sexta-feira, 28 de março de 2008

Que mundo é este em que vivemos?

Acabei de ver um filme de quinze minutos que me fez recordar algumas das cenas mais chocantes que já tive que assistir na minha vida:

- Vi milhares de pessoas a morrer em directo na televisão em 2001 quando um bando de loucos achou de atirar dois aviões contra edifícios cheios de gente inocente.

- Vi nos jornais da noite em 2004, como 191 pessoas foram bárbaramente assassinadas e outras 1755 mutiladas na estação de Atocha em Madrid, apenas a 500Km daqui.

- Vi nas notícias em 2005 imagens de londres onde 52 pessoas foram assassinadas e outras 700 feridas quando bombistas suicidas atacaram no metro e nos autocarros.

- Vi na internet aquilo que nunca deveria ter visto, as imagens de Nick Berg sendo bárbaramente executado por gente inqualificável, sem um pingo de humanidade. Essa imagem, dos ultimos segundos da vida dele ouvindo os gritos amordaçados de alguém que sabe que está prestes a morrer, e de 5 cobardes encapuçados a serrar-lhe o pescoço como se de um carneiro se tratasse... essa imagem nunca me deixou, e moldou me de certa forma o raciocínio. Acho que foi a coisa mais horrenda que já assisti na minha vida.

O filme chama-se Fitna, e pode ser visto aqui aqui. É uma curta metragem, toscamente realizada, da autoria de Geert Wilders, um deputado Holandês de (extrema?) direita. Não quer ser um blockbuster, não é para ganhar dinheiro ou para atingir fama. A ideia do filme é se calhar colocar uma questão na população mundial para a crescente radicalização de posições entre o mundo islâmico e o resto do mundo, principalmente em relação á europa e mais concretamente ao país de onde o autor é natural, a Holanda. Mesmo sabendo quais são as opiniões políticas do autor e não concordando com elas, há coisas que não são do foro político mas sim do foro humano, e nesse sentido assusta-me pensar em que mundo é este que eu vivo, que gente é esta?!?

Eu sou um optimista por natureza, quero... aliás, preciso acreditar que a humanidade é boa na sua essência. Por isso não consigo pactuar com a generalização, com a radicalização do pensamento anti-islâmico, mas...

... a verdade é que alguns de vós estão a nos matar, olham para nós como "macacos e porcos" e não têm qualquer pingo de remorço quando pegam numa espada e nos cortam a cabeça fora, aliás, vêem-o como um gesto sagrado...

... por isso, cabe a vós, mostrar ao resto do mundo que são evoluídos, humanos, sensatos e empáticos na vossa essência...

... caso contrário, temo que os próximos temos serão de uma cisão profunda entre os nossos mundos.

O mundo "não-muçulmano" (dificilmente poderemos colocar a palavra ocidental para caracterizá-lo nesta situação) tem sabido (pelo menos tentado) isolar os seus demónios, tirar-lhes a chama, para impedir que maltratem as pessoas. Nós temos desde 1945 tentado a todo o custo castrar os novos pequenos hitlers para que nunca mais e em nenhuma altura se repitam os acontecimentos de á quase 70 anos. O que é que vocês estão a fazer? Foi á quase 90 anos que Atatürk pegou num país dilacerado pela guerra e tornou-o num exemplo para o mundo. O que é que têm feito desde então para garantir que passamos melhor por esta vida efémera e deixamos algo de bom para os nossos filhos?

Tempos turbulentos se avizinham, e acho que todos nós temos que tentar evitar a catastrofe que se vê no horizonte.

E não, o mal não prevalecerá, a história provou-o vezes sem conta.

Duas ideias acerca do autor do filme:

- Quão genial é a ideia de colocar no final do filme uma informação sobre o site oficial como sendo en.wikipedia.org/wiki/fitna ? Por mais que a horda dos paninhos quentes tente abafar a coisa, a comunidade do wikipedia terá sempre a obrigação visceral de manter um artigo exacto e neutro sobre o filme, garantindo a sua divulgação.

- Admiro a sua coragem, fazer o que fez foi o equivalente a pintar um alvo na testa. O seu nome está a partir de hoje em toda a hit-list dos maluquinhos da jihad. Mais do que tudo, vamos ver até que ponto é que o mundo muçulmano vai mostrar a sua face evoluída, não o tentando matar.

4 comentários:

Edson Medina disse...

Eu sou um optimista por natureza, quero... aliás, preciso acreditar que a humanidade é boa na sua essência. Por isso não consigo pactuar com a generalização, com a radicalização do pensamento anti-islâmico, mas...

...mas acabaste de o fazer :P

Ah, e desengana-te nessa cena da humanidade ser boa na sua essência. O crime violento sempre fez parte da natureza do homem, e só não acontece quando não existe necessidade (quando o poder e as mulheres estão bem distribuídos). Depois pergunta-me mais sobre isto ;)


... a verdade é que alguns de vós estão a nos matar, olham para nós como "macacos e porcos" e não têm qualquer pingo de remorço quando pegam numa espada e nos cortam a cabeça fora, aliás, vêem-o como um gesto sagrado...

Agora parecias um skinhead a falar.

Essa merda dos nós/vós faz parecer que estás a falar de equipas de futebol.

Sabes tão bem quanto eu que um punhado de terroristas não representam 20% da população mundial (http://en.wikipedia.org/wiki/Religions), nem faz dos elementos da mesma religião cúmplices dos crimes.


... por isso, cabe a vós, mostrar ao resto do mundo que são evoluídos, humanos, sensatos e empáticos na vossa essência...

Não, não cabe.
Não tem de procurar a tua (ou "nossa") validação por serem parecidos com alguns criminosos.


O mundo "não-muçulmano" (dificilmente poderemos colocar a palavra ocidental para caracterizá-lo nesta situação) tem sabido (pelo menos tentado) isolar os seus demónios, tirar-lhes a chama, para impedir que maltratem as pessoas.

Nunca estiveste tão longe da verdade.

Assim de repente, lembro-me de algumas dezenas de guerras bem sangrentas em países "não muçulmanos". Muitas até no ultimo quarto de século.

Além do mais, há outros demónios bem grandes a quem nunca foi "retirada a chama".

Cristianismo (acho que não preciso enumerar os crimes cometidos em nome de Deus).

Comunismo (que tira a liberdade de sonhar às pessoas e cria tiranos).

Capitalismo (que aumenta a miséria dos pobres para alimentar as exuberâncias dos ricos)

E acima de tudo... A estupidez massificada dos media que cria essa merda do "nós contra vocês" (Pensa em nazis, homofobia, xenofobia, eugenia...).

ISSO meu amigo, é o maior crime de todos. Pois é a maior força motriz por detrás de qualquer guerra. Se não houverem "diferenças" entre os povos, não existe um inimigo.

Não sejas vitima do generalismo.

Mais, o islamismo NÃO é sobre matar americanos e europeus.

As diferenças (e a história) criaram essas criaturas que vão a extremos para provar nada.

E em troca morrem os inocentes que tiveram o azar de viver num país parecido e são pisados outros que nunca viveram no mesmo continente, só porque adoram o mesmo Deus.

Que puta de estupidez.

Queres mais videos atrozes? Vê as torturas infligidas pelos soldados americanos aos prisioneiros (e depois diz-me que uma coisa justifica a outra).

Não apoio nenhuma das fracções, pois uma alimenta a outra.

Por outro lado não consigo condenar também porque imagino que ninguem comete crimes violentos sem ter uma história por trás. Todas as histórias tem duas versões. E os media nunca contam toda a verdade.

A unica coisa que condeno é essa generalização que é precisamente o que dá o motif para o acto.

Não sejas mais um gatilho.

Filipa disse...

Grande dissertação :) mas tenho de concordar com o Edson Medina quando diz “Todas as histórias tem duas versões. E os media nunca contam toda a verdade.”
Como estudante na área sei bem que a manipulação dos media tem muito que se lhe diga....Contudo também não me parece que a razão do crime esteja relacionada com a má distribuição de poder e mulheres... Ponham de lado os falsos idealismos de que o crime só não acontece quando não existe necessidade de poder (dinheiro) e mulheres (vai lá se saber a razão).
Não estamos a falar de necessidade ou falta dela, mas de pessoas que independentemente da cultura, raça ou religiões acreditam ter uma razão para matar.

Nélio disse...

Meu caro,

Continuo sempre a achar que a humanidade é boa na sua essência, nem que seja por uma questão estística. A maior parte das pessoas com quem me dou partilha dos mesmos valores que eu, a grande maioria das pessoas que eu conheço, tenho a certeza que seria incapaz de barbaridades como as que são descritas no filme. A maldade na espécie humana parte sempre de uma minoria que aterroriza a maioria. A maioria quer passar por este mundo e viver a sua vida em paz e com felicidade, e não quer pactuar com radicalismos e barbáries.

Pega no exemplo do Nick Berg, e agora imagina-o árabe, que ele tinha sido assassinado em londres por um bando de cristãos extremistas, e que o video da sua morte tivesse sido publicado no youtube por esses mesmos extremistas. Diz-me lá qual é que achas que seria a reacção do povo inglês, do povo europeu? Achas que alguma vez as autoridades iam deixar de perseguir os culpados e levá-los á justiça por causa da religião ou etnia dos intervenientes? A verdade é que toda a sociedade árabe parece conivente com este tipo de situações, por cada bomba que explode em israel, celebrações ecoam por todo o mundo árabe, um grito de exaltação por cada vida inocente terminada, uma rajada de kalashnikov para o ar por cada criança judia morta.
Não creio que esteja a falar como um skinhead, estou apenas a expor os factos. Para mim sangue de um judeu vale tanto como o sangue de um palestiniano, o sangue de um negro vale tanto como o de um branco, e o de um cristão, tanto quanto o de um muçulmano. 20% da população mundial não são terroristas, nem nada que se pareça, mas a verdade é que eles parecem perfeitamente incapazes de controlar os extremistas no seu seio.

Não sou católico, não acredito em muitas coisas que vêm na biblia, reconheço algum papel social da igreja embora refute a maior parte dos seus dogmas e vícios. Sou cristão apenas porque todas as manhãs faço o sinal da cruz e esperando que algo acima de mim olhe pelos meus entes queridos que já partiram, e por aqueles que cá estão. Nada na minha forma de ser e nada do que acredito dá me justificação qualquer que seja para querer o mal de outro ser humano, seja porque razão for.
A bíblia tem coisas bem estúpidas se alguém parar para a ler, e se a levarmos á letra, podemos facilmente encontrar razões para matar alguém.

"homofobia, xenofobia, eugenia" é tudo o que esses islamistas andam a pregar, e há gente que lhes põe fé, muita gente mesmo. Aqui na europa andam também a querer pregar o mesmo, todo o país europeu tem os seus malucos de extrema direita a quem ninguém liga nenhuma, ou até são ridicularizados como no caso do cartaz do PNR parodiado pelo pessoal do gato fedorento. A diferênça está na importância que lhes damos: nenhuma. Continuam a se poder expressar respeitando os direitos de todos, chama-se a isso liberdade de expressão.

Não apoio facção nenhuma, mas de uma maneira ou de outra identifico-me com aqueles contra quem os extremistas lutam. Eu sou por uma sociedade tolerante, eu sou pela liberdade.
Não concordo com a sharia, não concordo com a burkha, não concordo com a pena de morte, com a execução de homossexuais, não concordo com o apedrejamento de mulheres "infieis".
Podia ter sido eu no metro de londres, ou na estação de comboios de madrid, ou nas torres gémeas em nova iorque.

Ricardo Bicho disse...

Uma no cravo e outra (ou mais) na ferradura.

Comentário muito infeliz...