sábado, 22 de dezembro de 2007

Chegada difícil

Raras são as vezes em que o meu regresso a casa é pacífico. Parece sempre que algo está contra o meu regresso á madeira.
Chegado ao barracão que a ANA chama de "terminal 2 do aeroporto de lisboa" (nome pomposo para um pavilhão multi-usos adaptado), foi ver uma imensidão de gente a fazer fila para os balcões de check-in para o funchal ou ponta delgada. Uma descoordenação total entre a equipa da tap (ou groundforce, ou seja lá o que for aquilo), balcões que encerravam sem aviso com as pessoas a fazerem fila para eles, monitores a indicar o balcões errados e quando as pessoas chegavam ao fim da fila é que eram informadas de que não era aquele balcão.
Já depois de ter feito o meu check-in, estava uma fila com ainda umas 20 pessoas naquele balcão, quando se ouve o funcionário da Tap a dizer: "O check-in para o voo 1685 fechou". Ainda demorou alguns segundos até as pessoas caírem na real e constatassem a inevitável realidade de que iam ficar em terra, mesmo tendo comprado os seus bilhetes e confirmado as suas reservas. Após levar com os ânimos exaltados de alguns passageiros e a tentar sempre sacudir a culpa de cima dele, lá o funcionário justificou a companhia aérea dizendo que (aparentemente) segundo uma lei aprovada recentemente, é legal a companhia aérea vender mais 20 bilhetes do que a lotação do avião, com a justificação de que é essa a média de pessoas que não comparece a cada embarque. Mentira, digo-vos já, eu já ando a viajar entre a madeira e o continente 3 e 4 vezes por ano á uns 12 anos e posso garantir que os aviões vão sempre lotados, principalmente nesta altura de natal. Não sei que ganza estragada anda o pessoal da Tap a fumar, mas deixem-se dessas coisas, urgentemente.
Após isso, a cada nova pessoa que chegava para fazer check-in no dito voo, eram imediatamente encaminhados para o balcão de "apoio" ao cliente, cuja fila já devia andar nuns 30 ou 40 metros, talvez com 80 a 90 pessoas indignadas, querendo todas a cabeça do responsável por aquela situação. Todos se justificam dizendo que não têm culpa, que a culpa é da central de reservas da companhia, e os passageiros vêm-se naquela situação ridícula, ás mãos de uma companhia aerea de bandeira, que cobra o que pode e o que não pode por cada viagem, e trata os seus clientes como se fossem mendigos.
Solução? Nenhuma, é engolir em seco e não pensar muito nisso. Não é como se houvesse concorrência neste negócio, ou é aquilo ou é aquilo, temos pena (infelizmente a Sata também não é opção, ambas as companhias trataram de cartelizar o negócio, toda a gente sabe disso menos a autoridade para a concorrência).
Peripécias á parte, e depois de um atraso de 1h55m (o que não é mau para os padrões da Tap), lá aterramos na madeira. É sempre um prazer saír do avião e cheirar o ar que me faz sentir em casa, aquele ar húmido com cheiro a terra molhada, a minha terra.
Depois de reviver o prazer que é voltar a casa, foi tempo de caír na realidade (negra)... o tapete rolante rolou, e rolou, e rolou... e da minha mala, não houve notícias. Pronto, perderam-me a mala! Cambada de inergúmenos que não conseguem fazer o trabalho direito. Lá fui eu para os perdidos e achados fazer a tal reclamação. "Entregaremos no seu domicílio assim que a mala for encontrada" disseram eles... é mesmo bom, eu fico meio mal humorado quando não tenho roupa limpa para vestir...

De volta á minha casa, para concluir o dia difícil, tenho umas cartas de mais algumas dívidas dos meus pais para pagar, e um problema estrutural deveras grave na casa que ameaça me caír em cima.
Fora isso, tudo bem... posso dormir descansado.


PS. A mala chegou no voo seguinte. Menos mal.

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