que se vislumbra agora pela janela do meu 26F é qualquer coisa de fantástico... ver o sol se por no oeste ás oito e meia da noite, sobre o mar calmo azul-cinzento. Há 100 anos atrás isto seria uma experiência mistica, uma espécie de ida á lua nos tempos actuais.
A parte chata de andar de avião é a minha cabeça. Sou uma pessoa que mais vezes do que menos pensa demasiado, e isso chateia. Não consigo parar o fluxo de ideias que me passa pela cabeça e não poucas vezes fico agoniado. Sento-me aqui na parte de trás do avião e tenho dois ingleses balofos sentados nos assentos D e E. O que é que isso me faz pensar? - Fácil, como que raio é que eu vou fugir daqui se isto der pro torto. Mal me sento no avião busco imediatamente as saídas de emergência, conto o numero de cadeiras que tenho que percorrer até chegar lá, para trás e para a frente, não vá uma ficar bloqueada. O avião começa o rollout e eu verifico se os flaps estão em posição, tento estimar quando chegaremos á velocidade de rotação, 10 segundos depois digo na minha cabeça: "gear up".
Sim, é uma mistura de demasiado tempo a jogar flight simulator e muuitas horas a andar para cá e para lá, da ilha para o mundo. Queria ser totalmente despreocupado e apenas curtir a vista que se tem daqui de cima, mas infelizmente a chegada é sempre o alívio para esta 1h40m de apreensão.

A estrela polar já está ali, a indicar o fim do azul e o começo do amarelo, num degradé celestial.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Efeméride

neliomobile Mk1
Hoje faz 10 anos que tirei a minha carta de condução. Finalmente tinha juntado uns trocos a montar computadores na fatech em braga e a montar umas redes na santa casa da misericórdia de amares que me permitiram dar cento e tal contos pela carta de condução. Sim, ainda se contava dinheiro em contos (se bem que eu era mais escudos).
Andava a ter aulas num opel corsa B com já uns anos, que tinha uma direcção dura que se fartava. Uma cor horrorosa, um roxo esquisito que devia estar em promoção lá no concessionário. Fiquei muito feliz, a primeira pessoa a quem liguei foi á minha mãe - havia tanta gente a quem queria dar a notícia, afinal tirar a carta é como que mais uma das etapas que tinhas que passar para te "tornares homem", e sabia o quanto era especial que fosse a ela que lhe dissesse primeiro. Senti uma alegria imensa na voz dela, apesar de tudo o que se passava na altura, e isso é uma coisa que nunca me vou esquecer. Depois gastei todo o crédito que tinha no telemóvel, a ligar para toda a gente na madeira a dar a boa nova. Olhando para trás, tirar carta nem é assim um momento de glória como parece na altura, mas acho que estava a precisar de um impulso para qualquer coisa na minha vida. Menos de um mês depois as coisas acabavam por se complicar e esse ano acabou por ser sem sombra de dúvida o pior ano da minha vida.

Fica a carta, o carrito que compraria uns meses mais tarde, alguns muito bons momentos para recordar e amigos que fiz para a vida inteira nesse ano.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Lembranças tristes

Já que estamos a falar de vigaristas...

Por um mero acaso acabo de tropeçar no perfil do linkedin de um ex-professor meu de faculdade, uma criatura detestável e cuja mera lembrança traz-me um arrepio na espinha e uma vontade enorme de pegar num bastão de baseball e apanhar um autocarro para o norte...

Sempre pensei que no dia em que tivesse a porcaria do canudo na mão, ia bater de porta em porta no departamento de informática e dizer meia dúzia de coisas a meia dúzia de energúmenos (auto-proclamados professores), mas entretanto o tempo vai passando e a revolta esmorece. Mas um dia destes quem sabe, volto lá e vou "tomar café" com algum deles, daqueles que me lixaram por tantas vezes a vida quando deviam ter me ensinado alguma coisa de jeito e preparado para a vida "cá fora", afinal de contas era para isso (pensava eu) que lhes pagava um monte de dinheiro em propinas todos os anos. Pagava-lhes propinas porque era parvo, se queria voluntariamente levar porrada ia para o exercito, não para ali. Tirar aquele curso foi um exercício de paciência e auto-controle muito mais do que receber formação de jeito.

Entretanto lá vão eles continuando a fazer negra a vida de umas tantas centenas de alunos, ensinando parvoíces que ninguém no mundo real de facto quer saber - ou empregar alguém que saiba - e gastando o dinheiro dos contribuintes em investigações absurdas que não lembram ao menino jesus.

Um dia publico aqui algumas considerações sobre a bela da minha faculdade, lindo curso e santos professores, um dia em que esteja mais mal disposto.

Este post vai sem imagem, já que o que me apetecia era colocar a bela da montra do tal animal, mas se calhar é melhor não...

Note to self: melhorar o tom deste blog, o humor está a ficar negro.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Políticos II

Ainda no seguimento do post anterior, não podia deixar de falar do esquema dos submarinos.
Num momento em que chamar alguém de político é o pior dos insultos, tendo em conta toda a podridão que tem transpirado dessa classe, eis que sabemos que o Sr. Paulo Portas, que vive cascando no eixo ps/psd quer seja governo quer não, chamando para si todos os valores e todas as virtudes quando se trata de enfrentar a má gestão do país, é ele próprio mais um usurpador. Então não é que durante o pouco tempo em que fez parte do governo de coligação de Durão Barroso, e conseguiu ser ministro da defesa, tratou de ganhar uns trocos valentes á custa de um negócio que se constataria corrupto e ruinoso para os cofres do estado.

Boa Paulinho, podias ter aproveitado o pouco tempo que foste ministro para fazeres algo de jeito pelo país, mas sucumbindo á velha máxima, não conseguiste olhar para o dinheiro e não lhe deitar a mão - afinal de contas foi a aproveitar a oportunidade de uma vida, já que dificilmente serás ministro noutro qualquer contexto.

Ah, e Durão Barroso já veio dizer que não teve nada a ver com o negócio e que a responsabilidade era apenas do ministério da defesa... como se alguém acreditasse que um negócio de 900 milhões de euros, que ia causar um rombo imenso no orçamento do estado por mais de uma década, ia ser definido sem o conhecimento do primeiro ministro. Dizer que de nada sabia é passar a si próprio um imenso atestado de incompetência, e eu não acredito que o seja.

Eu ainda espero que os políticos honestos, se é que os há, venham a praça pública se defender, assim não está fácil.

Políticos I

António Mexia, director executivo da EDP, aufere de uma remuneração mais alta do que Steve Jobs e Steve Ballmer, directores executivos da Apple e Microsoft, empresas infinitamente mais rentáveis e mais valiosas que a nossa pequena empresa de electricidade, que opera em regime de quase monopólio, e cuja maior parte dos lucros deriva directamente dos bolsos dos seus consumidores - o povo português.

Só este parágrafo deverá ser o suficiente para detectar mais uma tramóia. Mais um boy for the job colocado pelo poder político para sacar uns milhões ao erário público. Infelizmente é tudo feito ás claras e tudo aceite e acaba por ser inevitável pensar que os benefícios fiscais que são retirados ás classes média e baixa acabam por servir para pagar a estes meninos, que nada de melhor têm que apresentar como currículo do que serem exímios lambedores de cús.

Proponho pagarmos o mesmo ao Steve Jobs para vir dirigir a nossa EDP, que acham? É bom negócio para ele porque fica a ganhar mais, e para nós, já que arranjamos um génio empresarial a trabalhar para nós, pelo mesmo preço que pagamos a um... político.

quarta-feira, 31 de março de 2010

de tragédias e de estradas



Morre-se demasiado na estrada. Morrer na estrada é morrer por razão nenhuma. Morre-se porque se exagerou quando se podia ter tido bom senso. Morre-se porque se excedeu os limites... de velocidade, de álcool, de confiança, de inteligência, de bom senso.

Falo em meu demérito. Apesar de por norma não exceder limites de velocidade (obrigado ao 2º sargento Catalão da Brigada de Trânsito, pela multa na A5 á 2 anos atrás) e de nunca beber quando conduzo (o saco cama que viaja na minha bagageira dá sempre jeito nestas alturas), sou um stressado do caraças na estrada, tenho que admiti-lo. Atrasados mentais ao volante mexem-me com os nervos, e por vezes não consigo me controlar, enervo-me e acabo por responder verbalmente ou com agressividade na condução - coisa que não me traz rigorosamente nenhum proveito.

Anormais na estrada sempre vão existir, e eu não tenho nenhum poder pedagógico sobre ninguém. Volta e meia pôem em causa a minha integridade física, por agirem imprudentemente na estrada ou por andarem drogados ou bêbados quando deviam estar a fazer outra coisa... mas contra isso apenas posso rezar para que se espetem sozinhos á noite contra um poste, e que não prejudiquem ninguém enquanto o fazem.

terça-feira, 16 de março de 2010

Contraluz



O António Feio tornou-se por estes dias, por força da sua doença, uma espécie de Ruy de Carvalho. Toda a gente de repente lembrou-se que também ele é efémero, e toca a trazê-lo para a ribalta e aplaudi-lo até não poder mais, por toda e qualquer coisinha que o homem faça. Pode parecer que estou querendo criticar, apesar de ser meio lamechas, acho louvável que se ache de aclamar o homem, um dos mais talentosos actores e comediantes dos nossos tempos enquanto ele vive. Sou fã incontornável do seu trabalho, e raios, mesmo sem conhecê-lo, tenho a sensação de que de certeza absoluta que é uma excelente pessoa.

Tendo tirado este último parágrafo do nada, e falando qualquer coisa relativamente ao vídeo, fiquei curioso para vê-lo, confesso.

Não vou comentar a frase que sucede ao comentário do António Feio. Aquilo foi posto ali para qualquer tóninho a aponte e meta no blog. Dá que pensar, no entanto...

sexta-feira, 12 de março de 2010

PEC por outras palavras

"O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?"

Ricardo Araújo Pereira - Visão

quinta-feira, 11 de março de 2010

Frase de engate da semana

"A minha mãe sempre quis uma nora linda assim"
Ponham a em prática, quero saber se deu resultado :P

quinta-feira, 4 de março de 2010

Greve nacional

Parece que não se trabalha hoje na função pública. Os meninos estão descontentes, não lhes vão aumentar os ordenados este ano. Os trabalhadores do sector privado, se calhar em solidariedade para com os primeiros, vão todos trabalhar hoje, afinal mesmo sem aumentos, os ordenados dos funcionários públicos ainda assim pesam bastante nas costas dos contribuintes.

Irónico que seja da classe trabalhadora com mais estabilidade e segurança de onde vêm os protestos, que que sempre que se organizam estas greves gerais sejam os professores os primeiros a levantar o dedo e a gritar "eu vou". Especialistas como são eles em greves, tratam se calhar de apoiar os restantes elementos na parte logistica.
Os piquetes de greve multiplicam-se á porta das empresas públicas, para desincentivar os não-grevistas a trabalhar, para servir de chamariz aos media, e para pedir o apoio da opinião pública. Os media amam os grevistas, dão lhes notícias e comentários inflamados. Os que não fazem greve vão á sua vida, afinal nem toda a gente pode concordar com as frentes sindicais, e há de facto funcionários públicos que têm trabalho a despachar e objectivos a cumprir, e que são solidários com o resto da população civil nestes tempos de recessão e desemprego. Quanto ao apoio da população civil, dificilmente o terão. A verdade é que estamos habituados á demasiado tempo a esta gente que pouco faz e muito reclama. No dia em que eu for a uma repartição de finanças e for atendido com o profissionalismo que se exige a um qualquer serviço privado, então vou ter alguma sensibilidade para estas questões de aumentos dos funcionários públicos. Até lá, comecem a trabalhar e a contribuir para que este país ande para a frente e a justificar o dinheiro que vos pagamos a todos.
Justificar-se-á que sempre que o país enfrenta períodos de austeridade são os funcionários públicos que pagam a factura. Não, somos todos que pagamos, sociedade civil. Crescem as falencias, cresce o desemprego, cresce a desigualdade social, crescem os impostos.
Os políticos nunca vão dar o exemplo, até porque se fossem gente honesta não estariam lá, a fazer política. Os banqueiros vão prosperar com a crise como sempre prosperaram. As coisas são mesmo assim, acordem para a vida.

Hoje a função pública não trabalha em Portugal - um dia como todos os outros, portanto...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Gentlemen, place your bets!

É difícil compreender os jornalistas. São uma classe tão junta como profundamente dividida, preenchida em igual medida por pessoas absoltuamente brilhantes, tanto quanto por atrasados mentais.
Voltando aos tempos de faculdade, se calhar era fácil identificar tanto quais dos meus colegas iriam chegar a jornalistas como também até onde é que iriam chegar.
Os ideologistas, com formação cívica e espinha dorsal firme, iriam chegar a jornalistas de qualidade, com carreiras construidas a pulso e reputação feita de suor e rectidão. As doninhas subservientes acéfalas que servem apenas de veículo de frases encomendadas a interesses políticos ou corporativos iriam tornar chefes dos primeiros, e pelo caminho vão atropelar todos os que fizeram da carreira um motivo de orgulho.

Neste momento contam-se espingardas em todos os sectores, como que a advinhar uma guerra civil que se adivinha. Já ninguém acredita (nem no largo do rato) que sócrates aguente muito mais, e é tempo de começar a agradar ao senhor que se segue, por isso, como se diz nos casinos: "Gentlemen, place your bets!"

No jornalismo também se contam espingardas como não podia deixar de ser, e aqueles jornalistas com valores mais ou menos maleáveis acabam sempre por ganhar pontos junto da classe política, deitando para a imprensa noticias que dão jeito.

A última pertence a um jornalista do jornal "i", que a troco de nada (aparentemente) desmascarou um blogger que se tinha tornado inconveniente ao seu senhor. Engraçado como tão facilmente os jornalistas defendem o anonimato das suas fontes, como logo a seguir são os primeiros a apontar o dedo se isso lhes trouxer alguma vantagem.

Ao divulgar tão aberta e despropositadamente o nome do autor do blog "O Jumento", Paulo Pinto Mascarenhas - jornalista do "i" - não ganhou nada junto da opinião pública, que passou a olhá-lo como bufo hipócrita. Mas junto dos seus senhores, concerteza conseguiu créditos que lhe hão de valer qualquer coisa no futuro - quem sabe um cargo político, a caminho de um ordenado chorudo a servir de boy numa qualquer empresa pública.

Não está fácil lutar por alguma seriedade neste país, há dias em que apetece emigrar e voltar daqui a 10 anos na esperança que já se tenha tomado juízo.