quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Inépcia ao volante

Porque li e porque concordo, publico aqui um excerto da crónica do Miguel Sousa Tavares. Nem sempre partilho as opiniões deste senhor (principalmente no que se refere á parte desportiva :)) mas tenho que lhe tirar o chapéu quanto a isto:

"(...) Quinze pessoas morreram porque um ligeiro abalroou um autocarro numa zona da A-23 sem qualquer perigo e em condições de circulação ideais. Fez-se um teste de álcool e de droga à condutora, que acusou negativo; procuraram-se indícios de excesso de velocidade, mas sem resultado. Mesmo assim, escreveram-se os inflamados artigos do costume sobre a mortandade rodoviária e o Governo tratou de anunciar maior repressão sobre o excesso de velocidade e o consumo de álcool ao volante. À preguiça comodamente instalada não ocorreu considerar a hipótese de que o acidente se possa ter ficado a dever à mais comum causa de morte nas estradas portuguesas: a inépcia ao volante. Sucede que, apesar dessa figura de estilo chamada exames de condução, nem toda a gente está habilitada a conduzir um carro. Recusando aceitar esta evidência, procura-se sempre uma causa externa que possa justificar os acidentes e, quando não há, remete-se invariavelmente para o excesso de velocidade. E como a má condução não constitui infracção, quando nem o excesso de velocidade se consegue provar, a culpa morre solteira e o condutor segue em frente. As estradas de Portugal estão cheias de condutores que causaram acidentes e mortes por simples inépcia e que continuam tranquilamente a conduzir.

Há anos que eu defendo isto: que o cadastro rodoviário tenha por base os acidentes causados e não as infracções cometidas. Para que não se tire a carta a quem estacionou na passadeira de peões ou foi flagrado numa auto-estrada deserta a 150 à hora, e se mantenha ao volante quem deixou para trás mortos e feridos, sem contudo ter cometido qualquer infracção. Mas para isso era necessário que, em vez da caça à multa, que dá dinheiro à polícia e ao Ministério das Finanças, o objectivo primeiro passasse a ser o de retirar das estradas os condutores perigosos."

in Expresso, 12 de Novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Parabéns Pêssego!!!



Para a nossa menina Mafalda que faz hoje o seu quarto de século, muuuuuitos parabéns!
Espero que tenhas um dia feliz, com muitas prendas e cheio de alegria.
Este ano não deu para estar aí, mas passas por cá e vamos beber um copo à lux para comemorar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Natal? Qual natal?

Estava a passar no sábado á noite na avenida da liberdade, e achei muito estranho que as luzes de natal ainda não estavam acesas e já iamos a 24 de Novembro, desci até aos restauradores e depois até ao rossio, e ainda nada... só na baixa (rua do ouro e afins) é que notei algumas timidas luzinhas iguais ás do ano passado.

Será que adiaram as iluminações de natal este ano? Sim, adiaram até dezembro de 2008. Fui hoje de manhã procurar que diziam as notícias acerca deste assunto, e aparentemente este ano, temos pena, mas não vão haver iluminações de natal para os lisboetas (e para quem visita lisboa).

Aparentemente a nossa muy competente câmara de lisboa andou a fazer uma série de ingerências e torrou dinheiro que não devia, por isso agora não deu para gastar dinheiro nas luzes, e nem os milhões que sacaram dos bolsos dos automobilistas á conta dos novos radares da cidade impediram que o natal fosse parcialmente cancelado.

Houve uma entidade bancária que se ofereceu para colocar iluminação na cidade á borla, mas aparentemente a câmara rejeitou por considerar que a publicidade embebida nas decorações era "excessíva"... realmente antes ruas escuras do que luzes com alusões a bancos. Ainda se fossem marcas de tabaco, empresas de bebidas alcoólicas, clinicas de abortos... agora BANCOS??? De maneira nenhuma, totalmente inaceitável!

Que pena que o tejo não tem crocodilos, estou a ver agora de repente meia dúzia de políticos que iam fazer as delícias dos bichos.

Para quem tem saudades da avenida da liberdade no seu explendor natalício, aqui fica um vídeo gravado por mim no ano passado. (banda sonora, cortesia da casa :)



by the way: os moços da câmara andam a num frenesim a colocar sensores de velocidade no asfalto dos IC16 e IC17. Uma vez que os radares com limites absurdos de velocidade em lisboa têm se provado autênticas minas de ouro para os cofres da autarquia, cheira-me que os "garimpeiros" andam a fazer prospecção noutras artérias da capital.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

T-Mobile vende iPhones desbloqueados

Nem sei porque é que eu ando a postar notícias acerca do iPhone, não tenho intenção nenhuma de comprar um, mas como é uma coisa hype e com algum interesse, cá vai:

Como é do conhecimento geral, o iphone já está á venda em vários países da europa (reino unido, alemanha, frança...) e no mesmo modelo de negócio que a at&t adoptou para os estados unidos: telemóvel bloqueado á rede, dois anos de contrato.
Mas na alemanha a vodafone processou a t-mobile (operador que comercializa o iphone por aquelas bandas) acusando-a de práticas de mercado menos correctas ao obrigar os utilizadores a ficarem 2 anos agarrados para poderem ter um iphone nas mãos.

Como resposta ao processo da vodafone, a t-mobile começou imediatamente a vender os tais telemóveis desbloqueados: 999 euros, preço de amigo :)

Pormenor: por mais 50 euros, compra-se um macbook... escolha difícil, hein?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

30 anos do Sacadura Cabral



Foto do Sacadura Cabral (CS-TBR) em 1975 ainda nos Estados Unidos, antes de ser entregue á TAP




Passaram-se 30 anos sobre o acidente do 727 da TAP "Sacadura Cabral" na Madeira.

Era segunda feira de noite do dia 19 de Novembro de 1977, e a tripulação do o Boeing 727-282Adv da TAP vinha de um longo voo desde Bruxelas na Bélgica para a Madeira, com paragem para reabastecimento e entrada de passageiros em Lisboa. Ao fim de pouco mais de 13 horas de serviço, o piloto João Lontrão e co-piloto Miguel Guimarães Leal depararam-se com a dificil tarefa de colocar um jacto comercial de 46 metros e 3 motores, numa pista minúscula de 1600 metros de comprimento. Era uma daquelas noites de tempestade, ventos fortes, chuva torrencial, fraca visibilidade. O 727 é um avião de cockpit analógico, o que significava que a aproximação naquelas condições ficava dependente da capacidade do piloto ver a pista e da análise da agulha do VOR para fazer uma aterragem por instrumentos, mas que na altura não dava grandes garantias.

Lembro-me de aterrar na antiga pista 24 com mau tempo nos aviões de cockpit analógico (727's e 737-200). Não era próprio para cardíacos. Logo após o avião baixar nas nuvens, começava-se a sentir a turbulência e fazia-se um silêncio sepulcral dentro do avião. A unica coisa que se ouvia era o frenético aumentar e diminuir da potência dos motores á medida que o comandante lutava para manter a velocidade de aproximação constante e o ângulo correcto de descida. Á medida que o avião ia descendo com a baía de Machico a estibordo, éramos sucessivamente atirados para um lado e para outro, conforme os ventos furiosos batiam contra o avião, e acho que a maior parte das pessoas nessa altura começava a fazer contas á sua vida. Depois de umas valentes sacudidelas, o avião fazia o flare na pista e esperávamos que o avião batesse (bater é a palavra indicada) com o trem de aterragem no chão, e puxasse os reversos, spoilers e travões ao máximo para parar o avião a tempo. A força de travagem era tanta que se olhássemos para o corredor do avião nessa altura iamos ver todo o tipo de objectos a rolar pelo chão no sentido da frente da aeronave.
Assim que o avião parava na pista, era ouvir os passageiros todos a aplaudir em uníssono a tripulação, como uma plateia a aplaudir trapezistas depois de uma manobra perigosíssima sem rede, com a diferença de que se eles caíssem, morríamos todos.
Quando ele dava a curva de 180 graus para entrar na plataforma de estacionamento, dava para ver logo ali o fim da pista e o precipício até á praia de santa cruz. Há que dar o mérito aos homens da TAP, para pousar um avião ali era preciso ter um misto de sangue frio e loucura, não era definitivamente para todos.

Mas naquela noite há 30 anos atrás, não foi bem assim. Já com duas aterragens abortadas e depois da aproximação difícil debaixo de um temporal, o piloto fez uma planagem demasiado longa sobre a pista e tocou no chão com o trem de aterragem já para lá do meio da pista, com apenas 800 metros de pista restantes, com o avião de lado e a fazer hidroplanagem. Mesmo com os spoilers, reversos e travões ele passou o fim da pista a 80km/h e bateu na pequena ponte de pedra que tinha logo depois do fim da pista e despenhou-se na praia de santa cruz, incendiando-se logo de seguida. No inferno que se seguiu, das 164 pessoas que seguiam no avião, só 33 sobreviveram, a muitas delas com ferimentos graves.

Foi a maior tragédia de que há memória na Madeira, e ficou na memória colectiva de todos, dos pequenos e dos graúdos.

Num ambiente pequeno e tradicional como a ilha da Madeira no final dos anos 70, toda a gente tinha alguém conhecido naquele avião. Eu tinha 2 meses de idade na altura, mas quando cresci o meu pai falava-me de um amigo dele lá do Porto da Cruz que tinha acabado de terminar o curso de medicina e que voltava nesse voo para a madeira para exercer a profissão, e de uma promissora atleta do Nacional (o meu pai era nacionalista ferrenho) que voltava de uma prova de natação na Bélgica. Numa freguesia pobre e de gente maioritariamente analfabeta como o Porto da Cruz, ver um filho da terra que tinha acabado de tirar medicina, morrer naquelas circunstâncias foi uma tragédia. Bem no centro do pequeno cemitério da vila, colocaram os restos mortais do médico que nunca o foi, com uma inscrição na cruz contando ao mundo o seu trágico fim. Deve lá estar até hoje.

Depois disso, acho que a tragédia assombrou toda a gente que aterrava lá, desde o início do silêncio sepulcral até aos aplausos apoteóticos, toda a gente lembrava-se do acidente de 77.

A TAP deixou de voar os 727-200 para a madeira e passou a voar a versão 100, mais curta e mais leve, mais propícia a aterrar na pista minúscula. Na descolagem os pilotos iam até mesmo á ponta da pista, travavam e aceleravam ao máximo antes de largar os travões. Aquele "warm-up" inicial era famoso até entre os continentais.

Entretanto a famigerada pista 24 desapareceu. Deu lugar á 23, com quase o dobro do comprimento. A TAP deixou de voar boeings e segundo a minha corajosa tia Fernanda, a aterragem deixou de ter piada. Diz ela que agora parece que está a andar de autocarro. Aterrar de airbus numa pista de 2800 metros é "coisa de meninas".

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Diário d'ele vs Diário d'ela

Não costumo postar anedotas nem nada disso, mas não resisti a colocar esta que recebi por mail. Obrigado á Maria Silva por partilhar esta joia connsoco :)

DIÁRIO D' ELA:

"Ele ficou esquisito a partir de sábado à noite. Tínhamos combinado encontrarmo-nos num bar para beber um copo antes de jantar.

Andei às compras a tarde toda com as amigas e pensei que o seu comportamento se devesse ao meu atraso de vinte minutos. Mas não. Nem sequer fez qualquer comentário, como lhe é habitual. A conversa e o sítio não estavam muito animados, por isso propus irmos a um lugar mais íntimo para podermos conversar mais tranquilamente.

Fomos a um restaurante caro e elegante. A comida estava excelente e o vinho era de reserva. Quando veio a conta, ele nem refilou e continuava a portar-se de forma bastante estranha. Como se estivesse ausente.

Tentei rodar os assuntos para fazer com que se animasse mas em vão.

Comecei a pensar se seria culpa minha ou outra coisa qualquer. Quando lhe perguntei, disse apenas que não tinha nada a ver comigo. Mas não me deixou convencida.

No caminho para casa, já no carro, disse-lhe que o amava. Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros, de forma paternal e sem me contestar. Não sei como explicar a sua atitude, porque não disse que me queria como faz habitualmente. Simplesmente não disse nada.

Começo a ficar cada vez mais preocupada. Chegámos por fim a casa e, nesse preciso momento, pensei que ele me queria deixar. Tentei fazer com que falasse sobre o assunto mas ele ligou a televisão e ficou a olhá-la com um ar distante, como que a fazer-me ver que tudo tinha terminado entre nós. O silêncio cortado pelo filme era sufocante. Por fim, desisti e disse-lhe que ia para a cama.

Mais ou menos dez minutos depois, ele entra no quarto e deita-se a meu lado. Para enorme surpresa minha, correspondeu aos meus beijos e carícias e acabámos por fazer amor. Não foi tão intenso como normal mas ele pareceu gostar. Apesar de continuar com aquele ar distraído que tanto me aflige.

Depois, ainda deitada na cama, resolvi que queria enfrentar a situação e falar com ele o quanto antes. Mas ele já tinha adormecido. Comecei a chorar e continuei a fazê-lo pela noite dentro, até adormecer quase de manhã.

Estou desesperada, já não sei o que fazer. Estou praticamente convencida que os seus pensamentos estão com outra. A minha vida é um autêntico desastre!"


DIÁRIO D'ELE:

"O Porto perdeu com o Fátima. Ao menos a minha mulher não estava com dor de cabeça..."

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mamonas Assassinas

Corria o ano da graça de 1995 mais ou menos por esta altura do campeonato (12 de Novembro), a esta hora devia estar já bêbado por um canto, a berrar alto e a bom som "Lessiiiiii!!" ou "Sisteeeemaaaaassssssss!!!!". Tinha acabado de chegar á universidade e os muy dignos engenheiros achavam de encharcar a caloirada com a maravilhosa cerveja "Estrella Galicia" que era a escolha óbvia não só por ser a mais barata, mas também por ter... álcool (Eramos caloiros, entenda-se).

A discoteca que estava na bera era o Populum, o campo da vinha em Braga ainda tinha árvores e a musica que batia em todo o lado era uma tal de "Estou na lua" de uma banda chamada "Lunáticos", bem a propósito. O pessoal que conseguia sobreviver ao roteiro hard-core de BA-Insóltito-Populum-Pachá, encontrava-se ao final da noite (ou início da manhã) no infame clube 84, cujo dono que era um velhote muito castiço, ex-campeão das corridas de carros (exibia as fotos dos seus tempos de glória com orgulho das paredes da discoteca) que tratava de por á prova a alegada rigidês de um caloiro de sistemas com as suas famosas promoções: "500 paus, bebes 3 cervejas e 2 whiskeys" ou a dos "300 paus, bebes toda a cerveja que conseguires".
Nessa altura, quando o teor alcoólico ainda dava para distinguir as músicas, ouvia-se e curtia-se Young Gods, o ice-t a cantar bodycount, o Jim Morrisson a dar o seu pior, sei lá... acho que nunca encontrei depois disso mais nenhuma discoteca onde o sentimento fosse o mais puro possível, isto é, a malta ia para lá tão somente para curtir o som e apanhar uma bebedeira das antigas, mainada... pelo menos a maior parte de nós, lembro-me que o verga, ao seu melhor estilo, conseguiu ficar sem os dentes da frente quando levou um coice do porteiro... mas, fica para outro post.

Mas afinal, que raio é que este post tem a ver com os Mamonas Assassinas? Pois, quando nós saiamos da discoteca, bebados a arrastar-nos pelas paredes, não vinhamos a cantar "kissing the sun", ou "riders on the storm".. naaa, muito complicado, vinhamos a cantar nada mais nada menos do que excertos daquele disco que nos arrebatou a todos, o disco dos Mamonas Assassinas. Em 1995 eram eles que bombavam, com o seu estilo metal-forró-grunge-sertanejo-funk-sei-lá eram o maior sucesso. Toda a gente dos 8 aos 80 sabia cantar pelo menos uma música de cór, e cantava-a com ritmo.

Quem não se lembra de versos como:

"Te encontrei
Toda remelenta e estronchada num bar,
entregue às bebida
Te cortei os cabelos do sovaco e as unhas do pé
Te chamei de querida
Te ensinei
Todos os auto-reverse da vida
E o movimento de translação que faz a Terra girar
Te falei
Que era importante é competir
Mas te mato de pancada se você não ganhar!"


Infelizmente no dia 2 de março de 1996, na véspera de virem para Portugal, numa viagem de regresso de Brasília para São Paulo, o piloto que já vinha com 16h30m de serviço, e depois de uma aterragem mal sucedida virou para o lado errado e espetou-se na serra da cantareira, em guarulhos. E lá se foram os mamonas.
Deixaram a memória de uma das bandas mais hilariantes de sempre, com as musicas mais contagiantes que alguma vez ouvi. Mais divertidas do que Ena pá 2000, mais mexidas que Ivete Sangalo, mais profundas que Vitor Espadinha (ou não). Em 8 meses de existência venderam 2.8 milhões de discos e ficaram para a história, merecidamente.


Mesmo após o seu desaparecimento o pessoal cantava mamonas á saída do 84, ou então o hino da madeira (dependendo da gravidade da bebedeira).

Bons tempos :)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Parceria PT Meo e Microsoft

Dá nisto:


O Meo é a plataforma triple-play (telefone + internet + televisão) da PT.COM, e aparentemente escolheram a Microsoft como parceiro. <sarcasm> Escolha acertada, digamos </sarcasm>
Esta é digna de figurar na famosa paródia "Microsoft - obtenha os factos".

Como disse um amigo meu, podia ser pior: Quando se faz refresh á página, o a hora do erro é actualizada.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

iPhone em Portugal já em Dezembro?


Correm rumores que o iPhone da apple chega a Portugal já em dezembro, que vai custar 399 euros e a operadora escolhida para ter o exclusivo em Portugal é a TMN.
A se confirmar isto, vai ser um frenesim de gente a desbloquear iPhones para o natal (sim, porque mudar para a tmn é que não :) ).
Eu por mim fico com o meu Nokia E50, obrigado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

DailyShow

Sou um confesso fã do Jon Stewart há já vários anos. Admito que de cada vez que vejo um programa dele não me contenho e rio que me farto.
Ele tem aquele dom de nos fazer rir de coisas que na verdade não têm piada rigorosamente nenhuma, e que de facto até nos toca um pouco na consciência por estar a rir daquilo.
A muitos anos que ele e a sua equipa do DailyShow da Comedy Central são a cara do que resta da América sensata e inteligente (raça em vias de extinção nos dias que correm) e têm só por si feito o que os democratas americanos parece que já desistiram á muito de fazer: oposição.
Assim sendo, uma vez que não se consegue fazer oposição de jeito a um governo que é na sua essência... ridículo, a melhor forma de se opor a ele é simplesmente retratar aquilo que ele faz de melhor: ridicularizar-se.
Em resposta ao veto de George Bush em relação ao plano seguro de saúde para crianças pobres, fizeram este programa no Daily Show.
Vale a pena ver, e rever:



E para os que como eu são espectadores fieis do programa e não conseguem partilhar os horários com a SIC radical, o site http://www.thedailyshow.com/ agora mostra todos os programas gravados até hoje no seu site, de uma forma completamente gratuita.
Aproveitem!

sábado, 3 de novembro de 2007

Going home



Estou a bordo do Airbus A310-300 "São Miguel", matricula CS-TGV a caminho da Madeira. É a minha primeira viagem num "wide body" para a Madeira. Depois que o aeroporto do funchal foi ampliado, passou a poder albergar este tipo de aviões, passando a poder operar até um 747, no entanto raras são as viagens que este tipo de aviões fazem para lá. Presumo que não seja financeiramente viável utilizar um avião maior e mais pesado para fazer uma viagem de 970km, afinal de contas, colocar um bicho destes a 30 mil pés de altitude deve gastar algum combustível, e os mais 50 ou 60 passageiros que leva não farão com que esse combustível seja pago (ou bem pago). Presumo que em alturas de maior fluxo de passageiros, estes aviões sejam colocados a fazer viagens curtas.

Nasci ilhéu, vou viver ilhéu, e morrer do mesmo jeito. Já viajo de avião quase desde que me lembro de mim, e já foram tantas as vezes que fiz este trajecto que lhe perdi de facto a conta, e hei de fazer essa viagem até ao fim dos meus dias, porque do outro lado está a terra mais bonita do mundo. No entanto confesso que é uma viagem que me perturba um pouco, o que é curioso: não me sinto minimamente desconfortável em viajar para qualquer ponto da europa, barcelona, londres, paris, roma, amesterdão... embarco quase como se estivesse a entrar num autocarro e saio da mesma forma. No entanto, as viagens para a madeira provocam-me sempre este estranho desconforto. Acho que são das 600 milhas de mar aberto, associadas a um aeroporto que por mais que se amplie para cima, para baixo, para os lados, parece que nunca me vai trazer maior paz de espírito. A aproximação á pista 5 é aquela curva medonha, depois da qual o avião tem só alguns segundos para se colocar no enfiamento da pista, a aproximação á pista 23 traz-me sempre a lembrança do acidente de 77 com o 727 da tap. Mas não há nada a fazer, a verdade é que a unica maneira de ir a casa é de avião, o aeroporto é aquele, o avião é este. É nestas alturas que mais vale pegar no laptop e começar a escrever para o meu blog, já que durante os dias normais as minhas tarefas profissionais não me permitem grandes devaneios, e quando estou em casa quero ver outra coisa que não o ecrã do computador.

Sendo hoje um dia em que me sinto particularmente implicante, sinto não é particularmente fantástico viajar na Sata. Este A310 ná não é propriamente novo, a sandes mista não era particularmente grande ou saborosa, a tripulação não é particularmente amistosa ou bem apresentada. Nestes dias em que a banalização das viagens de avião é uma realidade, não podemos querer mais do que aquilo que nos dão. Eu ainda sou do tempo (esta soou meio mal) em que uma viagem de avião era antecedida por vários dias de alegre espectativa, em que vestiamos a melhor roupa para nos sentarmos na cadeira do avião, em que havia sempre na porta do avião uma hospedeira da tap lindíssima e impecávelmente arranjada a nos dar as boas vindas. Nesse tempo, de vez em quando tinhamos a oportunidade de visitar o cockpit e falar com o comandante, que amigavelmente sorria perante os olhos espantados de uma criança: "olha rapaz, sabes para que serve este botão?" Hoje em tudo acerca das viagens de avião se tornou banal, os comandantes, por obra do 11 de Setembro não deixam mais ninguém visitar o cockpit, as hospedeiras já não são aquelas deusas, e eu já não tenho 8 anos. Extiste uma coisa no entanto, com que sempre podemos contar: a comida nunca prestou.

A aproximação foi á pista 5, o avião fez a curva do costume, abanou como de costume, e pousou sem stresses... como de costume.

Abre-se a porta. 3 lufadas de ar, uma lágrima a querer saír, estou em casa :)