sábado, 3 de novembro de 2007

Going home



Estou a bordo do Airbus A310-300 "São Miguel", matricula CS-TGV a caminho da Madeira. É a minha primeira viagem num "wide body" para a Madeira. Depois que o aeroporto do funchal foi ampliado, passou a poder albergar este tipo de aviões, passando a poder operar até um 747, no entanto raras são as viagens que este tipo de aviões fazem para lá. Presumo que não seja financeiramente viável utilizar um avião maior e mais pesado para fazer uma viagem de 970km, afinal de contas, colocar um bicho destes a 30 mil pés de altitude deve gastar algum combustível, e os mais 50 ou 60 passageiros que leva não farão com que esse combustível seja pago (ou bem pago). Presumo que em alturas de maior fluxo de passageiros, estes aviões sejam colocados a fazer viagens curtas.

Nasci ilhéu, vou viver ilhéu, e morrer do mesmo jeito. Já viajo de avião quase desde que me lembro de mim, e já foram tantas as vezes que fiz este trajecto que lhe perdi de facto a conta, e hei de fazer essa viagem até ao fim dos meus dias, porque do outro lado está a terra mais bonita do mundo. No entanto confesso que é uma viagem que me perturba um pouco, o que é curioso: não me sinto minimamente desconfortável em viajar para qualquer ponto da europa, barcelona, londres, paris, roma, amesterdão... embarco quase como se estivesse a entrar num autocarro e saio da mesma forma. No entanto, as viagens para a madeira provocam-me sempre este estranho desconforto. Acho que são das 600 milhas de mar aberto, associadas a um aeroporto que por mais que se amplie para cima, para baixo, para os lados, parece que nunca me vai trazer maior paz de espírito. A aproximação á pista 5 é aquela curva medonha, depois da qual o avião tem só alguns segundos para se colocar no enfiamento da pista, a aproximação á pista 23 traz-me sempre a lembrança do acidente de 77 com o 727 da tap. Mas não há nada a fazer, a verdade é que a unica maneira de ir a casa é de avião, o aeroporto é aquele, o avião é este. É nestas alturas que mais vale pegar no laptop e começar a escrever para o meu blog, já que durante os dias normais as minhas tarefas profissionais não me permitem grandes devaneios, e quando estou em casa quero ver outra coisa que não o ecrã do computador.

Sendo hoje um dia em que me sinto particularmente implicante, sinto não é particularmente fantástico viajar na Sata. Este A310 ná não é propriamente novo, a sandes mista não era particularmente grande ou saborosa, a tripulação não é particularmente amistosa ou bem apresentada. Nestes dias em que a banalização das viagens de avião é uma realidade, não podemos querer mais do que aquilo que nos dão. Eu ainda sou do tempo (esta soou meio mal) em que uma viagem de avião era antecedida por vários dias de alegre espectativa, em que vestiamos a melhor roupa para nos sentarmos na cadeira do avião, em que havia sempre na porta do avião uma hospedeira da tap lindíssima e impecávelmente arranjada a nos dar as boas vindas. Nesse tempo, de vez em quando tinhamos a oportunidade de visitar o cockpit e falar com o comandante, que amigavelmente sorria perante os olhos espantados de uma criança: "olha rapaz, sabes para que serve este botão?" Hoje em tudo acerca das viagens de avião se tornou banal, os comandantes, por obra do 11 de Setembro não deixam mais ninguém visitar o cockpit, as hospedeiras já não são aquelas deusas, e eu já não tenho 8 anos. Extiste uma coisa no entanto, com que sempre podemos contar: a comida nunca prestou.

A aproximação foi á pista 5, o avião fez a curva do costume, abanou como de costume, e pousou sem stresses... como de costume.

Abre-se a porta. 3 lufadas de ar, uma lágrima a querer saír, estou em casa :)

2 comentários:

ana mafalda disse...

A menina que é do continente ..k nao sai de braga :))..,,tem uma enorme curiosidade em conhecer esse sitio k voces ilheus tanto gostam de falar ....e dizem ser de encantar :)))))

talvez um dia desses va conhcer esse sitio a k tu chamas "casa" ,afinal gosto de conhecer a "casa "dos meus amigos ...:)))

mas para ja ...para ja ...pela altura do meu aniversario rumo a capital ...ja sabes kero mega festa de recepção (afinal faço anos ..eheheh ).....

ja combinei com a fi ...hhihi...e se calhar ate a ana vai ..
fiestaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Nélio disse...

Nossa senhora... a minha alma está parva. As meninas minhotas vão atravessar o rio douro? :) ahahahha