quinta-feira, 4 de junho de 2009

Tiananmen - 20 Anos



Á 20 anos atrás tudo parecia possível - o bloco soviético estava a entrar em colapso, o muro de berlim estava a meses de vir abaixo, a opressão do partido comunista chinês parecia ter os seus dias contados. Vivia-se um clima de optimismo como nunca mais se viu desde então. Talvez por ser uma criança na altura, e porque as crianças são naturalmente optimistas, olhava para todas estas transformações no meu mundo como uma coisa boa e natural - é normal que as coisas más terminem, e o comunismo é uma coisa má, tal como nos diz a televisão e os filmes americanos.

Nunca tive um sentimento de americanismo exacerbado em criança, apesar de gostar imenso de ver os filmes do Rambo, em que ele rebentava tudo o que fosse comunista, de uma forma que até se podia apelidar de democrática: não importa se era russo, chinês, vietnamita ou afegão - levava um balázio na mesma. A política dos americanos na altura era mais ou menos a que a famosa sequela cinematográfica descrevia. Eles viviam uma época de prosperidade e franca expansão, e a união soviética atravessava um clima de forte instabilidade económica e política, o que levou a que o equilíbrio ocidente/oriente levasse um sério golpe. Foi inevitável que o ocidente capitalista ganhasse, porque o capital era e continua a ser o elemento de poder mais influente.

Vivia-se um clima de esperança e liberdade, e um grupo de estudantes e intelectuais chineses achou que podia fazer a sua revolução tranquila, e trazer finalmente a democracia ao seu país. Á medida que a união soviética, assolada por graves crises internas deixava o seu antigo eixo se desintegrar, e países como a Roménia, a Polónia e a Alemanha de Leste caminhavam a passos largos para a democracia, assim também pensaram os chineses, e no dia 14 de Abril de 1989 invadiram a praça de Tiananmen em Pequim para chorar a morte de Hu Yaobang e exigir o fim da tirania no seu país.

Os protestos duraram várias semanas, e eu honestamente pensei que estava a assistir na televisão ao fim da opressão na china, e que o governo cederia a tamanha pressão interna e externa, já que a cobertura dos média mundiais era absoluta e a pressão internacional avassaladora.

No entanto, estávamos redondamente enganados. Como provaram tantas e tantas vezes antes disso e também depois, o poder é tão inebriante que quem o tem faz tudo para o manter, e os detentores do poder na china não iam de forma alguma deixar que algo acontecesse ao status quo.

Foi um sonho bonito, a esperança era uma constante, mas rapidamente tudo se desmoronou. Exactamente á 20 anos atrás, os tanques entraram em Tiananmen e massacraram quem a eles se opôs.

Fica a imagem do Rebelde Desconhecido que até hoje guardo na memória. Um exemplo de coragem, que reterei para toda a minha vida.

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