terça-feira, 2 de junho de 2009

AF447


Foi com imensa consternação que recebi ouvi a notícia do desaparecimento do F-GZCP ao largo da costa do Brasil, com 228 pessoas a bordo. Por ser uma rota que já fiz algumas vezes, e por ter imensos amigos que fazem esse mesmo voo várias vezes ao ano, pela primeira vez senti de facto que aquilo poderia ter acontecido a mim, e é terrível, é como se de repente passasse na minha cabeça o terror que aquelas pessoas devem ter sentido nos momentos finais. As minhas preces vão para as famílias dos que desapareceram.

Pouco há a acrescentar, esperemos que todos os corpos sejam resgatados e que se encontre rapidamente as caixas negras, para que se possa dar algum sentido de razão a esta tragédia, e para que possa eventualmente no futuro ter servido para evitar vários outros desastres. Porque na aviação sempre foi assim, existem sempre alguns com pouca sorte que "dão" a vida para que outros possam aprender com os seus erros, e assim dar a oportunidade a que milhões de passageiros todos os anos possam viajar com segurança no globo inteiro.

Porque uma viagem, especialmente transatlântica, significa sempre algo muito especial, ou o regresso de umas férias divertidas, ou o abrir de uma nova etapa na vida e um novo marco, é sempre mais triste pensar nas pessoas que morreram.

Não vou deixar de viajar de avião, nem tãopouco vou deixar de ir para o Rio de Janeiro sempre que tiver hipótese disso, mas há que ter sempre a devida reverência perante a natureza e pela forma como ela tem volta e meia estas maneiras de mostrar a nossa insignificância.

Descansem em paz...

2 comentários:

Ana disse...

A primeira pessoa em quem pensei qnd vi esta noticia foi em ti... Só de imaginar que costumas fazer esta viagem até dá arrepios... tu livra-te de alguma vez de te acontecer alguma coisa de mal, tás a ouvir??
Olha que os meus futuros filhos vão precisar de um tio, sim???
Até custa imaginar o que sentem as familias destas pessoas...

Nélio disse...

Li algures na net:

"Estar vivo é uma espécie de milagre, uma lotaria cósmica, o acaso dentro de um acaso, o resultado de quase nada e de quase tudo: Um óvulo e um espermatozóide juntam-se et voilá, sai mais um ser pensante e arrogante que vai mudar o mundo. Uns apanham o avião e morrem, outros não conseguem e sobrevivem. Os que morreram fizeram mal a alguém ? Pergunto eu, cheio de moralidades e causas e efeitos e culpa e sentidos para as coisas que não fazem sentido - Fizeram mal? Sim, uns fizeram, outros não, outros não fizeram mas iam fazer. Havia 11 muito maus , 13 mais ou menos, 32 eram muito boas pessoas, os outros ainda estavam a pensar na vida. O bébé não sabe o que lhe aconteceu, nem teve a noção de que alguma vez viveu, os outros gritaram e choraram em desepero. Os que que sobreviveram, os que não apanharam o avião, serão mercedores da vida? São. Não são. Tanto faz. Perguntas ridículas sem resposta. Os cemitérios estão a rebentar pelas costuras de gente porreira, e de gente lixada. Nada faz grande sentido. Parece tudo um filme de terror mas é a nossa realidade de seres frágeis mas arrogantes, seres pensantes mas ignorantes, que ainda não descobriram afinal o que andamos cá a fazer."