segunda-feira, 11 de março de 2013

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Hum, será mesmo melhor agora?

Diz que agora é melhor. Venha estudar matemática na UM,
as propinas não são caras e a vaselina é por nossa conta.
Quando a opção se coloca entre espetar um prego enferrujado de 10 polegadas no olho esquerdo com uma grande marreta enquanto se masca lâminas de barbear e bocados de limão amargo e pula-se num tapete de vidros partidos e carvão em brasa... e ir para a universidade do minho estudar matemática, uma pessoa tende a ficar indecisa.

É bom saber que quando se tem estes dilemas, os bons professores do departamento de matemática da universidade do minho tem um bom conselho a dar.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Acentos e outras parvoíces

O Luís escrevia o seu nome com um V
Escrevo os meus textos no momento em que me ocorrem algumas ideias que decido partilhar com o mundo. Ás vezes pairam sobre a minha cabeça ás duas e tal da manhã, outras vezes de manhãzinha quando estou a tomar duche, outras vezes quando estou sentado na casa de banho. Não é específico de uma hora, local ou altura. Passo meses sem escrever nada e depois de repente apetece-me partilhar os meus 2 cêntimos com o mundo.
Tento escrever os meus textos com o máximo de correcção e respeito pela lingua indígena da pátria que me pariu, mas... o estimado leitor volta e meia há de fazer o favor de ignorar um ou outro lapso, erro ou asneira genérica. Tenho que escrever estes posts com rapidez suficiente para que formem uma espécie de raciocínio linear, cujo fim não destoe muito do princípio e que estejam prontos num pequeno espaço de tempo - porque como diria o grande artista Hérman José, "eu é mais bolos", ou no meu caso específico: "eu é mais computadores". Depois se paro e vou fazer qualquer outra coisa - chapéu! Lá se foi o timming.

Na escola, sempre tive excelentes notas em inglês, mesmo sem nunca ter aprendido grande coisa acerca dos formalismos específicos da língua. Se me soava bem eu punha lá, se não soava é porque devia estar errado. Então, a resposta para qualquer exercício num teste de inglês era alcançada pelo mesmo método que tantas vezes aplico na minha vida e na minha profissão: tentativa e erro aliados a alguma dose de fé. Já no português nunca fui grande espingarda, parte porque do fundo do meu âmago eu abominava as obras chatas de gajos como o Almeida Garrett, parte porque nunca concordei muito com as interpretações que faziam á obra de Camões, parte porque acho que a escrita é uma fabulosa invenção humana que serviu mais que tudo para amplificar os limites da criatividade e da imaginação, não para metê-la num espartilho de regras inúteis, e sem qualquer nexo com a realidade.

Diria o leitor que me conhece e até é meio nerd: "Mas Nélio, como é tu podes dizer isso quando o próprio objecto do teu trabalho reside na escrita de frases numa linguagem técnica, cujo sucesso depende tanto de executarem o processo de forma previsível tanto quanto terem que estar sintaticamente correctas?"

Pois, linguagens de programação não servem propriamente para livros sobre amor, ódio, ciúme, filosofia ou futebol. Servem para resolver problemas práticos com processos exactos - línguas servem para partilhar pensamentos, sons, ideias, e tanto na minha imaginação como nos meus diálogos, o "a" que está dizer a alguém que "vá á fava" e o "a" que está em " anos que digo isto" soa exactamente da mesma forma.

O guardião da língua portuguesa ao ler isto reagirá da mesma forma que um adepto do porto ás escutas do Pinto da Costa: gritará "Heresia!", "Ultrage!",  desligará imediatamente o seu computador e correrá para o conforto do seu volume das Viagens na minha terra, onde encontrará serenidade espiritual e claro - nunca mais voltará cá ao pasquim. Outros dirão que é por causa do meu sotaque madeirense, da minha influência brasileira ou simplesmente na minha incapacidade em aprender a língua de Saramago de forma correcta. Esse senhor - ilustre comuna que foi viver para as Canárias e de quando em vez mandava as suas postas de pescada por forma a que o povo comprasse os seus livros e jornalistas tivessem sobre o que escrever - não usava pontos, escrevia parágrafos de folhas inteiras que eram a maneira que ele tinha de partilhar os seus pensamentos com o mundo. Nunca ninguém o elogiou pela fantástica correcção sintática dos seus textos, ou recebeu um Nobel por aplicar com mestria o acordo ortográfico nos seus textos.
Não me querendo comparar a Saramago de qualquer forma ou feitio, longe disso, apenas digo que a língua é um veículo para as minhas ideias, e um veículo para humanos, não para computadores que necessitam que as coisas sejam simples e sintáticamente correctas. Um humano compreende ideias e interpreta-as a partir de frases soltas, imagens, sugestões, sonhos, gestos... não as processa através de TCP/IP.

Sendo assim, o leitor que ainda não apagou o endereço do pasquim dos seus bookmarks não há de levar a mal que os meus posts mandem uma calinada ou outra, não ponham os acentos na inclinação certa, não metam "h's" onde eles não são precisos e escreva exactamente com um "c".

Declaro portanto, que o pasquim será escrito segundo a minha versão do acordo ortográfico (aquele que acordo comigo próprio), mais nenhuma.

Ah, e deixem que mande a Florbela Espanca á merda: aquilo dos sonetos - em que se contam linhas e sílabas e constrói-se a coisa de forma direitinha para que caiba perfeitamente num molde de bolos comprado no ikea é, digamos assim, parvo!
Quando estava no décimo primeiro ano do ensino secundário achava que se calhar era eu que não tinha experiência de vida suficiente e não atingia a profundidade da coisa. O professor Valentim delirava com estas coisas e era gajo de parecer perceber do que falava. Hoje aos 35 anos, acho que todo o conceito de restringir raciocínio literário em formação futebolística de 4x3x3 nada mais que um delírio masoquista. Um dia ainda se vai provar que o Antero de Quental deu dois tiros na cabeça porque não conseguiu encaixar a sua ultima obra literária em grupos de tercetos e oitavas - um tiro só não chegava, e cada verso tinha que ter dez sílabas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O maior escândalo financeiro da história de Portugal!

Já ando há uns anos a dizer isto, mas o João Marcelino, director do Diário de Notícias e jornalista de mérito indiscutível (espécime raro no panorama jornalístico Português) expõe os factos de forma directa, concisa e fundamentada:


"O BPN é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca antes houve um roubo desta dimensão, "tapado" por uma nacionalização que já custou 2400 milhões de euros delapidados algures entre gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil, offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que foi o cavaquismo na sua fase executiva.
É confrangedor olhar para este "negócio" que agora, a mando do entendimento com os credores internacionais, o Governo fecha com o BIC angolano de Isabel dos Santos e Américo Amorim e dirigido no terreno por Mira Amaral, antigo ministro de Cavaco Silva.
Os números dizem tudo: o Estado português queria inicialmente 180 milhões de euros e o BIC acaba por pagar 40 milhões (menos que a cláusula de rescisão de qualquer futebolista razoável) por uma estrutura financeira que nos últimos dias teve de ser capitalizada em mais 550 milhões para que alguém ousasse fazer o favor de aliviar o Ministério das Finanças deste pesadelo. Para além disso, o Governo pagará as despesas do despedimento de um pouco mais de metade dos actuais 1580 trabalhadores, o que permitirá aos novos donos reduzirem em 30% os actuais 213 balcões do BPN."

Leia o artigo todo no site do Diário de Notícias

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A mala de cartão, outra e outra vez



Enfermeiro despede-se de Cavaco Silva antes de emigrar e implora para não criar “imposto” às lágrimas e saudade

Estranhamente familiar...

Falar que Portugal exporta talentos é se calhar um bocado exagerado. Quem exporta talentos é o Benfica e o Sporting que despacham jogadores da bola para o estrangeiro por valores faraónicos... esses sim são valiosos para a nossa terra. Engenheiros, enfermeiros, profissionais talentosos, gente trabalhadora e qualificada não é exportada, é dada - não valem nada, ou pior, são insistentemente mandados embora pelos nossos governantes, e em discursos directos, porque não têm lugar para eles - "vão se embora, emigrem, Portugal precisa que não estejam cá" ou seja: Portugal não nos reconhece nenhum valor. Não é preciso grande capacidade intelectual para saber que isto é de uma tremenda miopia, está-se a drenar o talento, a ambição, a juventude, e a manter os que de outra forma não o podem fazer, ou porque já deixaram de acreditar numa vida melhor e aceitaram a condição em que lhes colocaram, ou que estão demasiado fracos ou velhos para embarcar numa aventura no estrangeiro. Também há aqueles que ainda acreditam que a tormenta vai passar em breve e que o emprego garantido que têm neste momento vai ser a sua tábua de salvação até que a tempestade passe - a todos eles desejo a maior sorte do mundo.

Os políticos no governo vêm se livres de um tipo de pessoas que tipicamente é problemático, que pensa pela sua própria cabeça, informa-se e depois não vota neles: gente que que opina, que influencia a opinião dos seus familiares e amigos menos atentos. Ganham por outro lado uma opinião pública maioritariamente exausta e subserviente e fácil de mandar que claro - está revoltada com o estado das coisas mas que não pode ou não sabe fazer mais do que ler o correio da manhã e daqui a 2 ou 3 anos ir votar no senhor que se segue - ou seja, quem quer que esteja como dirigente do PS na altura. Depois basta á maltinha que andou agora no governo voltar para ser deputado e não fazer nenhum, empenhando-se de vez em quando em fazer longos e inflamados discursos na assembleia da república sobre o quanto os compadres do partido congénere estão a afundar a nação e a criar crises políticas (seja lá o que isso for), não fazendo perguntas concretas nem respondendo a elas. Assim ficam em banho-maria até que a grande massa de inertes votantes vai em romarias ás mesas de voto pôr no governo os senhores que á uns anos atrás atiraram-nos para a sarjeta exactamente da mesma forma que os senhores que estiveram agora e estão a ir de sabática para as bancadas de São Bento - mas já ninguém se lembra.
Outros que tiveram mais sorte ou engenho, calhou-lhes na sopa um ministério dos bons e durante 4 anos prepararam o resto das suas ricas vidas e não precisam fazer mais nada do que colher os frutos.

Só que... como políticos á portuguesa que são (se fossem verdadeiramente inteligentes - não espertos, tinham arranjado um trabalho a sério) falta-lhes um bocado de visão para que vá nem que seja um pouco além dos seus próprios umbigos. Portugal não vai acabar não senhor, ainda vão ter gente suficiente para sustentar os gordos lá do planalto, só que já não vai haver suor e sangue suficiente para manter o planalto tão vasto, porque alguém tem que sustentar os seus gostos requintados e hábitos principescos, porque agora já nem os senhores do estrangeiro aceitam o sangue dos filhos e netos da plebe como garantia de dívida porque pura e simplesmente a arraia-miúda já está magra, exausta, com as costas cicatrizadas do chicote do capataz, e pura e simplesmente não consegue mais puxar a carroça. Os seus filhos são sacrificados na fogueira como que a tentar apaziguar um qualquer deus cruel, que por sua vez faça com que chova novamente e que faça com que as colheitas brotem de novo do chão e façam o país proliferar.

Á medida que o planalto onde vive a classe regente vai ficando mais e mais pequeno, porque a erosão vai fazendo com que as suas encostas tombem para a planície, os seus luxuosos ocupantes ao verem o seu espaço em perigo, vão começar a lutar uns com os outros pelo pouquinho que resta, envolvendo-se numa luta sectária e esfaqueando-se mutuamente até apenas restar um punhado de homens, que de tão sanguinários e sem escrúpulos conseguiram manter o seu estatuto. Trata-se da lei do mais forte, da natureza no seu estado mais básico e mais cruel. Vão ser estes que vão governar.

Voltando ao tema...

Do outro lado está o país que nos recebe - lembram-se de como era estranho ver engenheiros e médicos a emigrarem aos milhares dos países do antigo bloco soviético para Portugal para fazerem trabalhos miseráveis, pagos quando apenas quando calhava e o patrão estava bem disposto e/ou não tinha gasto o dinheiro todo no bordel? Sim esses mesmo que davam tão bons motivos de chacota para a "nova-rica" sociedade portuguesa dos anos 90? Não foi assim á tanto tempo.
Pois não tem nada a ver! Os países para onde a nossa gente está a ser escorraçada recebem-nos de braços abertos, admirados com a nossas capacidades técnicas, académicas, humanas e com a nossa quase que intrínseca vontade de trabalhar, de dar o litro e de nos desenrascarmos sozinhos. Colocam-nos a trabalhar e a receber tanto quanto os nativos, valorizam o nosso trabalho, investem na nossa carreira, dão-nos palmadas nas costas e agradecem o bom trabalho feito por coisas que pensávamos não ter valor nenhum - porque no país de onde viemos, o trabalho não tinha valor nenhum - era a nossa obrigação fazê-lo e fazê-lo bem - porque a nossa dívida ao patrão era grande á partida, porque ele deu-nos trabalho e um ordenadinho no fim do mês e há que dar valor a isso. Em Portugal fazer apenas 8 horas por dia é sinal de pouco respeito - pelo patrão, pelo trabalho, pelos colegas - espera-se que dês tudo de ti, porque tens que compensar o facto de as tuas chefias serem tantas vezes nada mais que uma cambada de meninos de bem que herdaram o seu cargo, ou este foi comprado pelos papás, que para alimentarem o gosto que têm pelo bom que a vida pode dar e ainda assim poderem sustentar a quadrilha de bandidos que milita desde as câmaras municipais até ao palácio de belém sugam a vida de quem trabalha para eles.

Não vou como o enfermeiro do artigo apelar "ao Presidente da República para que permita poder regressar um dia a Portugal." O Pedro é novo e ainda não perdeu esperança. Eu por outro lado sei que nunca mais vou voltar, porque eu sei que a minha terra não me quer lá. Para além de terem que alimentar os mesmos parasitas que os nossos compatriotas do continente, temos ainda uma pseudo-realeza local que nos tira tudo o que temos antes de os senhores lá do terreiro do paço tenham direito ao seu quinhão (e eles tiram o seu quinhão, não duvidem). Para além disso apelar a um dos déspotas que para seu engrandecimento pessoal condenou tantos portugueses a optar entre emigrar ou viver na miséria é mais irrealista do que acreditar num velhinho de barbas brancas que faz brinquedos no pólo norte e os distribui pelo mundo em 24 horas.

Gostava que os meus filhos pudessem nascer e crescer á beira-mar, junto a uma das encostas da minha terra onde eu fui criado e onde passei a minha infância de uma forma tão feliz, que pudessem sentir-lhe o cheiro, que pudessem olhar para o mar todos os dias sem excepção. Nos meus sonhos mais bonitos eu estou sempre na Madeira, e a minha alma morre um bocadinho mais cada dia que acordo e sei que estou tão longe. Saber que não vou voltar, saber que não há esperança é como ser condenado a viver a vida toda sem parte de mim.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Paulo Portas



Estava a dar uma olhadela pelas estatísticas de acesso ao pasquim - que muito me orgulham, diga-se, e aproveito para lançar já um saravá á malta que lê as verborreias mentais que para aqui ponho de vez em quando, e um ou outro texto de qualidade menos duvidosa que me lembro de escrever.

... continuando, não é que vou ver e nas entradas vindas da pesquisa do google e reparo que tenho uma catrefada de gente a vir aqui bater por pesquisar por "Paulo Portas"?

Nooossssaaaa senhora, meu Deus, minha gente! Querem saber coisas sobre o homem vão á nova gente, á tv sete dias, ao sapo mulher ou a um qualquer site desses. Sim senhor, escrevo acerca de muitos palermas, principalmente sobre o ditador gordinho lá da minha terra e sobre a sua quadrilha de malfeitores, mas posso garantir-vos que aqui não há nada sobre o Paulo Portas!

Podia ter posto uma imagem mais a propósito do título deste post, a enfeitar aqui o pasquim (sim, o pasquim fornece sempre imagens com os textos, para ficar mais bonito e para leitores com menos escolaridade possam cá vir visitar - não vá o Miguel Relvas ou o Alberto João Jardim aparecerem por aí), mas pôr uma imagem do homem seria de muito mau gosto.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Exercises in Free Love


Ainda perdi uns 5 minutos a pensar num texto para acompanhar esta música. Mas escrever seja lá o que for aqui e de todo supérfluo, tal como mostrar qualquer imagem no vídeo.

Das coisas mais bonitas que já se fizeram no mundo...