quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O (suposto) caminho para o comunismo

Recebi á uns tempos atrás por email um parágrafo supostamente atribuído a Karl Marx que dizia assim:
"Owners of capital will stimulate the working class to buy more and more of expensive goods, houses and technology, pushing them to take more and more expensive credits, until their debt becomes unbearable.
The unpaid debt will lead to bankruptcy of banks, which will have to be nationalized, and the State will have to take the road which will eventually lead to communism ."

Karl Marx, Das Kapital, 1867

Confesso que nunca li as obras de Karl Marx, mas o que eu sei sobre o tema foi o suficiente para achar a frase muito estranha e chegar á conclusão de que era um simples embuste:

- Karl Marx nunca previu que a classe operária fosse capaz de comprar propriedade aliás, as bases do comunismo previam uma doutrina política e social cujo objectivo seria a criação de uma sociedade sem classes, baseada na propriedade comum, com a consequente abolição da propriedade privada.

- Na data a que a passagem supostamente se refere, o termo "Tecnologia" era aplicado única e exclusivamente á aplicação da ciência, e não a algo que se pode ter ou comprar. Além disso, que tipo de tecnologia é que a classe operária supostamente compraria em 1867?

- Não há registo de ter havido alguma nacionalização por motivos económicos, no sentido de um governo ter "livrado" da bancarrota uma instituição económica até pelo menos os meados da década de 1910, pelo que o conceito não faria sentido de todo.

- Marx não acreditava que fosse este o método que conduzisse ao comunismo. Ele identificou pontos chave que eventualmente conduziriam á sua adopção, mas acreditava numa revolução á moda antiga, com tomadas de poder por armas, barricadas e julgamentos sumários, feitos pelo proletariado com fome, nunca por nacionalizações.

- Sugerir de que Marx acreditava que o comunismo chegaria quando um orgão solvente da burguesia (o estado) salvaria um orgão insolvente (os burgueses) é bastante bizarro.

- Ninguém em 1867 imaginaria que a classe operária teria algum dia acesso a crédito bancário. Os pobres poderiam ter alguma extensão por parte do senhorio das terras quanto ao pagamento do imposto, algumas semanas de crédito no talho ou na mercearia, mas nunca comprariam bens substanciais com qualquer tipo de crédito. A introdução do crédito aos não possuidores de terras só se deu no final da década de 20 do século passado.

- Ao se referirem a 1867, estão a falar do primeiro volume do Das Kapital, que foi publicado nesse ano. É possível fazer o download em vário sítios na internet, uma vez que o livro é do domínio público. Mesmo fazendo uma pesquisa textual á obra, não se encontra qualquer menção por mais remota que seja a esse parágrafo que é citado. (volume 1 da obra).

Com toda a paranóia nos Estados Unidos em torno da campanha de Barack Obama nas presidênciais americanas e com as suas ideias supostamente de "esquerda" não me admira nada que esta frase tivesse saído directamente da sede de campanha do partido repúblicano, para tentar ainda mais semear o pânico do comunismo entre as massas, da maneira que eles tão bem sabem o fazer.

Ontem recebi uma tradução da mesma frase para Português, a demonstrar que a farsa já se tornou global.

Um conselho, não acreditem em tudo o que vos chega por email. Correndo o risco de generalizar (e todas as generalizações são por definição, perigosas) diria que 95% dos mails em cadeia que nos chegam á caixa de email são fraudes, de spammers, malucos, sádicos ou apenas de miúdos com demasiado tempo para gastar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Uma ideia realmente inspiradora

Esta nova campanha da Absolut intitulada de “Hugs”, ao som de “A Kiss to Build a Dream On” de Louis Armstrong, serve para trazer um pouco mais de afecto ao mundo. Em vez de pagarmos com dinheiro, pagamos tudo com actos de carinho... não está nada mal visto.



O mote é: Se beber absolut, o mundo vai lhe parecer um lugar melhor. Bora lá ao bar? :)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Alfândega e CTT: uma dupla genial!



Será possível que dois coolers que mandei buscar dos estados unidos, embalados com a papinha toda feita para a alfândega e em que paguei propositadamente $45 para que viessem em Express Mail demorem 13 dias a entrar e a saír da alfândega?!!?!?

Ás vezes a incompetência dos serviços públicos portugueses torna-se demasiado para suportar...

Twitter


Confesso que até meados da semana passada não entendia porque raio é que toda a gente andava interessada no Twitter. Toda essa noção de "micro-blogging" parecia-me um bocado parva, e todo o hype acerca de um serviço na internet que permite-nos fazer broadcast a factos tão interessantes como ir dormir, ou ir usar a retrete, parecia-me assim... bem... pronto: Parvo! como já tinha dito.

Depois de um almoço no estádio da Luz com alguns ilustres jornalistas da nossa praça (que colaborarão no meu projecto mais recente) ávidos twitteiros fez-se alguma luz na minha cabeça acerca do assunto. O problema acho eu, é acompanhar no twitter gente com vidas tão desinteressantes que apenas têm a anunciar ao mundo o facto de que estão a dormir, a ver tv ou que acabaram de jantar um fantástico ravioli.

O truque é acompanharmos os twitters das pessoas certas, e criarmos como que uma agência noticiosa de coisas que realmente nos fazem sentido.

Como me esclareceu o meu caro amigo Edson, a ideia é acompanhar uma dúzia de gente que se conhece, gente esclarecida e que está sempre em cima do que se passa. Se aconteceu e valeu a pena, eles concerteza o hão de publicar no twitter. O nosso attention span é tão limitado, e há tanto mais a saber e a ler hoje em dia que temos que criar estes filtros para podermos ter alguma espécie de vida, podermos trabalhar e ao mesmo tempo estar informados.

Então tratei de acompanhar uma dúzia de gente que conheço e que de facto anda sempre informada sobre tudo e mais alguma coisa, principalmente do meu meio.

E pronto, agora acompanho mais o twitter. Para já sou consumidor, um dia destes talvez também vire produtor, tal como aconteceu com os blogues.

Domingo de bricolage


Achei por bem tirar o dia para fazer umas "obras" cá em casa. Cansado que estou de acabar sempre adormecendo no sofá e acordar com horríveis torcicolos no pescoço, ganhei coragem e comprei uma prateleira no IKEA para colocar no quarto, que irá servir de suporte ao meu monitor que servirá de televisão, assim que o pessoal da Zon achar por bem entregar a nova box xpto cá em casa.

Assim armei-me de berbequim e entrei de rompante pelo quarto.

Colocar a estante na parede não foi tremendamente difícil, se bem que a parte de deixá-la perfeitamente alinhada na horizontal sem o uso da régua de bolha de ar requereu todo o meu engenho... :) Basta colocar uma pilha tipo A no centro da prateleira e orientá-la de forma a que a pilha consiga ficar parada.

O difícil mesmo foi conseguir fazer um buraco da sala para o quarto para passar a antena da televisão... anos de estudo em matemática, fisica e ciências exactas afins, o domínio de derivadas, integrais e séries, as teorias de Laplace, Newton e Kepler, todos os axiomas, teoremas e corolários deveriam dar para fazer um reles buraco como deve de ser na parede...



... mas não deram...

Acabei fazendo 2.

Não necessariamente satisfeito com o meu fantástico trabalho no quarto, e com os dois buracos, tive que destruir o aquecedor de parede que estava na sala. Em minha defesa, o facto de o aquecedor não funcionar e ser velho e feio. Acho que uma placa em acrílico ali deve ficar minimamente bem, ou então levo esta coisa do bricolage mesmo a sério e compro um saco de cimento e tapo o dito buraco...



Mais um passo no caminho de personalizar o meu apartamento, esperemos que continue habitável antes que eu termine :)

9

Uma das vantagens de acompanhar o blog do Nuno Markl, é o facto de, sendo ele um ávido cinéfilo e apreciador de boas séries de televisão, de estar sempre a receber dicas extremamente úteis sobre aquilo que há para ver.



Reparem na banda sonora, parece-me fantástica.

Nesse contexto, há uma nova longa metragem do Tim Burton que eu vou esperar ansiosamente que estreie.

O post original que tão infamemente replico, está aqui.