terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A realidade de viajar em low cost



Assustador, é a palavra que me ocorre agora. Acabei de ver um documentário do channel 4 de inglaterra que retrata a realidade tenebrosa da companhia aérea irlandesa Ryanair.

Desde que o Bin Laden mandou os amigos dele se espetarem lá nas torres gémeas em 2001, que o mundo deu uma volta, e isto reflectiu-se de sobremaneira na aviação civil a nível mundial. As companhias aéreas tradicionais que na altura já andavam-se a debater com sérios problemas financeiros devido a décadas de má gestão e aumentos brutais nos preços do petróleo, viram a sua sentença de morte anunciada pela diminuição catastrófica da procura dos seus bilhetes, motivada pelo pânico mundial que se seguiu aos atentados. Companhias aéreas que outrora eram o orgulho dos seus países, como a Swissair, a Sabena ou a United Airlines começaram a declarar falência uma atrás da outra.
Os fabricantes de aviões que na altura tinham muitas ordens de compra firmes dessas companhias aéreas para os seus aviões de pequeno/médio curso viram-se de repente com muitos aviões nas mãos e sem companhia aérea para os entregar. Na ressaca deste descalabro, companhias aéreas que começavam a se establecer como a Easyjet,a Ryanair e a Southwest Airlines conseguiram comprar A320's e B737's novinhos em folha a preço de saldo, e tomaram de assalto o mercado da aviação, acabando com décadas de reinado incontestado das companhias aéreas de bandeira.

Isto até podia ser tudo muito bom, se não estivessemos a falar de aviões. Qual é o problema?
Estamos a falar de máquinas estúpidamente caras e complexas, cada uma a custar uma fortuna. São absurdamente sedentas por combustível e requerem montantes faraónicos para voar e manter. Então, como é que se consegue manter preços a rondar entre 30 a 40 euros por percurso? Simplesmente cortando nos gastos, e aí é que reside o problema. A história recente da aviação civil é abundante em exemplos práticos (que levam muitas vezes centenas de vidas consigo) de situações em que cortar nos gastos, principalmente em termos de segurança resulta em desastres horrendos.

Para o esquema dar lucro, a tripulação de cabine tem que trabalhar até ao limite, por salários absurdamente baixos, o avião tem que voar quase sem parar e os pilotos têm que fazer o máximo de horas seguidas de serviço que a lei lhes permite.
- O treino e formação são reduzidos ou inexistentes (na ryanair, a tripulação de cabine tem que pagar o treino do seu próprio bolso). O mais provável é que num voo destes encontre um assistente de bordo que entende menos de segurança aérea do que você.
- Para manter os 25 minutos exiguidos pela empresa entre o desembarque e o embarque, medidas de segurança como o controlo de passaportes na porta de embarque é desprezado. O avião não é limpo entre voos. Não são verificados pontos de segurança como a existência de coletes salva-vidas ou a operacionalidade de portas de emergência.
- A tripulação exausta, não está minimamente preparada para lidar com uma situação de emergência, e muitas vezes acaba dormindo em serviço.

E isto é o que se vê nas filmagens secretas da equipa de reportagem. Tenho medo de pensar o que se andará a fazer nos hangares quando os aviões vão para manutenção.

Aconselho a que vejam este documentário, lança uma visão negra sobre os operadores de low cost. Muito francamente, depois disto, não me vêm num avião da Ryanair nem que me paguem.

1 comentário:

Sílvia disse...

Oi amigo, não pude deixar de dar o meu parecer...

Bem, na minha humilde opinião, todos os documentários sobre algum tipo de comercialização bastante rentável (fast food, armas, 11 de Setembro...ehehe não resisti) tem um interesse económico da concorrência por trás. Ninguém me tira da cabeça que este documentário foi encomendado por um lobby de grandes companhias aéreas que pretendem não baixar um cêntimo às viagens.
É claro que há sempre algo de real no sai cá para fora, para as massas, (nem que seja a cor das calças dos intervenientes) mas há que ter olhar crítico e algo céptico perante mercados tão competitivos, ou melhor, que se tornaram tão competitivos (a concorrência é uma coisa tão linda...)e manter uma distância de segurança.

=) bjo enorme, do tamanho do mundo, amigo